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domingo, 29 de agosto de 2010

Pedagogia dos estágios da emergência

Ao entrarmos na sala de aula somos forçados a esperar que os alunos entrem para sala e sentem-se, para apressar isso, ficamos na porta para convencer o aluno a entrar, já que o desejo de alguns seria permanecer no corredor ou no pátio. Uma vez que todos se encontrem no interior da sala, vem a missão seguinte, fazer com que eles sentem na cadeira, pois muitos deles estão sobre as mesas ou em pé e o nosso próximo passo, tentar fazer com que eles parem de gritar , falar ou insultar o colega.


O professor descarrega na mesa vários diários de classe, encontra o da determinada série, verifica o conteúdo e ao se direcionar para seu trabalho em meio a essa agitação, sempre é interrompido por “posso ir ao banheiro” ou “quero tomar água”. Despistamos logo esses casos e temos que apagar a lousa para dar início ao conteúdo da apostila e assim que anunciamos o tema da aula, vários gritam: “esqueci a apostila” ou “não tenho apostila”. Então começa o “se vira nos 30 minutos de aula que ainda resta” . Sentem-se juntos com os colegas que possuem o material, ordena o mestre e daí começam arrastar as carteiras até vários se levantarem novamente. E até que enfim, vamos dar início a nossa aula sobre (...) E daí vem as respostas participativas, “não entendi nada” ou “é só para copiar essa bagaça”! O passo seguinte é esclarecer essas dúvidas construtivas e logo depois, eles gritam, não vai fazer a chamada? Não posso ficar com falta.

Concluímos que nessa aula trabalhamos de controlador de fluxo dos alunos e ensinamos palavras de ordem como “Entrem na sala! Sentem-se na cadeira!. Bom, estamos lutando contra a vida sedentária dos alunos, um tema emergente no mundo atual. Na fase seguinte ensinamos como solucionar conflitos oferecendo orientações para que um não espanque o outro após ser insultado ou provocado, outro tema urgente para sobreviver na sociedade de risco. Depois ainda ensinamos como trabalhar com diferentes desejos dos alunos e como improvisar para que a aula tivesse continuidade e isso é demonstrar criatividade para os alunos, atitude procurada em funcionários das maiores empresas da economia de mercado. E para terminar a aula, ainda constamos que os alunos estão no mundo das incertezas, não conseguem entender o que estão fazendo naquele espaço sem nenhum material de apoio, e portanto, o mestre também já vagava no tempo, esquecendo do registro da chamada, habilidade muito importante para melhorar os índices de evasão escolar.
Boa aula, ótimo, mais lamentamos, pois temos que repetir muitas vezes esse conteúdo, pois estamos na educação continuada.

Conteúdo da aula: sedentarismo, não-violência, diferenças e criatividade no mundo das incertezas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Cotidiano escolar

Ao investigarmos o cotidiano da escola a partir das técnicas informatizadas, que criam bancos de dados e apontam para o sentido de ajudar nas quantificações das diversas nomenclaturas usadas para classificar os alunos e depois, apresentá-los a comunidade escolar como rendimento escolar.

Verificamos que os dados são digitados nas máquinas (computadores) de forma que as mesmas passam a oferecer estes resultados e as respostas, qualificando e distribuindo os alunos de acordo com certa nomenclatura registrada (programada) em sua memória de forma globalizada para todos os alunos.

Constatamos que a escola trabalha em cooperação com os computadores, que lhes ensinam a partir de dados percentuais e informativos, como e quais os alunos que terão tratamentos diferenciados no próximo bimestre ou ano letivo.

Na escola atualmente, recebemos as tarefas diárias por meio da informática, isto é, fax, telefone, Internet, redes, teleconferências etc. Desta forma, podemos considerar que estamos sendo bombardeados por dados e informações que nem sempre correspondem as reais necessidades de nossa comunidade escolar.

Reconhecemos que a participação da comunidade escolar, assim como a dos alunos, são de certa forma, devoradas pelas nomenclaturas e classificações oferecidas pelas técnicas computadorizadas e confirmadas pelos humanos que se justificam tais valores como científicos.

Averiguamos que na escola o poder tecnológico ganhou força como mecanismo de resolução de problemas, cujas pessoas, passaram a depender em grande escala da tecnologia e esperam que os computadores resolvam problemas variados dos alunos, entre eles, dificuldades de leitura, escrita, lazer e afeto.

Ocupamos a maior parte de nosso tempo de trabalho como gestor na escola, trabalhando na digitação de dados ou recebendo informações para orientar as nossas ações diárias e assim, não conseguimos ouvir o nosso aluno e a comunidade, já que estamos sempre cumprindo os deveres que nos são enviados por meios eletrônicos de fora de nossa comunidade escolar.

Deduzimos que para construirmos uma aprendizagem de cidadania com nossos alunos, talvez tenhamos que valorizar mais os humanos do que as máquinas, isto é, não esperar que a digitação dos dados segundo uma nomenclatura globalizada e oferecida por programação, nos indiquem como trabalhar de forma mais cidadã na escola.