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domingo, 30 de março de 2014

Filme Os Enjaulados e a realidade do professor substituto permanente nas escolas

O Professor substituto permanente, que segundo os alunos deste “filme” não pode fazer nada



Sala indisciplinada, cujos alunos segundo o Professor do “Filme” “não há nenhuma dúvida de que podem bater nele, já que consideram um castigo estar na aula dele” O professor é chamado de imbecil e deve cumprir as regras, ou seja, não pode fazer nada.


O diretor da Escola também trabalha com regras e não pode admitir nada que não esteja de acordo com as regras e leis. Estas no “filme” são para o Professor. Não pode ameaçar, intimidar etc. A mãe do aluno só fala em processar o Professor. O Diretor teve de pedir desculpas pelo professor.


No Intervalo, comportam-se como uma manada e atropelam qualquer um na escada, parece um estouro de boiada.

Na Sala dos Professores, vem a pergunta dos mais experientes ao Substituto: Você é Professor? Então, as regras aqui são “não tome café, nem coma os biscoitos a não ser que você pague e não sente na poltrona” . Sua carteira é roubada no primeiro dia de aula pelos alunos na mudança de salas.



   O Professor é responsável pela sala de aula e até por aquilo que acontece no banheiro dos alunos

Na sala de detenção, tudo o que o professor tem de fazer é evitar que eles se matem na classe

   As professoras são molestadas nos corredores e os professores que interferem também são agredidos. A punição do aluno após estes atos de agressividade  é de apenas três dias de suspensão e depois ele volta pior ainda. E se o professor der queixa, é a palavra do aluno contra a dele e ficará sem o emprego.

Até aqui o filme mostra uma realidade que cada professor deste pais conhece muito bem e a conclusão desta história e as ações do Professor substituto permanente neste episódio deixo para análise daquele que quiser ver o filme na integra. Caso tenha interesse, acesse o link abaixo:



Livro sobre a Liberdade Humana


Este livro terá lançamento ainda este ano pelo site  www.autoresfree.com.br 

Veja abaixo os assuntos que o livro abordará:

O que Entendemos por Liberdade? .........................................................
O Interesse de Plenitude Comandando o Indivíduo ................................
Indivíduos Livres ....................................................................................
Liberdade de uns e de outros .................................................................
Iniciativas Livres ou ações sob o comando das sensações?..................
Liberdade e Corpo: Concepção Espiritualista, Ciências Humanas e Clássicas. ............................................................................................
Liberdade ou a busca do que tem de melhor em si mesmo. ................
Formas de Apresentar o Mundo em que Pertence ..........................................
Liberdade: processo herdado e escolhido ......................................................
O Futuro da Liberdade: escolhas, limites e ameaças. ...................................

domingo, 23 de março de 2014

A toca do coelho e a premiação no trabalho

Joaquim Luiz Nogueira 

Eu... eu... nem eu mesmo sei, nesse momento... eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.que recebi um email que dizia: você não será premiado. Controle-se. — disse a mim mesmo por várias vezes. E pensei que podia muito bem esperar, já que não tinha mais nada a fazer e talvez, afinal, alguém me dissesse alguma coisa que valesse a pena ouvir. Fiquei ali sentado, os olhos fechados, e quase acreditei estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abrir os olhos e tudo se transformaria em insípida realidade.
Mas disse Alice em meu pensamento, Nada se é conquistado com lágrimas. "Vamos, não adianta nada ficar assim!" — E lembrei que Alice dizia a si mesma, num tom áspero. "eu a aconselho a parar já" — em geral ela dava conselhos muito bons a si mesma (embora raramente os seguisse), repreendendo-se de vez em quando tão severamente que ficava com lágrimas nos olhos...

E vi que Alice no País das Maravilhas se parece com meu trabalho: perdido, dentro de uma toca de coelho e sempre estou correndo e atrasado na busca de metas. Quando  eu lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de um deles!  Só que ninguém gosta de ficar mudando toda hora, sabe. É realmente espantoso, como todas as criaturas brigam. É de levar a gente a loucura!

Mas se a única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível. Você não sabe grande coisa, e isso é um fato. Veja bem, havia acontecido tanta coisa esquisita nos últimos anos, que eu não tinha começado a pensar que raríssimas metas eram impossíveis. Suponho que saiba o que 'isso' significa.
Sei muito bem o que 'isso' significa quando eu trabalho o ano todo por uma meta. — E então quando acha que está tudo mudado, não é? — Receio que sim. — Eu... eu sou um lutador. — Bastante inseguro, lembrando-se do número de mudanças que praticamos a cada dia. E quanto tempo dura essa cobrança?
E logo,  me lembro do Coelho dizendo: As vezes apenas um segundo. Mas podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir _ Responde
o gato para Alice. Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
E Nesse caso, pouco importa o caminho que devo seguir - replico a mim mesmo. Gostaria de não ter trabalhado tanto! — Parece que vou ser castigado por isso agora, trabalhando mais e mais. Então, recordo-me  do diálogo de Alice com o Chapeleiro: Você me acha louca? Chapeleiro: Louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são.
Assim, Alice aconselha: “Quando tiver dúvida, fique em silêncio.” “Dizem que o tempo resolve tudo. A questão é: Quanto tempo?.”  Segundo  Alice, a  melhor maneira de explicar é fazer. Pois a mim, me importa e muito. — Alice retrucou rápido. Pare de grunhir, não é em absoluto uma maneira apropriada de se expressar, pois o mês de março vai ser interessantíssimo, e talvez, quando estarmos em maio, eu não esteja freneticamente tão louco... pelo menos não tão louco quanto em março.
 E qual é a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?


"Nós aqui sabemos o que deveríamos ter feito ontem, e sabemos o que devemos fazer amanhã, mas talvez nunca sabemos o que devemos fazer hoje."

sexta-feira, 14 de março de 2014

Máquinas e Esforço Humano: A Libertação do Corpo, da Mente e da Própria Máquina

Breve lançamento em  http://www.autoresfree.com.br/


     Algumas preocupações dos dias de hoje nos despertam para uma busca e, ao mesmo tempo, despertam o diálogo necessário entre épocas passadas e inquietações do presente. O fato de enfrentarmos questões tão complexas em todas as áreas do conhecimento no mundo atual, cujas comunicações quebraram as barreiras físicas e destruíram as certezas, desencadearam novas fronteiras para os indivíduos e seus sonhos. (Introdução do Livro: Uma Breve História dos Elementos que nos orientam).
      O mundo atual das incertezas e dos acasos direciona indivíduos para campos mesclados entre leis divinas, contextos artificiais, naturais, circunstâncias e vontades humanas livres. Felicidades e deleites, incorporadas ao tempo da instantaneidade, mas sobreposto a elementos de moralidade. A aventura do desejo humano em meio a caos e ordem, horror e alegria. (Introdução do Livro: Uma Breve História dos Elementos que nos orientam).
Máquinas e Esforço Humano: A Libertação do Corpo, da Mente e da Própria Máquina

A primeira e mais característica –
que vitaliza todas – é a de trazer
à tona e sustentar um sentido de
 espanto diante do mistério
 da existência[1]
E se forem apenas as próprias
exceções que criam, retrospectivamente,
a ilusão da “norma” que elas
supostamente violam?[2]

     Na época atual, cujos avanços tecnológicos tentam modificar a história da humanidade e envolver a participação de todos em confrontos diretos, com indagações que abrangem desde a identidade pessoal e a dignidade humana até as questões de avanços na área da biogenética, levantam-se aspectos interessantes, rumo aos princípios que nos apontam direções no século XXI, vejamos essas preocupações nas palavras de Žižek:
hoje vivemos uma época extremamente interessante, na qual uma das principais consequências de avanços como a biogenética, a clonagem, a inteligência artificial e outros é que, talvez pela primeira vez na história da humanidade, temos uma situação em que o que eram problemas filosóficos são agora problemas que dizem respeito a todos (...) confrontam–nos diretamente com perguntas referentes ao livre–arbítrio, à ideia de natureza e do ser natural e à identidade pessoal (...) certas perguntas - tais como o que é a dignidade humana, onde fica a responsabilidade moral, e outras similares – que tradicionalmente, eram indagações filosóficas. (ŽIŽEK, 2006, p. 70)
Preocupações como o livre-arbítrio em uma sociedade dominada por uma comunicação complexa de diversos aparelhos criados para facilitar a circulação de mensagens entre pessoas e, ao mesmo tempo, orientá-las nas ações cotidianas. Neste sentido, surge uma atmosfera de dúvidas e incertezas quanto ao caminho que devemos seguir frente a inúmeras sugestões proporcionadas por uma teia de saberes, advindas das novas tecnologias.            Desse modo, temos o encontro de uma herança baseada na visão positivista do progresso linear, que carrega uma ótica cultural evolucionista, cuja leitura de épocas passadas ou fatos também foram, em sua maioria, frutos desta visão de linearidades, cujas interpretações apontavam direções com bases em etapas anteriores. Segundo Gruzinski:
A complexidade desses fenômenos adapta-se mal a uma herança positivista que alimenta uma visão do tempo baseada na linearidade. A noção de cultura nasceu numa ótica evolucionista, que por muito tempo impregnou a história. Com frequência os historiadores tenderam a ler as épocas passadas como fruto de um movimento linear, de uma evolução, até mesmo de uma progressão ou de um progresso. Como se, a cada vez, uma nova etapa devesse supostamente desenvolver forças que estariam contidas, em gestação, nas etapas anteriores (...) esse tempo linear carrega a sempiterna questão das origens, que, por sua vez, implica a ideia de uma autenticidade ou de uma pureza passada a ser reencontrada. (GRUZINSKI, 2001, p. 58)
E com orientações nos supostos sucessos de etapas obtidas anteriormente, prosseguiam-se com apontamentos de direções futuras. Assim, a presença de determinados valores orientavam, dentro de uma suposta linearidade que deveria ser construída com base em certas origens ou purezas a serem novamente buscadas.
    Todas essas orientações de direções organizadas linearmente pelas sociedades foram sacudidas com os avanços da comunicação nas décadas finais do século XX e início deste século. As novas tecnologias fizeram com que o mercado se transformasse em mediador das demandas políticas e culturais a partir das mídias, que criaram novos modos de percepções, sensibilidades, linguagens e escritas. De acordo com Barbero[3], as novas tecnologias provocaram certo embaraço nas fronteiras entre razão e imaginação:
O que estamos tentados a pensar seria que de um lado, temos a hegemonia de uma comunicação de mercado sobre a sociedade: a comunicação convertida no motor mais eficaz para soltar a inserção das culturas – étnicas-nacionais e locais – em espaço/tempo do mercado e das tecnologias globalizadas. Pois o que é fatalismo tecnológico acaba legitimando a onipresença mediadora do mercado. E com ela a perversão do sentido das demandas políticas e culturais que encontram de algum modo expressão nos meios de comunicação, depois deslegitimarem de qualquer questionamento de ordem social sobre mercado e das tecnologias que oferecem formas (...) pois a tecnologia absorve hoje não só as novas máquinas ou aparatos dos novos modos de percepção e de linguagem, até novas sensibilidades e escritas. Radicalizando a experiência de desarranjo produzida pela modernidade, a tecnologia desloca os saberes modificando tanto o estatuto cognitivo quanto o institucional das condições do saber e das figuras da razão, o que conduz a um forte borrão das fronteiras entre razão e imaginação, natural e artificial, arte e ciência, saber e experiência profana. (MARTÍN-BARBERO, 2002, p. 32-33)
De outro lado, os seres humanos, que foram capacitados com certa autonomia para conduzirem suas vidas durante a evolução biológica, mas que, para buscar soluções que pudessem aliviar o esforço físico e ainda produzir mais, inventaram máquinas que, ao longo do tempo, ganharam cada vez mais autonomia, dando liberdade aos homens, principalmente em trabalhos pesados e perigosos, e, ao mesmo tempo, facilitando a comunicação entre pessoas ao eliminar as barreiras físicas.
    Todas essas facilidades não deixaram de trazer outras implicações, dentre elas, a dependência homem–máquina. Tal ferramenta evoluiu e continua a se desenvolver nas sociedades de hoje, mesclando-se cada vez mais com outros campos da pesquisa tecnológica: robótica, cibernética, biogenética e outras. Sobre a evolução das máquinas e a evolução biológica humana, ficamos com a seguinte análise de Morin:
A história das máquinas é a da autonomia crescente delas. Pode–se comparar a evolução do maquinismo com a evolução biológica, mas a primeira diferença consiste em que, para as máquinas, o demiurgo é muito nitidamente identificado: a trindade humana.
Outra diferença é que a vida se desenvolveu a partir de uma autonomia primeira. O desenvolvimento das máquinas partiu de uma dependência total, a do instrumento. A história humana gerou máquinas relativamente autônomas, a fim de aumentar-lhes a utilidade, aliviando o homem do trabalho. A autonomia delas deu, recentemente, um grande salto evolutivo, com os nascimentos, quase simultâneos, seguidos imediatamente por uma conjugação, da teoria da informação, da cibernética e do computador. Os progressos dos computadores tornam as máquinas cada vez mais capazes de autocomportar-se e de autopilotar-se, a partir, claro, de programas estabelecidos pelos seres humanos. (MORIN, 2007, p. 245)
A direção apontada pelas máquinas, segundo Morin, estabelece-se em duas fronteiras, sendo uma delas o caminho da inteligência artificial, estudos e pesquisas que já desenvolveram computadores capazes, em alguns aspectos, principalmente na velocidade de cálculos, de superar o cérebro humano. De outro lado, as máquinas assinalam-se na direção da auto-organização, isto é, da autonomia em relação à produção da própria energia que as alimenta:
A evolução das maquinas segue em duas direções.
A primeira é a do desenvolvimento da inteligência artificial. Programas capazes de evoluir e de complexificar-se em função da experiência estão em estudo, assim como computadores “neuronais”, próximos do cérebro pela complexidade, mas superiores em poder de cálculo (...) A segunda direção é a da auto-organização das maquinas. Estão em teste autômatos que se alimentariam de energia por si mesmos, adquirindo assim uma nova autonomia. (MORIN, 2007, p. 245-246)
Neste sentido, temos uma direção que nos atrai para a produção, no futuro, de máquinas que possam cada vez mais imitar a ação humana e talvez, em algum sentido, produzir com mais qualidade novas ferramentas e serviços. E ainda, no mesmo rumo, a ideia de que as máquinas do futuro poderão ganhar autonomia e se libertarem, sendo capazes de auto-alimentação.







[1]  Campbell, Mitologia Ocidental, p. 419.
[2] Žižek, Arriscar o Impossível, p. 69.
[3] Lo que estamos intentando pensar entonces es, de um lado, la hegemonia comunicacional del mercado em la sociedade: La comunicación convertida en el más eficaz motor del desenganche e inserción de las culturas – étnicas, nacionales o locales – en el espacio/tempo del mercado y las tecnologías globales. Pueslo que el fatalismo tecnológico acaba legitimando es la omnipresencia mediadora  del mercado. Y con ella la perversión del sentido de las demandas políticas y cuturales que encuentran de algún modo expresión em los médios, además de  la deslegitimación de cualquier cuestionamiento de un orden social al que solo el mercado e las tecnlogías permitirían darse forma. (...) pues la tecnologia remite hoy no a nuevas máquinas o aparatos sino a nuevos modos de percepción y de lenguage, a nuevas sensibilidades y escrituras. Radicalizando la experiência de des-anclaje producida por la modernidade, la tecnologia deslocaliza los saberes modificando tanto el estatuto cognitivo como institucional de las  condiciones del saber y las figuras de la razón, lo que está conduciendo a um fuerte emborronamiento de las fronteras entre razón e imagición, saber e información, naturaleza y artificio, arte y ciência, saber experto y experiencia profana. (MARTÍN-BARBERO, 2002, p.32-33). 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Pássaros Raros em regiões urbanas

Como apreciador de pássaros que ainda sobrevivem em áreas verdes próximas dos centros urbanos, observei  algumas aves lindas, e que devem desaparecer nos próximos anos devido a urbanização sem planejamento, destruição das áreas verdes e poluição dos rios urbanos com plantações de cana de açúcar e eucaliptos em grandes áreas.   

Observado em Botucatu sp  Saíra amartelo

Observado em Botucatu sp Saíra verde

Observado em Botucatu sp  Saíra Andorinha

Observado em Botucatu Saíra amarelo

Observado em Botucatu sp

Observado em Serra do Salitre MG    Coleirinha Macho

Observado em Botucatu sp   Saíra andorinha

Observado em Botucatu sp

Observado em Serra do Salitre MG  Tesourinha do campo

Observado em Serra do Salitre MG

Observado em Botucatu sp

Observado em Botucatu sp  Coleirinha fêmea

Observado em Santa Fé sp

Mais aves em minha lente no link abaixo


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma leitura de porta do século XIX no Brasil

Joaquim Luiz Nogueira
Foi numa visita a fazenda Ipanema em Iperó  que me deparei com uma porta interessante, nela algumas frases que fazem sentido para compreendermos o Brasil. Logo no topo, abaixo do arco preenchido por desenhos na ferragem em formas de curvas, temos nosso olhar desviado para o vácuo da escuridão solitária do prédio, isto é, o vazio sem resposta. 

Logo abaixo podemos ler “Restauração da Fábrica de Ferro de São João de Ypanema Regência do Império” Sob o enquadramento floral, semelhante a Art Nouveau que mais tarde no final do século iria invadir os palacetes deste pais, temos os nomes das excelências, escritos para permanecer na História. 



As datas estão confusas, pois o ano desta restauração que consta na porta é 1834, enquanto, o chamado golpe da maioridade, que levou o menino imperador ao poder foi 1840. Na imagem abaixo, temos o típico desenho da Art Nouveau, com um rosto (supostamente do menino D. Pedro II) envolvido nos arranjos florais.

 

O rosto posicionado como figura central da porta tem logo abaixo a confirmação de sua importância na frase “ D. Pedro II Imperador Constitucional e Perpétuo Defençor do Brazil”. Portanto, a porta registra o interesse da fábrica de ferro na defesa do Menino Imperador como o perpétuo defensor do Brasil, crença de cunho monarquico e herança do Absolutismo, quando alguns reis na Europa ganharam status próximo a deuses junto ao povo.


  A imagem abaixo mostra um ritual de vassalagem, muito comum na Europa Feudal, quando senhores e cavaleiros faziam algum acordo ou negócio, sendo este selado por um aperto de mãos e tapinhas nas costas. No caso acima da Fábrica de Ferro, o símbolo das mãos significava que havia um acordo entre “nobres” brasileiros.  



 E a seguir, a homenagem de aclamação da maioridade do Imperador de 23 de julho de 1840 e “coroação do mesmo Augusto do Senhor em 18 de julho de 1841”. O título de Augusto do Senhor é uma mescla de poderes dos Imperadores Romanos com a crença de reis coroados com a benção de Deus pelos papas medievais.
 

E para finalizar a porta,e o acordo firmado entre cavaleiros, temos o registro de nomes de homens da guerra e o representante da Província. O ministro e secretário de “Estado dos Negócios da Guerra” que no final do quadro cita também o “Director Bloem” referindo se provavelmente ao Major Johann Bloem, diretor-geral das Usinas Siderúrgicas do Império do Brasil. 




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dom Quixote e o professor: uma missão fora do tempo

Foi então que se depararam: o professor e mais 30 ou 40 alunos em uma sala de aula, todos retidos por abandono no ano anterior da 1ª série do Ensino Médio. Ao vê-los, disse o mestre ao seu superior imediato:

_ Ali estão, Senhor, trinta desaforados dos grandes, ou pouco mais, aos quais vou trabalhar tentando lhes ensinar. Tomarei deles as lições e começaremos aprender juntos.

_ Que alunos? _ indagou o superior imediato.

_ Aqueles que estão ali, todos ávidos pelo saber.

_ Veja bem, caro professor, aquilo não são alunos desaforados e sim, estudantes com muitas dificuldades de aprendizagem. E o que você pensa ser fácil, na verdade são alunos com problemas diversos.

_ Já se vê que não és versado nestas aventuras _ disse o professor _ Esses na sala de aula são grandes potenciais e, se está com medo, afasta-te e te põe a rezar, enquanto travo com eles uma discussão fervorosa sobre o saber.

Mal disse isto, pegou seus livros, apagador e giz e, de mapa na mão, caminhou em direção aos supostos desaforados, conclamando-os a não saírem da sala. Como era início de período, uma grande quantidade de alunos se movia nos corredores. Evocando seu diploma, o professor precipitou-se em direção aos alunos e bateu seu apagador na lousa que o som foi longe: o pó se espalhou e o giz de sua mão dividiu-se em pedaços que caiu ao chão aos trambolhões. O superior imediato, que estava no corredor, correu acudi-lo mas, ao aproximar-se, viu que ele não podia nem se mover, tamanho havia sido o golpe na lousa em busca de atenção dos alunos.

_ Não disse a você que não era fácil trabalhar com eles _ falou o superior imediato.

Ao que o professor retorquiu:

_ Cala-te, senhor, pois ignoras que as coisas do ensino, mais que as outras, estão sujeitas a contínuas mudanças. Com certeza, foram outros professores que transformaram esses alunos em repetentes só para me desmoralizar.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A teoria da cobra Sucuri


Joaquim Luiz Nogueira

Após um dia de trabalho com jornada de gestor e professor, cheguei em casa por volta das 23 horas e como a mente ainda estava perturbada com problemas de escola, enquanto tentava apagar os acontecimentos do dia, comendo algumas frutas retidas da fruteira, liguei a televisão e me sentei no sofá. Surgiu na tela um documentário sobre cobras venenosas, que neste momento falava sobre a cobra sucuri na região amazônica.
Neste momento, o aventureiro e especialista em cobras buscava mostrar a captura de uma cobra desta espécie, que tivesse como medida mais de 6 metros. E depois de capturar várias sucuris pequenas que não passavam de 4 metros e meio, alguém disse para ele que nas regiões do alto amazonas, ele poderia encontrar as grandes cobras pretendidas.
Desse modo, ao se deslocar para a região indicada, o aventureiro busca outros especialistas para fazer a seguinte pergunta: porque com tantas cobras sucuris já encontradas no Baixo Amazonas e com idades de 20 anos ou mais, questiona o aventureiro, elas não crescem mais e por quê?
A resposta foi filosófica, pois segundo o especialista, as sucuris do Baixo Amazonas não crescem até atingir 6 metros ou mais porque a sua alimentação é farta e no tamanho que não necessita crescer mais do que 5 metros para engolir. No entanto, no alto Amazonas, a comida é mais escassa e os animais que fazem parte do cardápio são maiores, o que necessita crescer mais para engolir.
E isso explica como funciona a natureza, se o alimento chega a sua mesa com facilidade, não há necessidade de esforço para evoluir.  O contrário, se o alimento está difícil, a natureza cobra evolução e esforço. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Na web, anúncio ‘persegue’ usuário

Tecnologias identificam perfil do consumidor para exibir publicidade dirigida.

Você entra em um site de comércio eletrônico pensando em adquirir um produto – uma camisa, por exemplo. Mas por algum motivo, desiste da compra e abandona a loja on-line. Horas mais tarde, enquanto navega em um site completamente diferente, aparece na página o anúncio da camisa. Você se surpreende com a aparente coincidência – e ficará ainda mais surpreso nos próximos dias, quando o anúncio voltar à sua tela inúmeras vezes, em sites variados, enquanto você confere a previsão do tempo ou revê os gols do seu time.
Esse é só um exemplo do que são capazes as novas ferramentas tecnológicas orientadas ao marketing – softwares que analisam o perfil do consumidor e usam seu histórico de navegação na tentativa de exibir aquilo que ele estaria mais interessado em consumir. Em boa parte dos casos, não há nenhuma pessoa por trás desses movimentos. O aparato é executado automaticamente por computadores, em operações de compra e venda de anúncios que lembram o frenesi do mercado financeiro.
Os programas fazem sucesso entre agências de publicidade, mas são concebidos nos laboratórios das empresas de tecnologia. “É um mundo muito mais de engenheiros do que de publicitários”, diz Marcelo Lobianco, vice-presidente executivo do Interactive Advertising Bureau (IAB), uma das principais organizações internacionais de mídia digital.
À medida que a internet crescia e ficava mais complexa – hoje, dois bilhões de pessoas acessam a web de PCs, tablets e celulares no mundo – ficou claro que a cadeia da publicidade tradicional, formado por anunciantes, agências e meios de comunicação, não era mais suficiente para compreender e satisfazer os anseios do consumidor, diz Alessandro Gil, diretor da Rakuten Marketing, divisão do grupo japonês de comércio eletrônico voltada à publicidade na internet. Era preciso recorrer aos grupos de tecnologia para criar softwares capazes de tornar o processo de compra mais eficiente.
O resultado dessa tendência, que ganhou força nos últimos três anos, é que a cadeia da publicidade passou a ter mais de 20 elos diferentes, com os personagens tradicionais passando a conviver mais com companhias que capturam de dados do internauta, traçam padrões e perfis, ou compram e vendem espaço digital, entre outras.
São três os elementos básicos na composição dos programas: o uso de dados coletados dos computadores, ou “cookies”, que fornecem informações sobre o comportamento do internauta; as fórmulas matemáticas, ou algoritmos, que fazem a análise das informações, e os sistemas de correlação entre diferentes fontes de informação.
A empresa brasileira Adtrade foi criada há quatro meses para vender anúncios em tempo real, o chamado “real time biding” (RTB). Quando um internauta acessa um portal, a página envia para a Adtrade informações sobre os espaços disponíveis para anúncios e o perfil de quem está na página. Os sistemas checam se algum anunciante tem interesse no site, sob aquele perfil de consumidor, e faz um leilão virtual do espaço. O anunciante que der o lance mais alto exibe seu anúncio. Tudo é feito automaticamente, em uma fração de segundos, milhares de vezes por dia.
A Adtrade foi fundada com recursos do fundo alemão Project-A, que investe em companhias de internet quando elas ainda são apenas ideias. O valor do aporte não é revelado. O projeto foi desenvolvido por Fernando Galender e Robson Del Fiol, de 28 e 32 anos, ambos com experiência na área de sistemas de análise de dados. Nenhum dos dois sócios passou por agências de publicidade.
Segundo Del Fiol, os alvos da Adtrade são empresas de comércio eletrônico de pequeno e médio portes, fornecedores de serviços on-line e companhias que vendem para outras empresas. “O RTB representa cerca de 1% da publicidade feita em banners e outros elementos gráficos na internet no Brasil. Há um potencial muito grande a explorar”, diz Galender.
No Brasil, a publicidade on-line tem avançado nos últimos anos, mas ainda enfrenta resistência. Diferentemente da Europa e dos Estados Unidos, no país as agências publicitárias são responsáveis pela compra de espaço para anúncios, o chamado bônus de veiculação, ou BV. Na publicidade digital, o pagamento de BV tem um apelo menor, já que a compra de espaço geralmente é feita por meio de pregões virtuais. A expectativa de especialistas é que a internet ainda levará alguns anos para alcançar uma fatia relevante do mercado brasileiro. No ano passado, o movimento da publicidade na web foi de R$ 4,5 bilhões, o equivalente entre 10% e 12% do mercado total, segundo o IAB. A projeção para este ano é de R$ 6 bilhões.
Enquanto o mercado se acomoda, empresas como a Tail Target, criada há dois anos para criar perfis de internautas e vendê-los aos anunciantes, já sonham com mercados internacionais. “Nada impede que eu expanda minha atuação para a América Latina, por exemplo. Trata-se de um jogo global, que se baseia no volume, na escala”, diz Cristiano Nóbrega, cofundador da companhia. A Tail Target está em busca de investidores para acelerar seu crescimento.
Segundo Fernando Tassinari, diretor de vendas para América Latina da Turn, companhia americana que opera nos mesmos moldes da Tail Target, uma das vantagens do modelo é o baixo custo operacional. Quase 80% do trabalho é feito de forma automatizada. A interferência humana é necessária apenas para tomar decisões como a necessidade de o anunciante redirecionar seus investimentos em um determinado site depois que uma campanha publicitária entra no ar.
A sofisticação tecnológica empregada pela publicidade na internet levanta uma questão importante: a privacidade do internauta. As empresas do setor afirmam que o usuário não é identificado diretamente pelas informações coletadas de seu PC. Ou seja, sabe-se qual o hábito de consumo de uma pessoa, mas não quem ela é. Mesmo assim, reconhecem os executivos do setor, ainda é preciso discutir regras mais claras para definir limites éticos.
Enquanto isso, o internauta pode se precaver. Uma sugestão é desabilitar a opção de salvar cookies no navegador de internet. Outra é solicitar a empresas como a TailTarget e a Turn que não rastreiem suas máquinas. Não é um expediente fácil. Em tese, o consumidor precisaria bater em várias portas para evitar a prática, mas, segundo as companhias, os pedidos são sempre atendidos.

domingo, 3 de novembro de 2013

São Manuel no olhar de um historiador

Em 03 de Novembro visitei a cidade de São  Manuel (SP) próximo de Botucatu e conta com uma arquitetura  histórica do início do século XX.