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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Currículo Oculto e tragédia na Educação Pública.



Joaquim Luiz Nogueira 


Diante da política pública federal e estadual para educação pública no Brasil nos últimos anos, o ensino básico e os prédios escolares foram negligenciados para uma sobrevivência com poucos recursos, sem manutenção, sem funcionários ou novos concursos, salários defasados entre outros.

Os poucos profissionais que ainda estão nas redes públicas, esgotados e abandonados, considerados como culpados pelo fracasso pela não aprendizagem dos estudantes e tendo que fazer ações para reverter uma situação criada pela política pública de fabricação de resultados por meio de plataformas e sistemas, começaram uma ação de forma individualizada, no sentido de apoiar as iniciativas das políticas estatais, já que são obrigados a acreditarem e cumprirem as determinações advindas dos superiores, porém, sabem que na prática, não funcionam.

Outros profissionais da educação foram acolhidos por licenças médicas anuais, alguns revezam entre tentar trabalhar e fisioterapias, consultas, dentistas, doação de sangue, abonadas, faltas justificadas entre outras. Aqueles que permanecem sozinhos nas salas de aulas, com alunos indisciplinados, faltosos, agressivos, drogados, semialfabetizados, fora da idade para série/ano, famintos, liberdade assistida, adolescentes grávidas e familiares desajustados e violentos estão trabalhando no limite.

Até quando, o sistema comandado por máquinas ou MATRIX irá segurar esta situação sem revolução, saques, revoltas, criminalidade excessiva, roubos, zumbis, população de rua, desempregados, falta de mão de obra qualificada e tantas outras coisas que derivam desta fonte construída por políticas governamentais que agradam o topo do sistema capitalista nacional e internacional.

O fato de ignorar o que acontece nas escolas públicas e jogar com a propaganda de escolas bonitas, eficientes e colaborativas, não vai ajudar em nada. Cada vez mais, um exercito de jovens desqualificados, despreparados, desajustados serão lançados na sociedade, isto é, mais violência, mais crime, mais fome, mais revolta e mais desemprego.

Talvez, os governantes deveriam reconhecer o erro desta política dos últimos anos na educação dos jovens pobres e parar de querer culpar os professores pela não aprendizagem. Que tal enxergar a matéria prima que temos nas escolas públicas? Já seria um começo. É fácil julgar as deficiências da escola, sem conhecer o público e a realidade da clientela dos prédios públicos.  Fazer teoria de gabinete, visando economia da máquina estatal, sem pensar nas consequências derivadas desta política tem preço elevado para pagar em longo prazo.  

A Revolução é silenciosa e lenta, porém depois de vários anos de incentivos legais para não reprovar na escola pública, os jovens que não sabem que não aprenderam o suficiente, são empurrados para um mercado competitivo, cujos melhores empregos acabam nas mãos daqueles que aprenderam em escolas particulares. A grande massa passa a formar uma espécie de indivíduos sem criticidade, sendo assim, manobrados e controlados por grupos, gangues, mídias, traficantes, torcidas organizadas, igrejas, políticos e outros.

A grande massa permanecendo sem emprego digno, na informalidade ou no empreendedorismo, começam a se comunicar por códigos, gritos, grunhidos, figurinhas de internet, gravações de voz, letras de músicas populares, gestos, desenhos no corpo, gírias, hábitos, palavrões, danças, entre outras linguagens. A Internet se encarrega de produzir e transmitir esta nova linguagem destinada a uma comunicação de fácil entendimento, principalmente para gerar conflitos, violência, ódio e descontrole social.

As mídias, o capital e os políticos, todos lutam para engajamento nesta nova forma de comunicação, pois desejam liderar a massa rumos aos interesses de seus empreendimentos: telespectadores, consumo e eleitores.  A educação pública também busca o domínio desta nova forma de comunicação e para isso, os professores devem aprender a linguagem dos códigos usados pelos estudantes, contagio que leva também ao aprendizado de hábitos não convencionais para resolução de problemas: gritos, gírias, grunhidos, respostas automáticas, manobras, espertezas, jeitinhos, entre outros.

Os pais e responsáveis pelos estudantes também aprenderam esta nova forma de comunicação com os filhos e seus pontos de vistas são semelhantes aos menores. Trata-se de uma grande represa de lama tóxica, com vários sinais de que pode romper a barreira a qualquer momento, ou seja, toda escola pública pode ser vista como tragédia anunciada, basta observar os diversos elementos que constitui sua comunidade.

Se os gestores das escolas públicas não reconhecerem o potencial aprisionado em seus interiores, podem iniciar a explosão a qualquer momento, pois, os elementos diversos acolhidos pelas escolas públicas, sem nenhum critério de matricula para aluno, sem estrutura de funcionários, segurança ou professores, logo, a tragédia torna-se questão de tempo.
Depois das tragédias, as escolas recebem apoio das mídias, das empresas e até dos governantes. O prédio pode ser reformado, os ambientes tornam se adequados e até contratam segurança.  

terça-feira, 28 de maio de 2019

Identidade pessoal ou projeto de vida na esfera privada e pública


Este artigo busca o sentido daquilo que entendemos por projeto de vida, segundo cada época histórica e de onde surge os valores que aos poucos são incorporados nos indivíduos. A relação entre os valores particulares e os coletivos, que em dadas circunstâncias políticas e econômicas oferecidas pelo mercado, fazem brotar nos espaços de fora do universo do trabalho e da política, iniciativas que são incorporadas pelas empresas e instituições educacionais.  
Joaquim Luiz Nogueira


A conquista do espaço doméstico e a separação em lares burgueses e populares na primeira metade do século XX na França mostra as transformações na esfera da vida privada das pessoas. “O século XX é o século da conquista do espaço (,..) o espaço doméstico necessário  para a plena realização da vida privada” (PROST in DUBY, 2010 p.62).  
Nesta primeira metade do século XX, os pais e os filhos viviam todos os atos da vida cotidiana as claras, ou seja, era impossível esconder algo da família, não havia muitas possibilidades para o isolamento dentro de uma residência desta época ”Da mesma forma, nunca se dormia sozinho: sempre várias pessoas dormiam no mesmo aposento, e amiúde na mesma cama” (PROST in DUBY, 2010 p.72). 
Os objetos das pessoas tidos como privados, eram raros, sendo a maioria deles de valor simbólico, recebidos como presentes dos pais: “uma faca, um cachimbo, um rosário, um relógio, uma joia, uma bolsinha de toalete ou de costura” (PROST in DUBY, 2010 p.73). Quanto aos mistérios das pessoas, Prost, nos informa que

(...) a vida privada se refugiava nos segredos, coisas silenciadas, inclusive aos filhos. Segredos pessoais: sonhos, desejos, temores, saudades, pensamentos efêmeros ou constantes, mas geralmente informulados. Estes eram confidenciados ao médico, ao tabelião e ao padre (PROST in DUBY, 2010 p.73).

Aos poucos, a vida privada das pessoas começa a ficar mais ampla, assim, que surgem as profissões, momento em que se divide em três partes: vida profissional ou pública, a vida familiar e a vida pessoal. O espaço doméstico se transforma para se configurar com novos contextos e temos mudanças nas figuras de poder: “a vida privada se viu praticamente presa ao controle da coletividade” (PROST in DUBY, 2010 p.77).
As residências ganham o muro, espécie de privilégio de algumas famílias para o controle rigoroso “o marido era o chefe da família; a mulher casada precisava ter sua autorização por escrito para abrir uma conta no banco ou para administrar seus próprios bens” (PROST in DUBY, 2010 p.77). Neste contexto, o indivíduo valia pela família e o poder dos pais sobre os filhos eram inquestionáveis:

(...) os filhos não tinham qualquer direito a uma vida privada. O tempo livre deles não lhes pertencia: cabia aos pais, que os encarregavam de mil tarefas. Eles vigiavam minuciosamente as relações de seus filhos e mostravam uma grande reticência quanto as amizades extrafamiliares (PROST in DUBY, 2010 p.79).
                                                                                                                                                         Nas famílias burguesas, essas práticas educacionais segundo Prost, davam aos pais o poder de decidir sobre o futuro dos filhos. Portanto, entre as famílias populares os filhos passam a escolher o ofício e os pais os colocavam nas instituições como aprendizes.  Antes, esse aprendizado se dava dentro da família, sendo esta, a célula base da sociedade, regida por normas. Esses valores quase desaparecem após a transferência do trabalho produtivo da família ser deslocado para fora do âmbito familiar.
Nesta fase, os pais passam a ser menos autoritários e não impõem aos filhos o controle rigoroso de antes, quando a necessidade de produzir em família fazia as leis, as tarefas e as normas. E nesta liberalização, as famílias transferem para a escola o aprendizado da vida em sociedade. De acordo com Prost, a escola recebe a incumbência de ensinar os filhos a respeitar as obrigações do tempo e do espaço.
Neste momento, os filhos passam a formar suas próprias relações como grupos de amigos e começam a surgir outros centros de vida privada para concorrer com a família, por exemplo, os internatos e os grupos de escoteiros. Tais necessidades sociais, derivam do universo de trabalho dos pais.
Segundo Prost, após a Segunda Guerra Mundial, os pais reconhecem que cabe aos filhos escolherem o futuro deles e a família, deixa de ser uma instituição para se tornar um simples ponto de encontro de vidas privadas. Temos então um contrate, de um lado se encontra os valores ligados a profissão, a fortuna e as qualidades morais dos pais e do outro, as inclinações estéticas e psicológicas que influenciam nas decisões.     
Para Prost, este é o momento que o casamento também deixa de ser uma instituição para ser uma formalidade e os jovens ganham independência dentro da família e podem sair de casa sem o casamento ou até morar com uma companheira sem casar. “Então se multiplicam os casais de jovem não casados, numa relação de coabitação juvenil” (PROST in DUBY, 2010 p.91).
O casal não é mais a norma exclusiva para criar filhos, sendo assim, transfere-se o espaço domestico com a socialização do trabalho, que por sua vez reduzem as tarefas ou obrigações cotidianas. O individuo passa a frente da família, e esta, agora se torna apenas uma reunião de indivíduos, cada um com sua vida particular. Prost chama de “individuo – rei” e começa o culto do corpo.
No início, temos o corpo    para as necessidades do trabalho: servo, robusto e fiel a labuta diária. O emprego exigia força física, vigor e resistência. Já na classe da burguesia, a vida estética e de representação ganha espaço na sociedade. A relação entre o físico e as roupas ganham mercado, pois as mulheres tinham que manter-se atraentes aos seus maridos.
A sociedade de consumo arrasta as pessoas para as práticas físicas e vestuários esportivos. A cultura física dos trajes de banho e das quadras de tênis, a dança e a ginastica retratam períodos de prosperidade dos centros sociais e clubes urbanos.
Os esportes enfatizam o esforço, o jogo e o prazer do corpo, assim como, o cuidado do corpo. Este prazer se une a higiene do corpo, pois, ser esportista, passa a ser uma forma de sintonia com seu tempo. Os hábitos modificam a relação do individuo consigo mesmo e com os outros, surge a preocupação com a aparência, o bem-estar e a autorrealização pessoal – “sentir -se bem na própria pele” (PROST in DUBY, 2010 p.102).   
Período em que as pessoas curtem as músicas e dançam sozinhas, eventualmente sem parceiro (Discotecas) A moda ganha as minissaias, bermudas e as camisas abertas. “ a evolução da dança traduz essa  bem essa novidade” (PROST in DUBY, 2010 p.103). O corpo se tornou   lugar   da identidade pessoal, sentir vergonha do corpo ou aceitar pensamentos, sentimentos, sonhos e nostalgias como elementos impostos de fora do indivíduo. Criam -se máscaras e personagens que vão além das ideias e convicções.  De acordo com Prost, a vida social não é mais constituída pelo trabalho, negócios, política ou religião. Ela é formada dos valores das férias, do corpo livre e realizado.
   As normas da vida social ditam a aparência jovem e a personalidade se confunde com o corpo. Necessidade de continuar a ser jovem e não adoecer. A expectativa de vida aumenta e o viver torna-se um direito de todos. O hospital torna-se segundo Prost, o templo da medicina – único lugar que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira científica. “Patenteia o desejo de viver situações intensas e a conversa de um médico com seu paciente é uma realidade e uma ideologia” (PROST in DUBY, 2010 p.110).
Agora, as pessoas nascem e morrem num hospital, isto é, uma existência ligada à vida e a identidade, pois, a retirada do âmbito familiar e do quadro doméstico, transfere-se para o cenário asséptico e funcional, tornando se o anônimo do hospital.
De forma muito diferente, o bairro onde o individuo vive, ele se aufere em proveito da vizinhança de que quem ele recebe, sorrisos, saudações, cumprimentos e troca de palavras. É a sensação de existir, ser conhecido, reconhecido, apreciado e estimado e em troca, apenas tem de respeitar as regras do bairro.
Na urbanização, segundo Prost, a semelhanças gera o anonimato e a extrema pobreza das relações sociais, pois as pessoas passam a fazer o que bem se entende. De acordo com pesquisa na França de 1975, afirma Prost, que para 73% dos jovens, a primeira qualidade de um trabalho era a de estar adaptado a seus gostos pessoais.
O trabalho para tais jovens significava uma expectativa da vontade de realização pessoal por meio do emprego. Prost nos fala que se tratava de jovens pouco qualificados, que contestavam por meio do comportamento, o caráter funcional e formal da organização da empresa. Para eles não existiam relações de trabalho, apenas relações.
Os interesses particulares eram exigências desejadas para estarem dentro das tarefas a serem realizadas no emprego “Eles reivindicavam direitos da vida privada no interior do trabalho. Havia uma recusa das condições de trabalho impostas pela introdução da informática” (PROST in DUBY, 2010 p.130).
Na luta entre interesses particulares no trabalho e as tendências do mercado de consumo, faz entrar em cena “Os novos métodos de organização que tentam devolver a autonomia a coletivos de trabalho (...) e incentivar a solidariedade de grupo ((PROST in DUBY, 2010 p.132).
As empresas são questionadas frente as demandas de mercado, que em nome da qualidade e de falta de dinamismo, segundo Prost, encontra se paralisadas pelo formalismo. E nesta fase, deve se incluir valores da vida privada dos indivíduos para quebrar as hierarquias que ainda comandavam após a Segunda Guerra Mundial nas organizações.
Para a nova demanda se fala em “papel social” e num estilo “menos rígido” ou menos formal, dando maior margem de autonomia aos participantes do processo de trabalho, assim, a organização teria mais eficácia. O cenário ganha a “liderança democrática” como vocabulário da empresa, seguindo a frase: “o chefe manda, o líder mobiliza colaboradores” (PROST in DUBY, 2010 p.132).
Em nome da eficácia, as “relações interpessoais” passam para a pauta do cotidiano das empresas, cuja ideia era de influenciar com a inclusão de novas relações de trabalho, trazidas do cotidiano dos trabalhadores. Esta nova metodologia atinge as grandes empresas e o setor de serviços, uma espécie de “reciclagem” dos funcionários ou formação de pessoal.
Esta evolução das práticas e das mentalidades com origem no cotidiano, modifica o estilo de autoridade “o chefe aperta a mão dos operários (...) é preciso ser gentil com o operário” (PROST in DUBY, 2010 p.133).Esta transformação vem com os acontecimento da França de 1968, quando a massa se apossa do direito de reivindicar a palavra “os estudantes dão exemplo, contestando a autoridade pedagógica dos professores” (PROST in DUBY, 2010 p.134).
Prost explica que o saber no qual se funda a autoridade do professor não basta mais para protegê-lo, ele passa a fazer parte de uma ordem abstrata, impessoal, sem nenhuma relação com os interesses dos indivíduos, que se transformaram em uma necessidade do coletivo. Os estudantes passam a falar na primeira pessoa e a “tomar partido (...) e dizer o que pensa (...) rasgam os papéis sociais” (PROST in DUBY, 2010 p.134).
As ideias trazidas pelo ano de 1968, influenciadas pela onda do pensamento socialista, que abordava a liberdade no sentido libertário da frase “é proibido proibir” e segundo Prost, todos tomam a palavra e esperam ser ouvidos em um desejo de reconstrução das relações públicas do trabalho, ou seja, incluindo normas de interesse particular, estabelecida entre indivíduos.
Nesta fase, as organizações empresariais começam a trabalhar com os valores humanos, tais como generosidade, amizade, solidariedade. “não se diz mais Senhor, diz se você” (PROST in DUBY, 2010 p.134). As pessoas passaram a descobrir uma as outras e se conhecerem, numa tentativa de diminuir o anonimato dos indivíduos.
Surge o termo “autogestão” nas organizações pós 1968, os indivíduos se envolvem mais na empresa e ao incluir valores cotidianos, contrastam-se com os objetivos da empresa. Para Prost, a liberdade individual e a vontade de não se alienar incorpora no universo do trabalho e da política, que por sua vez, obedece a pressões de mercado e não do próprio do indivíduo. 
Nesta fase, de acordo com Prost, o que é posto em questão é o conjunto de “papéis sociais” , já que a vida pública anterior atribuía ao indivíduo uma posição e uma série de funções que comandavam os papéis a serem desempenhados. Anteriormente, os comportamentos das pessoas eram mais previsíveis pois os contatos e as relações sociais restringiam a espontaneidade das pessoas.
Como a evolução política das empresas e do mercado apagam as diferenças de posição  e hierarquia entre as pessoas, a vida coletiva se mostra para revelar o contato iguais das pessoas, todos sendo aceitos em suas particularidades.  É a decadência dos valores do lar e da família para os interesses coletivos das massas que diluem os papéis sociais das funções públicas anteriores.
O novo estado de espírito inaugura o que Prost chamou de “indústria dos encontros”. Agora o sorriso e a desconcentração se convertem em normas. O indivíduo deve se aceitar, ser simpático e participativo, pois o “sério” da vida social do passado foi desqualificado como algo medíocre e o estilo descontraído passa a ser incentivado nos meios de comunicação de massa para utilização dos indivíduos.
O início destes novos valores começou de acordo com Prost, fora do universo do trabalho e da política, foi no espaço privilegiado das férias, dos jogos coletivos e dos clubes sociais. Trata-se do contraste do mundo do trabalho que passaram a formar os novos estilos das relações sociais, as formas de acolhimentos das colônias de férias com abolições de barreiras, hierarquias e posições sociais.
Pregam relações humanas mais verdadeiras e promovem encontros descontraídos que facilitam contatos e afinidades entre as pessoas. Os novos líderes são de perfil animador e permitem a participação de todos, incorporam as qualidades do comediante moderno segundo Prost, capaz de zombar de si mesmo, assim, consegue minar a consistência e a seriedade dos papéis públicos.
A moda e as roupas ajudaram neste processo de desqualificações dos papéis públicos, os vestuários das décadas pós 1968 permitiram uma primeira qualificação social dos indivíduos, isto é, códigos sociais novos que regiam as várias circunstâncias da vida pública. Eram a moda da nova sociedade descontraída com formas reguladoras mais brandas que poderiam garantir segundo Prost, a coesão social.
Para Prost, a ilusão de independência alimentava os indivíduos para um comportamento mais conformista, sustentado por modo de vida consumista que passa a ideia que a pessoa está bem informada. O indivíduo se julga independente para pensar por si mesmo e ilustra suas ideias ao repetir a opinião mais recente que chegou até ele pelos meios de comunicação de massa.







[i] PROST, Antoine. Fronteiras  e espaços  do privado. In DUBY, Georges (org.)  História da vida Privada: da Primeira Guerra aos nossos dias. São Paulo. Companhia das Letras  2010. P. 13 – 154.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pedagogia Reversa


                                                                                                      Joaquim Luiz Nogueira 


Nesta abordagem, chamada de pedagogia reversa ou invertida, muito popular na França (pedagogie inversée) e que no Brasil chega disfarçada nas políticas pedagógicas, mesclada com construtivismo. Segundo esta teoria, não se considera mais a sequência lógica de exercícios ou dos valores culturais, mas o que ganha ênfase mesmo, são as diferenças e as personalizações dos alunos.
Os conteúdos devem ser apresentados de forma diferente aos estudantes e com ritmo personalizado para cada discente, ou seja, mesclando os interesses dos jovens, com aqueles defendidos pelos adultos. A integração do desejo de ambos, constitui o projeto educativo da escola, e é a partir desse encontro que podemos compreender os resultados de cada instituição.
As aprendizagens são mediadas entre a desvalorização e a autovalorização, tendo como ponto de partida as situações problemas e os estudos de casos do cotidiano escolar. Tais elementos tornam-se essenciais para a construção das estruturas e níveis de ensino, assim como também definem as condições, pois, neste contexto, os profissionais devem colocar em prática o conhecimento.
Os problemas, pesquisas e estudos de casos são os elementos que oferecem o modelo da aprendizagem ou da demanda escolar. Tais diagnósticos cobram dos professores a captação sensorial para ouvir os alunos até o uso de ferramentas colaborativas como as virtuais, os avatares, vídeos, apresentações em 3D e outras dimensões tecnológicas, entre elas o celular.
As plataformas digitais, jogos de aprendizagem ou diferentes maneiras de ensinar, assim como as novas formas de valorização das habilidades e competências dos alunos, formam o comportamento dos mesmos. Trata-se de orquestrar essas produções de saberes ou reagrupá-las para que se tornem ferramentas colaborativas nas aulas.
Neste tipo de aprendizagem, o professor age como co-criador ou coautor, sendo o guia do processo social. As descobertas sobre o outro, cobram a colaboração de um ensino integrador, sendo o conteúdo, elemento animador da aprendizagem e o responsável pela interação, no caso, o professor deve promover o conteúdo em sua aula.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O caixa da padaria e o professor no dia de atribuição de aulas



Joaquim Luiz Nogueira 

Se você entrar em uma padaria de uma cidade com alto índice de violência, assim que adentrar no recinto, a primeira pessoa que vai te observar é o caixa, caso você não se movimente diretamente para o balcão de cabeça abaixada, logo, já é suspeito. E o caixa ficará atento a todos os seus gestos.

Se você é professor da rede pública e precisa constituir jornada, no primeiro dia da atribuição ao chegar no recinto, vai logo observar se tem lista de classes com nomes das raridades, caso não consiga visualizar tais informações, as coisas tornam se confusas e o pânico alerta o docente para o perigo de constituir sua jornada com períodos e classes indesejáveis.

Se o suposto cliente da padaria está confuso e começa a visualizar outros espaços do recinto, o caixa levanta a cabeça numa reação de pavor, pois suas experiências traumáticas fazem conexões entre o comportamento do sujeito e de outros elementos durante assaltos anteriores.  

Se o professor está confuso, ele já entra em desespero, pois suas lembranças e traumas dos anos anteriores, voltam de forma instantânea em sua mente. Neste instante, assim como o caixa da padaria, o docente já direciona seu olhar para o responsável pela atribuição, de forma a interrogar sobre o que está acontecendo? O que mudou? Não vou ter aulas?

Ambos, o professor e o caixa da padaria são traumatizados por experiencias anteriores, cujo pânico que carregam com eles, despertam a cada situação estranha, logo, entra em cena o comportamento de vigilância. Portanto, ambiente de padaria e de dia de atribuição exigem muita calma e cuidado com movimentos e respostas bruscas, avisem com antecedência o que pretendem fazer, caso contrário, os traumas podem despertar a fúria.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Conflitos na Escola: a gramática dos conflitos como proposta de socialização.


Joaquim Luiz Nogueira



Segundo o documento: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, 2013, “A escola, face às exigências da Educação Básica, precisa ser reinventada, ou seja, priorizar processos capazes de gerar sujeitos inventivos, participativos, cooperativos, preparados para diversificadas inserções sociais, políticas, culturais, laborais e, ao mesmo tempo, capazes de intervir e problematizar as formas de produção e de vida. A escola tem, diante de si, o desafio de sua própria recriação, pois tudo que a ela se refere constitui-se como invenção: os rituais escolares são invenções de um determinado contexto sociocultural em movimento   
Para a renovação da Teoria Critica defendida pelo discipulo de Habermas, Axel Honneth, pertencente da Escola alemã de Frankfurt, existe “a possibilidade de reatualizar a própria teoria a partir de contextos, pois o homem como um ser em permanente construção” também pode ser reestruturado. De acordo com a teoria de Karl Marx, temos uma tríplice visão do homem: suas raízes se firmam na estrutura econômica, ou seja, nas relações materiais da existência, em segundo, devemos reconhecer o homem como essência determinável em abstrato e em terceiro, como ele  descobre-se em sua relação com o outro.
Para Honneth, a “teoria para explicar a realidade política e social” coloca o homem como ser social, logo, esse tema também envolve o documento do Ministério da Educação que cita: “Construir a qualidade social pressupõe conhecimento dos interesses sociais da comunidade escolar para que seja possível educar e cuidar mediante interação efetivada entre princípios e finalidades educacionais, objetivos, conhecimentos e concepções curriculares” 
Para obter a qualidade social, o trabalho na escola deve reconhecer que “o homem é um ser social, mas está historicamente condicionado pelas relações que mantem com os outros homens e com a natureza e pelas exigências do trabalho produtivo responsável pela sua transformação e seu desenvolvimento”. Neste sentido, a escola prepara seus adolescente e jovens para os princípios e finalidades do mundo do trabalho, pois de acordo com Marx, “somente nas relações de trabalho que o homem se realiza como ser humano.”
Preparar os alunos para o mundo do trabalho e suas exigências implica segundo Marx, reconhecer que é essa relação homem e trabalho que difere o mesmo do animal. Desse modo, as escolas públicas foram aos poucos se estruturando para assumir uma função de proteção ao sistema capitalista. Para Habermas: a partir da possibilidade de que o capitalismo passou a ser controlado pelo Estado, as duas tendências essenciais para a emancipação presentes na teoria marxista a do colapso interno, em razão da queda tendencial da taxa de lucro, e aquela da organização do proletariado contra a dominação do capital – tinham sido neutralizadas.  Portanto, segundo Habermas, era necessário repensar o próprio sentido de emancipação da sociedade.
Neste aspecto, para entendermos a função social da escola, temo que levar em consideração as ideias de Honneth, que diz: “racionalidade e ação  social  operam por princípios  de integração social  opostos”. Esta teoria também foi defendida por Habermas na “concepção de sociedade com dois polos e nada a mediar sobre eles, ou seja, uma ideia de sociedade que se coloca entre as estruturas econômicas que determina a socialização do indivíduo, sem considerar o mediador essencial”. Isto significa deixar os conflitos ocorrerem livremente ou até propiciar as condições ideais para que estes aconteçam em espaços como a escola.
Esta lacuna entre diferentes classes econômicas e culturas, cria o que Honneth chama de “déficit sociológico inaugural” ou seja, algo desenvolvido pela estrutura  estatal, onde “o próprio sistema e sua lógica instrumental é resultado de permanentes conflitos sociais, capazes de moldá-los conforme a correlações de forças políticas e sociais”. Desse modo, as pessoas formam uma espécie de “cobaias”, que após observações de como elas reagem, surgem novas normas ou resoluções, no caso da educação.
Destas observações guiadas pelas situações de conflitos, Honneth concorda com Habermas que é preciso construir a teoria critica em bases intersubjetivas e com componentes universalistas. Se as interações conflituosas oferecem os instrumentos, cabe a escola buscar por meio da gestão democrática, soluções coletivas com valores universais para aplicação na prática cotidiana, pois “a base de interação é o conflito, e sua gramática, a luta por reconhecimento” que possa combinar interesses individuais e valores reconhecidos como universais.
Aqui, temos que citar Honneth, que diz: “Essa luta não é marcada por objetivos (...) ela é originada de uma experiencia de desrespeito  social, de um ataque a identidade pessoal e/ou coletiva, capaz de provocar uma ação que busque restaurar relações de reconhecimento mútuo ou justamente desenvolvê-las num nível evolutivo superior” No entanto, se a escola além de ser um espaço criado para gerar o conflito, também se transformou nas últimas décadas, num lugar de desrespeito entre os membros da chamada comunidade escolar, que se provocam em indisciplina, agressões verbais, físicas e todo tipo de ameaças, agora também é um espaço de transformação.
Para Honneth, “é possível ver nas diversas lutas por reconhecimento uma força moral que impulsiona desenvolvimentos sociais. O conflito social é o objetivo central da Teoria Critica e é possível extrair se dele critérios normativos” Consequentemente, a escola cumpre essa função social quando usa a experiencia do desrespeito e dos conflitos sociais, para se desenvolver na construção de sua proposta pedagógica, já que, Axel Honneth , recomenda que “partindo dos conflitos e de suas estruturas sociais e institucionais, em busca de seus princípios lógicos, vê a possibilidade de construir uma  teoria do social que se aproxime das ciências humanas  e de suas aplicabilidades empíricas”. 

Para Honneth, trata-se da Teoria da intersubjetividade, e esta, dependente de três formas de reconhecimento (amor, direito e estima). Se na escola esses valores já estão em prática, logo conclui o filósofo sobre estas formas de identificação afirmando “que correspondem a três formas de desrespeito onde a experiencia influencia no aparecimento dos conflitos sociais na qualidade de motivo da ação”. Na escola, o conflito vem da experiência do aluno, do professor, do funcionário, da família, dos gestores entre outros.
Para os valores de vivência de cada ator da comunidade escolar, acrescentamos segundo Honneth, que: “a experiencia de desrespeito social pode suscitar uma pessoa a entrar em conflito prático”. Neste sentido, no ambiente escolar, os chamados “barracos” pode se enquadrar como “o elo psíquico que dirige do sofrimento a ação ativa, informando intelectivamente o sujeito atingido em relação a sua situação social”.
Desse modo, Honneth nos esclarece que a origem deste sentimento dos membros da comunidade escolar vem da psicologia pragmática de Dewey, pois “nos escritos sobre sua concepção de sentimento humano que ele encontrou fundamentação para essas questões” John Dewey aponta que “a experiencia do desrespeito sempre vem acompanhada de sentimentos afetivos que em princípio pode revelar ao indivíduo que determinadas formas de reconhecimento lhe são socialmente denegadas’.
Os conflitos e as atitudes de desrespeito no ambiente escolar pode ser entendidos segundo a teoria crítica de Honneth como: “vivencias de contrachoque”. Quando alguém faz um professor ou funcionário sair desesperado do espaço escolar, houve para Dewey uma reação afetiva que ele chama de “contrachoque do triunfo” por parte do vencedor. E por outro lado, ocorre um contrachoque “do infortúnio de nossas intenções práticas” ou seja, o sujeito “se sente  de menor valor porque feriu uma norma moral que constitui um dos princípios de seus próprios ideais de ego”
Neste segundo caso, o trabalhador em choque pelo desrespeito, diante da situação de conflito, Honneth afirma que esse “indivíduo é forçado por um sentimento de ausência do próprio valor” e que para preencher esse vazio angustiante, esse profissional irá evoluir com a invenção de novos critérios e normas, ações e projetos, que expostas ao coletivo, talvez possa ser incorporada na sociedade.  
Em outro sentido, Honneth fala que “a agitação emocional que governa o indivíduo quando ele não pode continuar a agir, por conta da experiencia do desrespeito para com os anseios de seu ego”, no caso da escola, podemos acrescentar que isto se transforma em desânimo, faltas dias, horas não trabalhadas, licenças médicas agravadas por doenças do sistema nervoso, entre outras consequências.
A Teoria do Reconhecimento de Honneth e as Contribuições para os processos educativos se resumem segundo Artigo Publicado por Rubilar Tomasi IFRS  Campus Sertão, da seguinte maneira:
Em sua teoria crítica Honneth retoma as teses do jovem Hegel e as confronta empiricamente com a psicologia crítica de Mead para explorar um tipo de conflito que é motivado por experiências de desrespeito que afetam a identidade individual ou coletiva. O reconhecimento nas diferentes esferas é o que torna possível a formação de indivíduos com autoconfiança, com autorrespeito e autoestima e o desrespeito, a negação do reconhecimento e as patologias sociais, que são lesivas à formação da identidade individual e coletiva, também poderão criar condições psíquicas que motivarão o indivíduo a entrar em conflito, exigindo seu reconhecimento. Na socialização, que também ocorre de forma conflitiva, o indivíduo necessita ser reconhecido para se autorrealizar e para ter uma autorrelação positiva, o que também será condição para a formação de sua autonomia e para possibilitar sua emancipação. O presente artigo tem por objetivo compreender a teoria do reconhecimento de Honneth e mostrar como é possível encontrar, em tal teoria, um importante vínculo entre conflito e formação e que esta compreensão poderá significar uma grande contribuição para os processos educativos na formação de alunos autônomos e emancipados.

É neste ponto da teoria que faço questão de repetir para o paciente leitor: “o desrespeito, a negação do reconhecimento e as patologias sociais, que são lesivas à formação da identidade individual e coletiva, também poderão criar condições psíquicas que motivarão o indivíduo a entrar em conflito, exigindo seu reconhecimento. Na socialização, que também ocorre de forma conflitiva, o indivíduo necessita ser reconhecido para se autorrealizar e para ter uma autorrelação positiva, o que também será condição para a formação de sua autonomia e para possibilitar sua emancipação”.




Fontes
Revista filosofia Ano X n.145 Editora Escala Oficial – Luta por reconhecimento social : Conflitos orientam uma teoria crítica da sociedade, após a terceira geração da Escola de Frankfurt. P.54
Honneth, Axel. Crítica del Poder: fases em la reflexion de uma Teoria Crítica de la Sociedad. Madri: Machado Editora, 2009.
Honneth, Axel.. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. 2 ed. São Paulo: Editora 34, 2009 p. 213 -224.
Rubilar Tomasi. A TEORIA DO RECONHECIMENTO DE HONNETH E AS
CONTRIBUIÇÕES PARA OS PROCESSOS EDUCATIVOS 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Falta dos servidores públicos efetivos dentro da legalidade


Em épocas de crise do sistema financeiro do Estado, cujas instituições que atendem o público, tais como as escolas, cujo número de professores e funcionários foram reduzidos ao mínimo com as aposentadorias dos últimos anos e como não temos substitutos suficientes para cobrir as ausências daqueles que faltam, a qualidade do serviço fica comprometida devido o acúmulo de tarefas para quem está trabalhando. Essa tentativa de levar adiante e incorporar a tarefa dos ausentes, cria na escola um ambiente caótico e desorganizado, afetando a aprendizagem dos conteúdos do currículo. 
Abaixo, os tipos de faltas mais comum nas escolas, porém legalmente:

1 – 06 abonadas por ano -  06 dias Artigo 110 - lei-10261-28.10.1968
2 – Doar sangue – atestado dia – 04 ao ano para homens e 03 ao ano para mulheres; a cada 3 meses entre elas. Artigo 122 - O funcionário que comprovar sua contribuição para banco de sangue mantido por órgão estatal ou paraestatal, ou entidade com a qual o Estado mantenha convênio, fica dispensado de comparecer ao serviço no dia da doação.
3 – Falta médica quantidade de 06 ao ano (Art. 1, inc. I Lc 1041/08 ) deixar de comparecer ao serviço, até o limite de 6 (seis) ausências ao ano, independente da jornada a que estiver sujeito, ainda que sob o regime de plantão, não podendo exceder 1 (uma) ao mês;
4 – Reuniões de sindicatosindicato de categoria (C.E./89 - Art. 125 -§ 1º, e D.31.170/90). Artigo 125 - O exercício do mandato eletivo por servidor público far-se-á com observância do art. 38 da Constituição Federal. § 1º - Fica assegurado ao servidor público, eleito para ocupar cargo em sindicato de categoria, o direito de afastar-se de suas funções, durante o tempo em que durar o mandato, recebendo seus vencimentos e vantagens, nos termos da lei.
5 – 12 faltas justificadas pela Direção da Escola; Decreto nº 52054 de 14 de agosto de 2008, artigo 8º - “O servidor que faltar ao serviço poderá requerer o abono ou a justificação das faltas por escrito à autoridade competente, no primeiro dia em que comparecer à repartição, sob pena de sujeitar-se à todas conseqüências resultantes da falta de comparecimento”.
6 – 12 faltas justificadas pela Dirigente Regional;
7 – Falta em convocações para júri (de 1 a 2 dias) ao ano
8 – Falta de T.R.E. – geralmente são 06 dias, para aqueles que trabalharem nas eleições pelo cartório;
9 – 30 faltas injustificadas consecutivas (31 dias) geram processo de abandono conforme preveem os artigos 63 e 256, § lº, da Lei nº 10.261/68., ou 45 faltas interpoladas (46 dias) gera processo de abandono nos termos do artigo 256, inciso V, e artigo 308 da Lei nº 10.261/68, com nova redação dada pela Lei Complementar nº 942/03.
10 – Licença saúde até o ano todo, desde que o médico do servidor faça o atestado a cada 30 ou 60 dias e o médico perito também aprove a licença;
11 – Falta médica parcial até 3 horas, só para quem tem jornada completa, uso ilimitado durante o ano.  

Vejam as mais utilizadas 



abonadas .......................................................................................................................6

doação de sangue ..........................................................................................................3

falta médica ................................................................................................................... 6

justificada na U.E. .......................................................................................................12

Justificada na D.E ........................................................................................................12

juri ............................................................................................................................1

T.E.R .........................................................................................................................6

Injustificada ..............................................................................................................45


Total de dias com ausências, caso o servidor tenha esse direito:
91  de 200 dias  letivos 





terça-feira, 17 de julho de 2018

Como deve ser algumas propostas de candidatos para Presidente e futuros congressistas em 2018 no Brasil

Segundo Robson Braga de Andrade, presidente da (CNI) e Ruy Falcão (ex presidente do Partido dos Trabalhadores), vejamos como seria as propostas políticas dos candidatos em 2018. 



No Brasil, o presidente da Confederação Nacional da Indústria e também empresário. Robson Braga de Andrade escreveu sua opinião no Jornal Folha de São Paulo em 17 de Julho de 2018.  Dizendo que “è ingenuidade achar que o livre mercado nos salvará por si só”, isto é, o futuro presidente deste país e os congressistas devem atuar junto a essa tarefa de salvação.
Sua aposta é na “via de retomada do crescimento econômico” cuja indústria brasileira, segundo ele, está pronta para oferecer apoio, desde que o candidato a futuro presidente tenha aquilo que chama de “essencial”, ou seja, que prometa cuidar do “equilíbrio fiscal, sem aumento de impostos”, assim como “da qualidade da nossa educação e da infraestrutura”. E por último, “da necessária liberdade para empreender, com a fundamental segurança jurídica”.
No entanto, quando ele diz que essa não é uma tarefa apenas para o “livre mercado” ou traduzindo para o capitalismo, isso significa que a chamada lei de mercado ou oferta e procura não obedece aos interesses de grupos ou setores, ela pode deslocar ou concentrar capital de forma totalmente aleatória e tais imprevistos não interessam ao representante da Indústria.
Na visão deste representante da (CNI) os empresários necessitam de políticos que consigam manter o equilíbrio fiscal sem aumentos de impostos para o setor, isto é, os tributos elevados, assim como, a mão de obra sem qualidade educacional e o não investimento do Estado em infraestrutura, travam o crescimento econômico das indústrias.
Neste caso, para o representante da indústria nacional, o próximo presidente e os futuros congressistas devem apresentar propostas políticas que mostrem a capacidade de controlar o mercado e os impostos, assim como, demonstrar que possui competências para melhorar a qualidade da educação de sua futura mão de obra e ao mesmo tempo, apresentar projetos eficientes de melhorias de infraestrutura do Brasil.
Conclusão, a salvação dos empresários segundo seu presidente está em políticos que possam controlar a lei de mercado, não permitindo sua liberdade total, já que isso implica risco aos investimentos econômicos. Portanto, candidatos que prometam menos impostos, educação de qualidade ao povo e investimentos em infraestrutura, podem ter apoio da indústria nacional. 

Para Ruy Falcão, ex presidente do Partido dos Trabalhadores no Brasil, que deu entrevista para Folha de São Paulo  e publicada em 17 de julho de 2018, o programa  para um próximo governo na opinião dele, “não será antimercado” isto é, não poderá contrariar as regras do capitalismo, principalmente para os grandes empresários, porém, menciona uma preocupação com a fatia da população, cujo ganho, está “até cinco salários mínimos”.
Para esses últimos deverá haver isenção do imposto de Renda, isto é, uma preocupação em preservar esta parcela da população frente a mordida do tributo mais agressivo do país. De outro lado, também enfatiza como de grande importância “medidas para estabilidade do cambio”, algo que facilita a produção e evita perder dinheiro.  
Logo, sua preocupação está em não assustar o mercado ou até oferecer um programa de governo que prometa beneficiar setores financeiros com medidas que possam estabilizar o câmbio, e ao mesmo tempo, candidatos que venham acenar com benefícios a parcela de menores ganhos na população, algo interessante, uma vez que significa maioria entre os possíveis eleitores de 2018.
Falcão, aponta a possibilidade deste suposto programa de governo em buscar apoio junto aos grandes empresários e abranger simpatizantes na camada da polução de menor poder aquisitivo. Dessa maneira, as propostas dos futuros congressistas possuem competitividade, já que não contrariam as regras de mercado, razão que agrada empresários e conta com apoio de uma grande parcela da população que ganham até cinco salários mínimos.
Neste aspecto, aqueles que  possuem renda superior a cinco salários mínimos e nem são grandes empresários, o suposto programa de governo não incorpora promessas de benefícios. Esses devem pagar o imposto de renda e talvez, com sorte se beneficiar em algumas viagens pela estabilidade do câmbio, mesmo que seja somente nas sonhadas férias.  


sexta-feira, 23 de março de 2018

Repúdio em defesa dos Professores Readaptados



Como funcionário público da Educação do Estado de São Paulo, manifesto aqui minha indignação contra o trabalho dos médicos, principalmente, aqueles que pertencem a esta Comissão de Assistência à Saúde, quando cessam as readaptações de trabalhadores da educação, sem ouvir esses profissionais e seus chefes imediatos.
Com certeza não fariam isto com um parente deles, pois os readaptados por problemas de doença já saíram da sala de aula porque não havia a menor possibilidade de trabalhar naquela função. Portanto, falar para que eles voltem para o trabalho em sala de aula da escola pública, mais uma vez, com certeza os senhores “Doutores” com aspas não possuem filhos matriculados nestas escolas.
E mais, esses readaptados devem entrar com mandato de segurança contra o Estado, pois, caso suas doenças venham a se  agravar em sala de aula ou pelo pânico que estas manifestações em Diário Oficial provocam, tais danos são ignorados por esta comissão da saúde.
Os médicos desta comissão jamais deveriam ter tais poderes, pois não estão dentro de seus hospitais ou consultórios, onde decidem quem vive e quem morre. Tais profissionais que decidem a vida das pessoas à distância não conhecem o que significa trabalhar com 40 alunos da escola pública, mesmo os professores que possuem uma boa saúde, não conseguem.
O secretário da educação e o governador, também não sabem o que significa enfrentar uma sala de aula sem ter saúde, se fosse parente deles, com certeza não voltaria para sala de aula, uma vez que todo professor readaptado está nesta condição, porque outro médico comprovou a situação da pessoa readaptada.
Enviar readaptados para sala de aula é um ato de desespero daqueles que comandam o Estado, pois medidas como esta, além de não resolver o problema precário da educação no Estado, provoca revolta, indignação, tratamento desumano e falta de consideração com o direito de defesa do funcionário público. Não se pode punir as pessoas sem apuração de responsabilidade daqueles que estão decidindo sobre o retorno dos readaptados para sala de aula.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Inclusão e Pluralidade

Jaquim Luiz Nogueira


Aqueles que não foram escolhidos como participantes do topo do grande capital se transformaram na base para todas as políticas de Estado, cujas normas e condutas se derivam do ponto de vista das condições daqueles que foram excluídos. Walter Benjamin chamou esta versão de messiânica, ou seja, para ele foi uma alternativa para se contrastar com o progresso capitalista.
Para alguns teóricos como Hannah Arendt e Judith Butler, trata-se da noção kantiana de Juízo reflexivo, que considera o ponto de vista dos outros na ação do pensamento. Neste aspecto, o pensar implica numa socialidade ou pluralidade, espécie de processo psicológico por meio do exercício do julgar.
Arendt, por sua vez, adverte os povos sobre a política que promove a incapacidade de pensar nas pessoas, isto é, de exercerem o juízo independente, de criticarem e de poderem se distanciar das exigências que as políticas lhes impõem. Deve-se pensar sobre as normas que governam a política e evitar a obediência cega ou agir como o governante agiria.
Segundo o pensamento de Arendt, muitas pessoas se tornaram historicamente instrumentos de políticas genocidas, pois perderam a capacidade de pensar, sendo formadas de modo que não lhes foram mais possível o pensar. Elas passaram agir sem julgar, formulando e executando leis brutais de forma normatizada, constituindo o fracasso em pensar e julgar, portanto, não exercem a liberdade necessária para se transformarem numa pessoa.
A pluralidade de acordo com Butler é constituída pelo juízo, ou seja, uma representação da própria pluralidade e, desse modo, o diferente é a base do juízo, espécie de voz legítima, pois esse fala como um “Nós” . Este último torna-se o veiculo da esperança ao preencher com visões discordantes, emotivas e divididas, iniciativas plurais que formam algo não depende de nenhuma lei existente.
De acordo com Hanna Arendt, a responsabilidade das pessoas não pode ser entendida como uma lealdade acrítica. Ela acrescenta que, às vezes a desobediência é justamente nossa responsabilidade. As pessoas devem salvaguardar a pluralidade humana, principalmente o ato de pensar e de julgar que constituem o indivíduo.
Pensar implica pluralidade, estar na companhia dos outros e agir em comum com eles. É a linguagem o tipo de ação que dá existência a uma realidade, sendo que, o pensamento é germinado pela ação, e esta, tem a socialidade como aquilo que o antecede ou permite o pensar.
A socialidade se torna uma característica incentivadora em todo e qualquer pensamento, sendo o diálogo, algo que não pode ser separável da pluralidade, e isto, é que torna possível a existência do indivíduo. A pluralidade é o lugar do pertencimento, da luta, da preservação da heterogeneidade da vida humana.
A interdependência que constitui as pessoas como seres pensantes, sociais, corporalizados, vulneráveis e passionais. Tais modos de interdependência são movidos por política social.

Fonte;

Butler, Judith, Caminhos Divergentes: judaicidade e critica do sionismo: São Paulo, Boitempo, 2017. 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cultura da Pluralidade no Espaço da Escola


Joaquim Luiz Nogueira

Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã de origem judaica (1906 – 1975), qualquer Estado fundado na ideia homogênea de nação estaria fadado a expulsar quem não pertencesse à nação e, assim reproduziria a relação estrutural entre Estado-nação e a produção de pessoas apátridas.


O filósofo e sociólogo alemão e também de origem judaica Walter Benjamin (1892 – 1940), definiu essas pessoas sem pátria como escombros, espécie de ruínas e que na medida em que a história do progresso avançasse essa expulsão continuaria.
Neste aspecto, Arendt, declarava que para ter legitimidade, todo Estado teria de aceitar e proteger a heterogeneidade de sua população, isto é, a pluralidade. Dessa maneira evitava-se o avanço das pessoas apátridas, expulsas ou excluídas.
Para Arendt, a heterogeneidade cabia a todos os países a partir de algum ponto do século XIX, ou pelo menos se tornou um problema explícito para o Estado-nação desde Vestfália (A Paz de Vestfália “sec. XVII“ marcou o início da hegemonia da França na Europa e do declínio do poder Habsburgo), pois afirmou a supremacia do poder temporal (não religioso) sobre o papado, um aspecto fundamental para a consolidação do poder monárquico nos países europeus.

 Em outros pontos, no entanto, Arendt, parece estabelecer uma ontologia da Pluralidade. A pluralidade de todas e quaisquer populações passa a constituir como precondição da vida política, e qualquer Estado político, política pública ou decisão que vise eliminar ou limitar a pluralidade é tida como racista, quiçá genocida.
Segundo Arendt, a coabitação (vida em comum) era uma precondição da vida política, e embora, até certo ponto, possamos escolher com quem dividir uma cama ou uma vizinhança, não podemos escolher com quem coabitar a Terra. Essa coabitação continua sendo a condição não escolhida de todas as decisões políticas, se tais decisões não forem genocidas.
Nos termos de ARENDT, todo mundo deve ter o direito de pertencer, pois, os modos de pertencimento existentes não fundamentam ou justificam esse direito como fundamental para cidadania. É este aspecto de “modo de pertencimento” que vamos buscar entendimento no espaço da escola, já que segundo pesquisa de Paula Almeida de Castro, Professora Adjunta/Departamento de Educação – UEPB, Camila Matos Viana e Sarah Thalita Guimarães Costa, ambas na graduação de Pedagogia da UEPB, descreveram que os aspectos da identidade que balizam a noção de pertencimento.
Para Castro, são complexas tessituras das quais emergem o sujeito escolar contemporâneo, diversas formas de construção de identidades pelo aluno no interior da escola, sugerem que este recrie para si, em diferentes momentos, o papel de aluno.
Na escola, descreve Castro, o estudante tenta se adaptar a uma nova condição identitária interposta em diferentes momentos de sua vida escolar. O sujeito flexibiliza suas ações, atitudes e valores de modo a tornar-se aluno para si e para os outros que permeiam o espaço da escola e da sala de aula.
 O fracasso escolar, por exemplo, segundo a pesquisa de Castro “é, quase sempre, associado aos relacionamentos interpessoais e ao comportamento do aluno. Dessa forma, entende-se que é pelo somatório entre as tensões das experiências positivas e das negativas e/ou traumáticas que o indivíduo pode, em seu processo identitário, tornar viáveis as suas formas de pertencimento dentro e fora das escolas”.
Para Castro, as escolas “podem ainda possibilitar que o sujeito esteja mais habilitado e flexível para adaptar-se a novas situações que, por sua vez, vão demandar novos conhecimentos”. Neste sentido, o espaço escolar é caracterizado como lugar onde se amplia as conquistas e experiências dos alunos, tanto positivas como as negativas.
O espaço da escola deve compreender segundo Castro, que as estratégias dos alunos indicam que as identidades não são fixas, são sempre inacabadas e em contínuo processo de construção. Elas se desenvolvem pelo agir em um mundo em mudança, sobretudo na contemporaneidade.
A escola torna-se o palco de todas as articulações ao mesmo tempo, cujas manifestações e o progresso de cada identidade, assim como as transformações de acordo com Castro, “acontecem no espaço de “fora” – que modifica a condição de vida – quanto no espaço de “dentro” – trabalhando as condições individuais”
Portanto, muitas vezes temos a sensação de que as transformações do espaço escolar nas periferias ocorrem por uma espécie de ampliação das ruas, das moradias e da cultura de suas clientelas, enquanto pessoas apátridas nos termos de Arendt ou da vontade dos escombros como chamou Benjamin.
A escola, os funcionários, gestores e professores não podem escolher quem deve ou não matricular-se ou ocupar a sala de aula, pois, nos termos de ARENDT, todo mundo deve ter o direito de pertencer e de seu modo. Dessa maneira, a pluralidade de todas e quaisquer populações passa a constituir como precondição da escola, da vida política, e qualquer Estado político, política pública ou decisão que vise eliminar ou limitar a pluralidade é tida como racista, quiçá genocida.


Fonte:
Veja mais em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/paz-de-vestfalia-acordo-entre-paises-europeus-encerrou-a-guerra-dos-trinta-anos.htm?cmpid=copiaecola
IDENTIDADE, PERTENCIMENTO E RESILIÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO NA PERSPECTIVA DE ALUNOS COMO / PESQUISADORES Paula Almeida de Castro Professora Adjunta/Departamento de Educação – UEPB Camila Matos Viana Graduanda de Pedagogia – UEPB Sarah Thalita Guimarães Costa Graduanda de Pedagogia – UEPB http://www.editorarealize.com.br/revistas/fiped/trabalhos/Trabalho_Comunicacao_oral_idinscrito_1200_425fdbb52737d5336e38efb0940f6092.pdf

Judth Butler, Caminhos Divergentes/Boitempo