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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Pedagogia do autoconhecimento


                                                              Joaquim Luiz Nogueira 

A Pedagogia do autoconhecimento, que abrange uma espécie de “terapia do ser” na qual, o sujeito busca conhecer suas limitações e ainda respeitar as dos outros. Tal incumbência, que agora chega como exigência para os profissionais da educação, também se torna mais um mecanismo na tentativa de que os professores sejam modelados pelas normas legalistas, elaboradas a partir do desejo de novos produtos do consumo coletivo.

Em nome da relação educativa entre professor e estudante, que prega o autoconhecimento pedagógico como primeiro passo rumo a melhorias para o docente e o discente, com uso de conceitos como aliança, cooperação mútua, e participação, onde ambos podem expressar ideias e sentimentos, valores e até crenças, numa utopia chamada de comunicação pedagógica eficaz.

 

“Conhecimento pedagógico significa conhecer seus potenciais recursos internos, habilidades e limitações em relação a si mesmo e aos outros. Isso implica um aumento das responsabilidades e aspirações dos professores de participar ativamente de seu próprio desenvolvimento. Assim, seu potencial autoconhecimento pedagógico é o primeiro passo no processo de autoconhecimento pessoal e profissional. Tem o efeito de otimizar a relação educativa, desencadeada pela necessidade de ser eficiente em qualquer atividade docente. A eficácia da educação depende muito da qualidade da relação professor-aluno. Este deve ser de aliança, participação e cooperação mútua, sendo possível expressar ideias e sentimentos, valores e crenças no repertório comum de professor e aluno da turma. Em essência, garante uma comunicação pedagógica eficaz. Implica desenvolver uma relação empática com o aluno, confiança mútua, respeito mútuo, alta disponibilidade, cognitiva e afetiva e motivacional.”

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1877042813029479 
Pesquisa:  Autoconhecimento e Desenvolvimento Profissional - Condição Educacional Sustentável de um Relacionamento

 

A defesa de uma pedagogia do autoconhecimento para o Ensino fundamental e médio, como se propõe em documentos oficiais que estão chegando na escola pública, implica de um momento para outro, logo em meio a um período de pandemia e um longo período de ausência de aulas presenciais, na retomada com esta visão motivacional e afetiva, como se trabalhar com ensino fosse algo que não exige por parte do estudante, uma atitude de educação.

 

Os entusiastas desta pedagogia do autoconhecimento falam em “Ajudar cada pessoa a se livrar de si mesma”, ou seja, como se fosse possível deixar de ser ela mesma, isto é, de esquecer os traumas, apagar a genética, controlar o sistema nervoso ou tornar se um estudante dedicado.

 

Neste sentido a pedagogia do autoconhecimento estabelece que “O papel do professor não é avaliar o aluno ou responder por ele, mas ajudá-lo a reconhecer quem ele é”.  A pergunta, quem sou eu? Esta questão, feita pelo sujeito professor, a ele mesmo, com certeza já não obtém nenhuma resposta na grande maioria dos indivíduos adultos, portanto, uma criança ou adolescente, jamais estão preparados para chegar a esta resposta.

 

Aumente a inteligência: busca por significado. Buscar sempre a formação
integral Vá além das aparências com um olhar aprofundado Ajude cada pessoa a se livrar de si mesma
O autoconhecimento é necessário para uma educação transformadora, que permite a todos se engajarem na transformação da sociedade. O papel do professor não é avaliar o aluno ou responder por ele, mas ajudá-lo a reconhecer quem ele é, para se construir, para avançar na definição do seu projeto profissional. Esse processo pode ser comparado à construção de um portfólio de "autoconhecimento", conhecimento que está sempre em movimento. Este trabalho pode gerar motivação. https://www.assomption-france.org/rubriques/gauche/centre-de-ressources-pedagogiques/partage-doutils-pedagogiques/module-daccompagnement-crpa-connaissance-de-soi

 

 

Não se constrói nada sem um bom planejamento, o fato de comparar esta pedagogia de autoconhecimento a construção de um portfólio, é algo muito interessante, porém, quando um estudante coloca todas suas conquistas em um portfólio, provoca motivações, mas quando, junta todos os seus fracassos e traumas, cria agressividade, revolta e violência. No caso de computadores, o técnico pode formatar a máquina, no entanto, com seres humanos, ainda não inventaram nada semelhante para servir como ferramenta ao professor.   

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Regras Disciplinares na Escola: Teoria e prática

 


Joaquim Luiz Nogueira 

Neste ano de 2021, as escolas estaduais da rede pública paulista, receberam um novo Regimento Escolar, elaborado por especialistas, teóricos e legalistas, cuja dimensão da problemática na qual buscam soluções encontra -se distante de seus cotidianos. As escolas, cada qual com suas realidades e circunstâncias, deveriam possuir autonomia para esta construção, pois a padronização de normas e regras semelhantes para todas, significa uma tragédia anunciada.

Vejamos alguns pontos interessantes sobre as relações:

Artigo 73 – As relações profissionais e interpessoais entre os integrantes da equipe escolar, constituem elementos fundamentais para a organização e o funcionamento desta escola.

Artigo 74 – São princípios que regem as relações profissionais e interpessoais:

I – Autoconhecimento;

II – Empatia / Alteridade;

III – Comunicação / Assertividade;

IV – Cordialidade / Trato interpessoal;

V – Ética.

§ 1º – Autoconhecimento: conhecer a si mesmo e analisar o impacto que causa nos outros.

§ 2º – Empatia / Alteridade: capacidade de se colocar no lugar do outro. É ter consideração pelo outro, por sua opinião, sentimentos e motivações. É saber ouvir.

§ 3º – Comunicação / Assertividade: capacidade de se comunicar de maneira clara, franca, direta e acima de tudo respeitosa;

§ 4º – Cordialidade / Trato interpessoal: ter gentileza, simpatia e solicitude com as pessoas;

O autoconhecimento “conheça a ti mesmo” e veja o “impacto que causa nos outros” Será que aqueles que construíram este documento pensaram em fazer um estágio em uma escola por alguns meses como Diretor, professor ou funcionário. Assim, poderia ver o que realmente enfrentamos na escola: casos de agressividade e todo tipo de violência que migram das comunidades para o espaço escolar.

Vejamos abaixo as medidas disciplinares recomendadas por este documento:

 

SEÇÃO VII – DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

 

Artigo 85 – O não cumprimento dos deveres e a incidência em faltas disciplinares poderão acarretar ao estudante as seguintes medidas disciplinares:

I – Advertência verbal;

II – Retirada do estudante de sala de aula ou atividade em curso e encaminhamento ao Núcleo de Direção para orientação;

III – Comunicação escrita dirigida aos pais ou responsáveis;

IV – Propor roda de diálogo para fins de fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou participação facultativa em círculo restaurativo.

 

Aqueles que já trabalharam em escola e com adolescentes sabem muito bem que “Há dias difíceis e dias em que são extremamente ruins” Após uma briga violenta entre estudantes com risco a vida de pessoas, propor a “roda de diálogo” como solução é algo bastante interessante, para não usar outra palavra. É caso de Polícia, diria os teóricos?  Sim, mas até chegar as autoridades competentes, a tragédia já ocorreu. Então, alguém diz “vamos apurar as responsabilidades!

 

Veja, logo abaixo, no Art. 21, que a escola não poderá impedir a frequência dos estudantes às atividades escolares, isto significa, o “FIM DA SUSPENSÂO” ou seja, se o estudante não terminou de agredir seu colega, o professor ou o funcionário, pode continuar após o intervalo ou na aula seguinte, já que tem o direito de permanecer no espaço da escola.

 

SEÇÃO X – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE OS DIREITOS E DEVERES DOS PARTICIPANTES DO PROCESSO EDUCATIVO

 

Artigo 91 – Esta escola não fará solicitações que impeçam a frequência dos estudantes às atividades escolares ou venham a sujeitá-los à discriminação ou constrangimento de qualquer ordem.

Artigo 92 – Nos casos graves de descumprimento de normas por qualquer integrante da comunidade escolar (docentes, estudantes, funcionários, pais/responsáveis e gestores) deverá ser encaminhado às autoridades competentes. 

 

Observação: Na escola, segundo este documento, não existem autoridades competentes para soluções disciplinares. Então, quem seria as autoridades competentes? Eles chegarão na escola após as tragédias? Algo está errado entre teoria e prática, caso as escolas cumpram ao pé da letra este documento, poderemos aguardar novas tragédias de violência no espaço da escola.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Índios em Brasília em 2021

 


                                                                                          Joaquim Luiz Nogueira 

Uma imagem muito rica, centralizada e no alto, temos o presidente do STF, Luiz Fux, sendo apresentado em uma grande tela emoldurada na cor amarelada, cujas mãos segura com firmeza um papel branco e seu rosto inclina-se para a esquerda rumo a um horizonte acima dos índios. 

No centro e abaixo da imagem do presidente Luiz Fux, aparece uma imagem de uma pena amarela que denota surgir do documento e termina no cocar, trazendo ao seu lado esquerdo, uma pena vermelha e do lado direito, outra na cor amarela, tendo no seu entorno a cor branca, que deixa transparecer apenas um círculo escuro ofuscado no lugar do índio. 

Do lado esquerdo da imagem, tudo é ofuscado, permanecendo apenas os traços de escuridão e o vermelho que aponta para o vazio do amarelo no fundo do cenário, onde estruturas de ferro predominam de forma nítida. No lado direito do cocar a imagem volta a ficar nítida para vislumbrar a costa de um indígena, situada entre o  amarelo da decoração de outro nativo e ambos direciona o observador para algo verde que está a frente, a mesma tonalidade que marca sua cabeça, situada abaixo do olhar de quem fala no telão, que após uma grade de proteção, desponta ao fundo e distante, o verde que simula apenas algo que foi substituído pela imagem que surge no alto e centralizada distante deste público ofuscado, quase inexistente. 


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Pedagogia da Gratidão


Pedagogia da Gratidão 

                                                               Trad.Joaquim Luiz Nogueira 

Fonte: https://ou-iet.cdn.prismic.io/ou-iet/4e498b2d-4ed4-4991-ae20-e1e0f5975cfd_innovating-pedagogy-2021.pdf

Melhores momentos de aprendizagem

Melhores momentos de aprendizagem:  a ideia dos melhores momentos de aprendizagem baseia-se no conceito psicológico de cognitiva absorção, ou 'fluxo', definido como profundo envolvimento ou imersão em uma atividade ou tarefa, muitas vezes acompanhada de sentimentos de prazer. Experiência de pessoas neste estado mental e esses sentimentos quando envolvido em uma atividade que é adequadamente desafiando suas habilidades nível, resultando em concentração total e foco. Os melhores momentos de aprendizagem podem resultar em aprendizado profundo e altos níveis de satisfação, e eles também podem ser particularmente memoráveis. Eles podem ocorrem em situações envolvendo hands-on atividade e participação, e eles se encaixam bem com abordagens centradas no aluno que levam diferenças individuais em aprendizagem em consideração. Dicas de ensino para criar momentos memoráveis inclui falando sobre os interesses dos alunos, fazendo perguntas desafiadoras e aceitar que todos os alunos são diferentes. Ambientes de aprendizagem com tecnologia aprimorada podem ser projetados para criar oportunidades para o melhor momentos de aprendizagem - por exemplo, através do uso de dispositivos móveis, baseados em jogos, experiências de aprendizagem e imersivas, e usando dados de aprendizagem e análises. Novas maneiras de capturar melhor momentos de aprendizagem podem apoiar a reflexão em aprender e melhorar o design de tecnologia de aprendizagem. Melhor aprendizagem momentos também podem ser oportunidades para ‘momentos de ensino’, que são oportunidades não planejadas que surgem quando um professor sente que os alunos estão engajados e prontos para absorver alguns insights, como em geral, um ponto de uma experiência compartilhada 

 

Realidades enriquecidas

 

É cada vez mais comum enriquecer a realidade com o uso de tecnologia os vários tipos de realidade que pode ser misturado. Quando os alunos não podem estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) pode ser usado para tornar algumas experiências memoráveis ​​compartilhadas possível. Quando um aplicativo AR é usado, ele sobrepõe informações em nossos arredores ou objetos ao nosso redor, enquanto a VR fornece uma visão tridimensional do ambiente com o qual os alunos podem interagir. Essas realidades enriquecidas estendem que é possível na educação o treinamento para fornecer experiências novas e dinâmicas que envolvam os alunos imediatamente. Elas também abrem oportunidades que não são disponíveis na sala de aula, como explorar lugares que seriam difíceis, perigosos ou impossível de visitar por um aluno - a superfície de Marte ou o dentro de um vulcão, por exemplo. Com AR e VR, os alunos podem interagir e trabalhar juntos, manipulando o virtual objeto e movendo-se pelo cenário juntos. Essas formas de engajamento podem apoiá-los na compreensão de conceitos, praticando habilidades e realizando várias tarefas ou procedimentos. Enriquecidos realidades agora são usadas em muitos contextos incluindo clínicos e médicos, configurações, treinamento de segurança com o professor. Treinamento e uso em pequena escala de enriquecido da realidade que está ao alcance dos alunos com acesso a um smartphone adequado e uma boa conexão com a Internet.

Gratidão como pedagogia

 

Gratidão envolve o reconhecimento de o que as pessoas têm ou recebem como ação consciente e pode querer dar de volta de alguma maneira. Quando aplicado em um contexto acadêmico, a gratidão pode ajudar alunos para melhorar as relações aluno-aluno; isto aluno-professor e pode ajudá-los a ter mais consciência de seu ambiente de sua aprendizagem e de aumentar a compreensão e o foco em seus estudos.

Também pode melhorar a saúde mental e o bem-estar de alunos e professores - por exemplo, os alunos melhoram sua capacidade de permanecer resiliente enquanto enfrenta dificuldades de aprendizagem. Uma abordagem prática para implementar a gratidão como uma pedagogia envolve perguntar aos professores e os alunos para examinem suas atitudes antes de começar a ensinar ou aprender e durante as atividades de aprendizagem

 Mais reflexão detalhada pode trazer consciência de quaisquer atitudes negativas em relação a certos tópicos ou atividades de aprendizagem. Estas são então analisadas e substituídas por elementos de gratidão. Alunos relataram estar mais engajado e menos distraído, tendo grande motivação para aprender, e ter maior confiança e uma compreensão mais profunda dos conceitos. A gratidão como pedagogia tem sido cada vez mais incluída no desenvolvimento profissional de professores de escola, usado na educação infantil e explorado na prática médica.

Refletindo sobre a atitude para melhorar o bem-estar e o aprendizado

 

Introdução

Gratidão, quando considerada como pedagogia e não como uma emoção, é uma abordagem para aprendizagem e ensino que envolve ativamente o reconhecimento do que temos ou recebemos e a ação consciente de querer retribuir de alguma forma.  Gratidão é normalmente expressa em relação a alguém ou por algo. Quando aplicado em um contexto acadêmico, pode ajudar os alunos a melhorar relacionamentos aluno-professor e aluno-aluno, pode ajudá-los a ser mais ciente de seu ambiente de aprendizagem e pode aumentar sua compreensão e foco em seus estudos. Pesquisa na faculdade os alunos descobriram que praticar a gratidão dentro da aprendizagem indicou um aumento nos alunos da capacidade de se concentrar na aula e permanecer resiliente enquanto enfrenta dificuldades na aprendizagem.  

Aplicando a gratidão como uma pedagogia na sala de aula também pode melhorar a saúde mental e o bem-estar de alunos e professores. Por exemplo, um estudo de professores universitários descobriu que praticar a gratidão como uma abordagem na sala de aula fez com que os professores fossem mais capacitados para lidar com o estresse e encontrar calma, e isso melhorou seu bem-estar. É possível que esta abordagem de ensino e aprendizagem poderia ser ainda mais relevante em tempos de adversidade como ainda estamos lutando com o impacto da Covid-19 na aprendizagem dos alunos e no bem-estar e mental dos alunos e saúde de professores   

 

Colocando em prática

 Uma abordagem prática para implementar a gratidão em aprender e ensinar envolve a criação de um "estado de preparação” onde professores e alunos são convidados a preparar e examinar sua atitude antes de iniciar sua aprendizagem e durante as atividades de aprendizagem. Este estado ajuda os indivíduos a se tornarem cientes do tipo de atitude que eles mantêm (negativa ou positiva) e o impacto que isso pode ter sobre sua aprendizagem, e no ensino, no caso de professores. Criando um estado de preparação antes e durante as atividades de aprendizagem, os alunos e os educadores podem ser encorajados a ser mais ciente da aprendizagem que está ocorrendo e aqueles envolvidos no processo. 

Este estado pode ser desenvolvido quando os alunos e os professores são convidados a refletir sobre um determinado tópico de aprendizagem ou atividade usando os seguintes elementos: pensamentos, palavras, emoções, conversa interna e estado físico. Elas também são solicitadas a usar dois diferentes ângulos: primeiro, olhe para esses elementos opostos de gratidão, que muitas vezes é reclamação, insatisfação e direitos; e, em seguida, olhar para os elementos novamente de um ponto de vista de gratidão. Enquanto reflete, os alunos são solicitados a fazer anotações ou completar uma amostra. Esta reflexão tem potencial para trazer consciência do negativo predeterminado, atitudes e comportamentos em relação a certos tópicos ou atividades de aprendizagem. O negativo as atitudes são então analisadas e substituídas por elementos de gratidão, trazendo um estado de consciência, presença e apreciação entre alunos e professores. Alunos que se envolveram nesta abordagem relataram ser mais focado e menos distraído, tendo grande motivação para aprender, aumentando a confiança e uma compreensão mais profunda de conceitos. 

A gratidão também pode ser aplicada como uma tarefa de avaliação. Um estudo australiano foi conduzido para melhorar o ensino da alfabetização com professores em formação, de maneiras que valorizavam seus relacionamentos com alunos do ensino médio eles estavam ensinando, usando notas de agradecimento. Os professores pediram aos alunos que escrevessem ou desenhassem uma nota de gratidão sobre um tópico ou atividade de aprendizagem sendo avaliados. Os alunos foram solicitados a refletir sobre o conteúdo explorado, quanto eles pensaram que aprenderam, houve a melhoria em sua relação com a escola secundária, pelo que eles eram gratos e estratégias de como eles poderiam retribuir outros, inclusive para suas profissões, uma vez que graduado.  Esta abordagem tem potencial para melhorar a relação professor-aluno, apreciação do aprendizado ocorrendo e futuras aplicações da aprendizagem. 

Quando integrado aos processos de ensino, a gratidão pode apoiar o foco e a resiliência no aprendizado.  Um grupo de 50 estudantes universitários dos EUA foram convidados a refletir sobre suas experiências e considerar a gratidão ao longo de três meses. Os alunos receberam textos periódicos lembretes três vezes por semana perguntando a eles para ter tempo para refletir sobre sua classe (antes da aprendizagem) e práticas de aprendizagem (no final de cada semana), e pensar sobre seus educadores (no meio de cada semana). Participantes foram convidados a realizar a prática informalmente ou escrevendo em um diário. Estes alunos relataram um aumento na habilidade de focar na aula e permanecer resiliente enquanto enfrentavam dificuldades na aprendizagem. 

Desenvolver um diário de gratidão também pode ajudar alunos e professores para melhorar a aprendizagem e ensino, respectivamente. Após o final de um dia ou semana, os professores podem perguntar aos alunos e escrever em seu diário pessoal três boas coisas relacionadas ao seu aprendizado. Professores sabiam usar o diário de maneira semelhante e tomar nota de três coisas que aconteceram em seu ensino durante o dia ou semana que eles são gratos para dedicar tempo para o diário de gratidão, atividade que é importante, por exemplo, horários de ensino que pode ser apertado. Desta forma, alunos e professores valorizam o tempo e a oportunidade de apreciar o que foi aprendido e ensinado e as pessoas envolvidas no processo.

Desafios 

Implementar gratidão na aprendizagem e ensinar pode ser desafiador. Aqui estão alguns dos principais desafios, professores e outros praticantes podem enfrentar ao praticar gratidão conforme identificado por Howells:

- Sistêmica - quando os praticantes possuem prioridades e pressões, na qual, devem se concentrar, isto é, em tarefas administrativas baseadas em processos, deixando muito pouco tempo para gastar com seus próprios desenvolvimentos profissional e em inovação no ensino

Conceitual - quando os profissionais veem a gratidão como uma prática que depende de seu estado ou humor. É importante (mas difícil) pensar sobre gratidão mesmo quando as coisas não saiam como planejado - por exemplo, às vezes de adversidade. Isso não deve distorcer a situação, mas deve construir resiliência.  

Reciprocidade - refere-se a um professor com falta de motivação para aplicar gratidão quando alunos ou colegas não são capazes de oferecer de volta. Enquanto praticar a gratidão deve significar que não há expectativa de obter qualquer coisa em troca, isso pode ser difícil para alcançar ou manter.

A gratidão, e como ela se expressa, pode ser influenciada por valores culturais e sociais, que sugere que a gratidão é uma pedagogia que pode ser adotada mais ou menos prontamente em diferentes países ou configurações. 

Conclusões

A gratidão como pedagogia traz benefícios para alunos e professores. Pode aumentar engajamento, conexão, foco e compreensão dos conceitos que estão sendo aprendidos. Pode melhorar a relação entre professores e alunos, para que aumentem a apreciação do que está sendo aprendido, e o que e quem está envolvido no processo de aprendizagem, incluindo pessoas e conteúdo. Gratidão como pedagogia pode criar um estado de preparação e consciência sobre a aprendizagem dentro e fora da sala de aula, incluindo ambientes online.

Expressando gratidão por alguém ou algo assim, alunos e professores podem melhorar o bem-estar e acalmar em meio ao estresse. A gratidão na educação também pode ser usada para aumentar a inclusão e a diversidade no ensino e aprendizagem, para melhorar o aluno de doutorado - relacionamentos entre supervisor e mentor-pupilo, e para construir resiliência, confiança e desempenho de atletas de elite. Tem sido cada vez mais incluído no desenvolvimento profissional de professores de escola, usado em educação infantil e explorada como um suporte adicional para pacientes com câncer. Como bem-estar e saúde mental são considerados amplamente dentro da educação, é uma pedagogia que pode ser altamente relevante no presente e em um futuro próximo. Suas aplicações são amplas e variadas e os resultados podem ser poderosos.


 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Currículo Oculto e tragédia na Educação Pública.



Joaquim Luiz Nogueira 


Diante da política pública federal e estadual para educação pública no Brasil nos últimos anos, o ensino básico e os prédios escolares foram negligenciados para uma sobrevivência com poucos recursos, sem manutenção, sem funcionários ou novos concursos, salários defasados entre outros.

Os poucos profissionais que ainda estão nas redes públicas, esgotados e abandonados, considerados como culpados pelo fracasso pela não aprendizagem dos estudantes e tendo que fazer ações para reverter uma situação criada pela política pública de fabricação de resultados por meio de plataformas e sistemas, começaram uma ação de forma individualizada, no sentido de apoiar as iniciativas das políticas estatais, já que são obrigados a acreditarem e cumprirem as determinações advindas dos superiores, porém, sabem que na prática, não funcionam.

Outros profissionais da educação foram acolhidos por licenças médicas anuais, alguns revezam entre tentar trabalhar e fisioterapias, consultas, dentistas, doação de sangue, abonadas, faltas justificadas entre outras. Aqueles que permanecem sozinhos nas salas de aulas, com alunos indisciplinados, faltosos, agressivos, drogados, semialfabetizados, fora da idade para série/ano, famintos, liberdade assistida, adolescentes grávidas e familiares desajustados e violentos estão trabalhando no limite.

Até quando, o sistema comandado por máquinas ou MATRIX irá segurar esta situação sem revolução, saques, revoltas, criminalidade excessiva, roubos, zumbis, população de rua, desempregados, falta de mão de obra qualificada e tantas outras coisas que derivam desta fonte construída por políticas governamentais que agradam o topo do sistema capitalista nacional e internacional.

O fato de ignorar o que acontece nas escolas públicas e jogar com a propaganda de escolas bonitas, eficientes e colaborativas, não vai ajudar em nada. Cada vez mais, um exercito de jovens desqualificados, despreparados, desajustados serão lançados na sociedade, isto é, mais violência, mais crime, mais fome, mais revolta e mais desemprego.

Talvez, os governantes deveriam reconhecer o erro desta política dos últimos anos na educação dos jovens pobres e parar de querer culpar os professores pela não aprendizagem. Que tal enxergar a matéria prima que temos nas escolas públicas? Já seria um começo. É fácil julgar as deficiências da escola, sem conhecer o público e a realidade da clientela dos prédios públicos.  Fazer teoria de gabinete, visando economia da máquina estatal, sem pensar nas consequências derivadas desta política tem preço elevado para pagar em longo prazo.  

A Revolução é silenciosa e lenta, porém depois de vários anos de incentivos legais para não reprovar na escola pública, os jovens que não sabem que não aprenderam o suficiente, são empurrados para um mercado competitivo, cujos melhores empregos acabam nas mãos daqueles que aprenderam em escolas particulares. A grande massa passa a formar uma espécie de indivíduos sem criticidade, sendo assim, manobrados e controlados por grupos, gangues, mídias, traficantes, torcidas organizadas, igrejas, políticos e outros.

A grande massa permanecendo sem emprego digno, na informalidade ou no empreendedorismo, começam a se comunicar por códigos, gritos, grunhidos, figurinhas de internet, gravações de voz, letras de músicas populares, gestos, desenhos no corpo, gírias, hábitos, palavrões, danças, entre outras linguagens. A Internet se encarrega de produzir e transmitir esta nova linguagem destinada a uma comunicação de fácil entendimento, principalmente para gerar conflitos, violência, ódio e descontrole social.

As mídias, o capital e os políticos, todos lutam para engajamento nesta nova forma de comunicação, pois desejam liderar a massa rumos aos interesses de seus empreendimentos: telespectadores, consumo e eleitores.  A educação pública também busca o domínio desta nova forma de comunicação e para isso, os professores devem aprender a linguagem dos códigos usados pelos estudantes, contagio que leva também ao aprendizado de hábitos não convencionais para resolução de problemas: gritos, gírias, grunhidos, respostas automáticas, manobras, espertezas, jeitinhos, entre outros.

Os pais e responsáveis pelos estudantes também aprenderam esta nova forma de comunicação com os filhos e seus pontos de vistas são semelhantes aos menores. Trata-se de uma grande represa de lama tóxica, com vários sinais de que pode romper a barreira a qualquer momento, ou seja, toda escola pública pode ser vista como tragédia anunciada, basta observar os diversos elementos que constitui sua comunidade.

Se os gestores das escolas públicas não reconhecerem o potencial aprisionado em seus interiores, podem iniciar a explosão a qualquer momento, pois, os elementos diversos acolhidos pelas escolas públicas, sem nenhum critério de matricula para aluno, sem estrutura de funcionários, segurança ou professores, logo, a tragédia torna-se questão de tempo.
Depois das tragédias, as escolas recebem apoio das mídias, das empresas e até dos governantes. O prédio pode ser reformado, os ambientes tornam se adequados e até contratam segurança.  

terça-feira, 28 de maio de 2019

Identidade pessoal ou projeto de vida na esfera privada e pública


Este artigo busca o sentido daquilo que entendemos por projeto de vida, segundo cada época histórica e de onde surge os valores que aos poucos são incorporados nos indivíduos. A relação entre os valores particulares e os coletivos, que em dadas circunstâncias políticas e econômicas oferecidas pelo mercado, fazem brotar nos espaços de fora do universo do trabalho e da política, iniciativas que são incorporadas pelas empresas e instituições educacionais.  
Joaquim Luiz Nogueira


A conquista do espaço doméstico e a separação em lares burgueses e populares na primeira metade do século XX na França mostra as transformações na esfera da vida privada das pessoas. “O século XX é o século da conquista do espaço (,..) o espaço doméstico necessário  para a plena realização da vida privada” (PROST in DUBY, 2010 p.62).  
Nesta primeira metade do século XX, os pais e os filhos viviam todos os atos da vida cotidiana as claras, ou seja, era impossível esconder algo da família, não havia muitas possibilidades para o isolamento dentro de uma residência desta época ”Da mesma forma, nunca se dormia sozinho: sempre várias pessoas dormiam no mesmo aposento, e amiúde na mesma cama” (PROST in DUBY, 2010 p.72). 
Os objetos das pessoas tidos como privados, eram raros, sendo a maioria deles de valor simbólico, recebidos como presentes dos pais: “uma faca, um cachimbo, um rosário, um relógio, uma joia, uma bolsinha de toalete ou de costura” (PROST in DUBY, 2010 p.73). Quanto aos mistérios das pessoas, Prost, nos informa que

(...) a vida privada se refugiava nos segredos, coisas silenciadas, inclusive aos filhos. Segredos pessoais: sonhos, desejos, temores, saudades, pensamentos efêmeros ou constantes, mas geralmente informulados. Estes eram confidenciados ao médico, ao tabelião e ao padre (PROST in DUBY, 2010 p.73).

Aos poucos, a vida privada das pessoas começa a ficar mais ampla, assim, que surgem as profissões, momento em que se divide em três partes: vida profissional ou pública, a vida familiar e a vida pessoal. O espaço doméstico se transforma para se configurar com novos contextos e temos mudanças nas figuras de poder: “a vida privada se viu praticamente presa ao controle da coletividade” (PROST in DUBY, 2010 p.77).
As residências ganham o muro, espécie de privilégio de algumas famílias para o controle rigoroso “o marido era o chefe da família; a mulher casada precisava ter sua autorização por escrito para abrir uma conta no banco ou para administrar seus próprios bens” (PROST in DUBY, 2010 p.77). Neste contexto, o indivíduo valia pela família e o poder dos pais sobre os filhos eram inquestionáveis:

(...) os filhos não tinham qualquer direito a uma vida privada. O tempo livre deles não lhes pertencia: cabia aos pais, que os encarregavam de mil tarefas. Eles vigiavam minuciosamente as relações de seus filhos e mostravam uma grande reticência quanto as amizades extrafamiliares (PROST in DUBY, 2010 p.79).
                                                                                                                                                         Nas famílias burguesas, essas práticas educacionais segundo Prost, davam aos pais o poder de decidir sobre o futuro dos filhos. Portanto, entre as famílias populares os filhos passam a escolher o ofício e os pais os colocavam nas instituições como aprendizes.  Antes, esse aprendizado se dava dentro da família, sendo esta, a célula base da sociedade, regida por normas. Esses valores quase desaparecem após a transferência do trabalho produtivo da família ser deslocado para fora do âmbito familiar.
Nesta fase, os pais passam a ser menos autoritários e não impõem aos filhos o controle rigoroso de antes, quando a necessidade de produzir em família fazia as leis, as tarefas e as normas. E nesta liberalização, as famílias transferem para a escola o aprendizado da vida em sociedade. De acordo com Prost, a escola recebe a incumbência de ensinar os filhos a respeitar as obrigações do tempo e do espaço.
Neste momento, os filhos passam a formar suas próprias relações como grupos de amigos e começam a surgir outros centros de vida privada para concorrer com a família, por exemplo, os internatos e os grupos de escoteiros. Tais necessidades sociais, derivam do universo de trabalho dos pais.
Segundo Prost, após a Segunda Guerra Mundial, os pais reconhecem que cabe aos filhos escolherem o futuro deles e a família, deixa de ser uma instituição para se tornar um simples ponto de encontro de vidas privadas. Temos então um contrate, de um lado se encontra os valores ligados a profissão, a fortuna e as qualidades morais dos pais e do outro, as inclinações estéticas e psicológicas que influenciam nas decisões.     
Para Prost, este é o momento que o casamento também deixa de ser uma instituição para ser uma formalidade e os jovens ganham independência dentro da família e podem sair de casa sem o casamento ou até morar com uma companheira sem casar. “Então se multiplicam os casais de jovem não casados, numa relação de coabitação juvenil” (PROST in DUBY, 2010 p.91).
O casal não é mais a norma exclusiva para criar filhos, sendo assim, transfere-se o espaço domestico com a socialização do trabalho, que por sua vez reduzem as tarefas ou obrigações cotidianas. O individuo passa a frente da família, e esta, agora se torna apenas uma reunião de indivíduos, cada um com sua vida particular. Prost chama de “individuo – rei” e começa o culto do corpo.
No início, temos o corpo    para as necessidades do trabalho: servo, robusto e fiel a labuta diária. O emprego exigia força física, vigor e resistência. Já na classe da burguesia, a vida estética e de representação ganha espaço na sociedade. A relação entre o físico e as roupas ganham mercado, pois as mulheres tinham que manter-se atraentes aos seus maridos.
A sociedade de consumo arrasta as pessoas para as práticas físicas e vestuários esportivos. A cultura física dos trajes de banho e das quadras de tênis, a dança e a ginastica retratam períodos de prosperidade dos centros sociais e clubes urbanos.
Os esportes enfatizam o esforço, o jogo e o prazer do corpo, assim como, o cuidado do corpo. Este prazer se une a higiene do corpo, pois, ser esportista, passa a ser uma forma de sintonia com seu tempo. Os hábitos modificam a relação do individuo consigo mesmo e com os outros, surge a preocupação com a aparência, o bem-estar e a autorrealização pessoal – “sentir -se bem na própria pele” (PROST in DUBY, 2010 p.102).   
Período em que as pessoas curtem as músicas e dançam sozinhas, eventualmente sem parceiro (Discotecas) A moda ganha as minissaias, bermudas e as camisas abertas. “ a evolução da dança traduz essa  bem essa novidade” (PROST in DUBY, 2010 p.103). O corpo se tornou   lugar   da identidade pessoal, sentir vergonha do corpo ou aceitar pensamentos, sentimentos, sonhos e nostalgias como elementos impostos de fora do indivíduo. Criam -se máscaras e personagens que vão além das ideias e convicções.  De acordo com Prost, a vida social não é mais constituída pelo trabalho, negócios, política ou religião. Ela é formada dos valores das férias, do corpo livre e realizado.
   As normas da vida social ditam a aparência jovem e a personalidade se confunde com o corpo. Necessidade de continuar a ser jovem e não adoecer. A expectativa de vida aumenta e o viver torna-se um direito de todos. O hospital torna-se segundo Prost, o templo da medicina – único lugar que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira científica. “Patenteia o desejo de viver situações intensas e a conversa de um médico com seu paciente é uma realidade e uma ideologia” (PROST in DUBY, 2010 p.110).
Agora, as pessoas nascem e morrem num hospital, isto é, uma existência ligada à vida e a identidade, pois, a retirada do âmbito familiar e do quadro doméstico, transfere-se para o cenário asséptico e funcional, tornando se o anônimo do hospital.
De forma muito diferente, o bairro onde o individuo vive, ele se aufere em proveito da vizinhança de que quem ele recebe, sorrisos, saudações, cumprimentos e troca de palavras. É a sensação de existir, ser conhecido, reconhecido, apreciado e estimado e em troca, apenas tem de respeitar as regras do bairro.
Na urbanização, segundo Prost, a semelhanças gera o anonimato e a extrema pobreza das relações sociais, pois as pessoas passam a fazer o que bem se entende. De acordo com pesquisa na França de 1975, afirma Prost, que para 73% dos jovens, a primeira qualidade de um trabalho era a de estar adaptado a seus gostos pessoais.
O trabalho para tais jovens significava uma expectativa da vontade de realização pessoal por meio do emprego. Prost nos fala que se tratava de jovens pouco qualificados, que contestavam por meio do comportamento, o caráter funcional e formal da organização da empresa. Para eles não existiam relações de trabalho, apenas relações.
Os interesses particulares eram exigências desejadas para estarem dentro das tarefas a serem realizadas no emprego “Eles reivindicavam direitos da vida privada no interior do trabalho. Havia uma recusa das condições de trabalho impostas pela introdução da informática” (PROST in DUBY, 2010 p.130).
Na luta entre interesses particulares no trabalho e as tendências do mercado de consumo, faz entrar em cena “Os novos métodos de organização que tentam devolver a autonomia a coletivos de trabalho (...) e incentivar a solidariedade de grupo ((PROST in DUBY, 2010 p.132).
As empresas são questionadas frente as demandas de mercado, que em nome da qualidade e de falta de dinamismo, segundo Prost, encontra se paralisadas pelo formalismo. E nesta fase, deve se incluir valores da vida privada dos indivíduos para quebrar as hierarquias que ainda comandavam após a Segunda Guerra Mundial nas organizações.
Para a nova demanda se fala em “papel social” e num estilo “menos rígido” ou menos formal, dando maior margem de autonomia aos participantes do processo de trabalho, assim, a organização teria mais eficácia. O cenário ganha a “liderança democrática” como vocabulário da empresa, seguindo a frase: “o chefe manda, o líder mobiliza colaboradores” (PROST in DUBY, 2010 p.132).
Em nome da eficácia, as “relações interpessoais” passam para a pauta do cotidiano das empresas, cuja ideia era de influenciar com a inclusão de novas relações de trabalho, trazidas do cotidiano dos trabalhadores. Esta nova metodologia atinge as grandes empresas e o setor de serviços, uma espécie de “reciclagem” dos funcionários ou formação de pessoal.
Esta evolução das práticas e das mentalidades com origem no cotidiano, modifica o estilo de autoridade “o chefe aperta a mão dos operários (...) é preciso ser gentil com o operário” (PROST in DUBY, 2010 p.133).Esta transformação vem com os acontecimento da França de 1968, quando a massa se apossa do direito de reivindicar a palavra “os estudantes dão exemplo, contestando a autoridade pedagógica dos professores” (PROST in DUBY, 2010 p.134).
Prost explica que o saber no qual se funda a autoridade do professor não basta mais para protegê-lo, ele passa a fazer parte de uma ordem abstrata, impessoal, sem nenhuma relação com os interesses dos indivíduos, que se transformaram em uma necessidade do coletivo. Os estudantes passam a falar na primeira pessoa e a “tomar partido (...) e dizer o que pensa (...) rasgam os papéis sociais” (PROST in DUBY, 2010 p.134).
As ideias trazidas pelo ano de 1968, influenciadas pela onda do pensamento socialista, que abordava a liberdade no sentido libertário da frase “é proibido proibir” e segundo Prost, todos tomam a palavra e esperam ser ouvidos em um desejo de reconstrução das relações públicas do trabalho, ou seja, incluindo normas de interesse particular, estabelecida entre indivíduos.
Nesta fase, as organizações empresariais começam a trabalhar com os valores humanos, tais como generosidade, amizade, solidariedade. “não se diz mais Senhor, diz se você” (PROST in DUBY, 2010 p.134). As pessoas passaram a descobrir uma as outras e se conhecerem, numa tentativa de diminuir o anonimato dos indivíduos.
Surge o termo “autogestão” nas organizações pós 1968, os indivíduos se envolvem mais na empresa e ao incluir valores cotidianos, contrastam-se com os objetivos da empresa. Para Prost, a liberdade individual e a vontade de não se alienar incorpora no universo do trabalho e da política, que por sua vez, obedece a pressões de mercado e não do próprio do indivíduo. 
Nesta fase, de acordo com Prost, o que é posto em questão é o conjunto de “papéis sociais” , já que a vida pública anterior atribuía ao indivíduo uma posição e uma série de funções que comandavam os papéis a serem desempenhados. Anteriormente, os comportamentos das pessoas eram mais previsíveis pois os contatos e as relações sociais restringiam a espontaneidade das pessoas.
Como a evolução política das empresas e do mercado apagam as diferenças de posição  e hierarquia entre as pessoas, a vida coletiva se mostra para revelar o contato iguais das pessoas, todos sendo aceitos em suas particularidades.  É a decadência dos valores do lar e da família para os interesses coletivos das massas que diluem os papéis sociais das funções públicas anteriores.
O novo estado de espírito inaugura o que Prost chamou de “indústria dos encontros”. Agora o sorriso e a desconcentração se convertem em normas. O indivíduo deve se aceitar, ser simpático e participativo, pois o “sério” da vida social do passado foi desqualificado como algo medíocre e o estilo descontraído passa a ser incentivado nos meios de comunicação de massa para utilização dos indivíduos.
O início destes novos valores começou de acordo com Prost, fora do universo do trabalho e da política, foi no espaço privilegiado das férias, dos jogos coletivos e dos clubes sociais. Trata-se do contraste do mundo do trabalho que passaram a formar os novos estilos das relações sociais, as formas de acolhimentos das colônias de férias com abolições de barreiras, hierarquias e posições sociais.
Pregam relações humanas mais verdadeiras e promovem encontros descontraídos que facilitam contatos e afinidades entre as pessoas. Os novos líderes são de perfil animador e permitem a participação de todos, incorporam as qualidades do comediante moderno segundo Prost, capaz de zombar de si mesmo, assim, consegue minar a consistência e a seriedade dos papéis públicos.
A moda e as roupas ajudaram neste processo de desqualificações dos papéis públicos, os vestuários das décadas pós 1968 permitiram uma primeira qualificação social dos indivíduos, isto é, códigos sociais novos que regiam as várias circunstâncias da vida pública. Eram a moda da nova sociedade descontraída com formas reguladoras mais brandas que poderiam garantir segundo Prost, a coesão social.
Para Prost, a ilusão de independência alimentava os indivíduos para um comportamento mais conformista, sustentado por modo de vida consumista que passa a ideia que a pessoa está bem informada. O indivíduo se julga independente para pensar por si mesmo e ilustra suas ideias ao repetir a opinião mais recente que chegou até ele pelos meios de comunicação de massa.







[i] PROST, Antoine. Fronteiras  e espaços  do privado. In DUBY, Georges (org.)  História da vida Privada: da Primeira Guerra aos nossos dias. São Paulo. Companhia das Letras  2010. P. 13 – 154.