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domingo, 15 de janeiro de 2012

Nota vermelha no BO

Como o Texas pôs a polícia para vigiar a escola

Artigo da Folha de São Paulo de 16/01/2012

RESUMO A presença de policiais armados em escolas dos EUA gera desde os anos 90 uma onda de criminalização do mau comportamento de crianças e adolescentes, levando para a esfera policial questões de ordem pedagógica. Processos judiciais, multas e cadeia estigmatizam colegiais e criam uma "via direta da escola à prisão".

CHRIS McGREAL /tradução CLARA ALLAIN

A DENÚNCIA QUE constava no boletim de ocorrência era "perturbar a sala de aula". Mas não foi assim que Sarah Bustamantes, 12, enxergou sua detenção por borrifar perfume no pescoço, em sala de aula, ao ser atormentada por seus colegas. "Você fede!", diziam.

"Sou esquisita. As outras crianças não gostam de mim", diz Sarah, diagnosticada com transtorno bipolar e de déficit de atenção e que tem consciência de ser obesa. "Elas me disseram um monte de coisas ruins. Me atormentaram. Por isso, passei perfume. Então falaram: 'Guarda isso, esse é o pior cheiro que já senti na vida'. A professora chamou a polícia."

O policial não precisou se deslocar muito. Ele patrulha os corredores da escola de Sarah, a Fulmore Middle, em Austin, no Texas. Assim como centenas de escolas texanas e de boa parte dos EUA, a Fulmore Middle conta com força policial própria, com guardas fardados e que portam armas de fogo para manter a ordem em cantinas, pátios e salas de aula. Sarah foi retirada da sala e acusada de contravenção, recebendo a ordem de comparecer a um tribunal.

TRIBUNAIS Todo dia, centenas de colegiais vão a tribunais no Texas, sob acusações como uso de linguagem chula, mau comportamento em ônibus escolares ou brigas no pátio. Crianças já foram detidas por posse de cigarros, por usar roupas "inapropriadas" ou chegar atrasadas à escola.

Em 2010 a polícia entregou cerca de 300 mil notificações de "infração classe C" a crianças no Texas -algumas com apenas seis anos-, dentro e fora de escolas. As punições são multas, prestação de serviços comunitários e até prisão. Algo que, no passado, seria punido com uma bronca do professor ou um telefonema aos pais hoje pode resultar em detenção e em registro na ficha policial, o que pode vir a custar um emprego ou uma vaga na faculdade.

"Criminalizamos o comportamento da infância e adolescência", disse Kady Simpkins, advogada de Sarah Bustamantes. "São crianças."

Neste momento, o Texas reavalia sua reação aos temores suscitados pela ação de jovens "selvagens". Críticos dizem que ela criou uma "via direta da escola para a prisão". O juiz Wallace Jefferson, da suprema corte do Texas, alertou que "acusar crianças e jovens de delitos criminais, no caso de questões comportamentais", ajuda a impelir muitas delas para a vida na prisão.

No ano passado, o parlamento do Texas modificou a lei de modo a impedir a intimação judicial de crianças de 10 e 11 anos por mau comportamento em sala de aula (no Estado, a maioridade penal é 10 anos). Mas uma lei mais ampla, que visava eliminar a prática, não passou e só poderá voltar a ser votada em dois anos.

Até o governo federal já interveio. O secretário nacional de Justiça, Eric Holder, comentou as citações criminais usadas para manter a disciplina nas escolas: "Isto precisa parar, sem dúvida".

A ênfase sobre a lei e ordem em sala de aula surgiu nas mais de duas décadas de ampliação de todos os setores do policiamento no Texas, numa reação aos temores injustificados de uma onda de criminalidade que estaria chegando. Esses temores surgiram em todo o país na década de 1980, alimentados pela epidemia de consumo do crack, por estudos acadêmicos alarmistas e pela mídia.

Parte disso incluiu a aprovação de leis que fizeram dos EUA o único país desenvolvido a permitir a prisão perpétua a crianças de 13 anos, sem possibilidade de liberdade condicional, muitas vezes por cumplicidade em homicídios cometidos por adultos.

"O termo tolerância zero começou empregado no combate ao tráfico de drogas e hoje tornou-se usado amplamente quando se fala em medidas de disciplina escolar muito punitivas. Esses dois universos de policiamento se fundiram", diz Deborah Fowler, vice-diretora do Texas Appleseed, de Austin, grupo de defesa dos direitos legais, e principal autora de um estudo sobre as consequências do policiamento nas escolas do Texas.

COLUMBINE No meio da campanha ocorreu o massacre da escola de Columbine, em 1999, onde dois estudantes do Colorado mataram 12 alunos e um professor a tiros antes de se suicidarem. Os pais clamaram por proteção a seus filhos, e, para muitos, a polícia nas escolas parecia ser a resposta certa.

Mas a maioria das escolas não enfrenta ameaça séria de violência, e os policiais que patrulham corredores e cantinas em geral não enfrentam mais do que comportamentos turbulentos ou desrespeitosos, normais na infância e na adolescência.

Entre os casos mais extremos documentados pela Appleseed está o da professora que mandou prender um aluno que, questionado sobre onde uma palavra podia ser encontrada num texto, respondeu "em seu 'culo' [cu]", arrancando gargalhadas dos colegas. Outro foi preso por atirar aviõezinhos de papel.

Alunos são multados por "comportamento desordenado", que inclui brigas no pátio que não chegam a justificar uma acusação de agressão física, além de xingamentos ou gestos ofensivos. Um adolescente foi preso e enviado a um tribunal em Houston depois de uma briga com a namorada em que um jogou leite no outro.

Quase um terço das citações envolve drogas ou álcool. Uma parcela relativamente alta das citações (até 20% em alguns distritos escolares) envolve acusações sobre o uso de armas, mas na maioria dos casos as armas empregadas foram os punhos.

Crianças muito novas não são poupadas. De acordo com a Appleseed, registros do Texas indicam que, nos últimos seis anos, mais de mil citações judiciais foram emitidas para alunos da escola primária (ainda que, nessa idade, as citações não tenham força legal). A organização diz que "vários distritos escolares enviaram citações a uma criança de seis anos de idade pelo menos uma vez nos últimos cinco anos".

MULTAS As multas aplicadas podem chegar a US$ 500. Para pais de baixa renda, o custo pode ser altíssimo. Alguns pais e alunos ignoram as multas, mas isso pode ter consequências para a criança no futuro. Alunos que não pagaram multas volta e meia são punidos com a prisão em penitenciárias de adultos ao completar 17 anos. E o pagamento tampouco soluciona seus problemas. Uma infração classe C é um delito criminal.

"Pagar a multa representa a admissão de sua culpa, e a infração passa a constar de sua ficha", diz Simpkins. "Aqui nos EUA os custos da faculdade são astronômicos. Ao preencher o formulário para solicitar subsídio federal, sua ficha revela se você já foi detido. Se foi, você não recebe subsídio."

Um garoto de 16 anos de um colégio em Seguin, no Texas, se "recusou a cooperar" ao ser questionado por que não estava usando o crachá de identificação e recebeu um choque dado por arma não letal (Taser). Em seguida, ele teria usado "linguagem abusiva". A polícia disse que, quando um policial tentou prender o rapaz, este tentou mordê-lo.

O jovem foi acusado de resistência à prisão e de invasão criminosa de recinto, apesar de a escola reconhecer que ele estuda lá.

Casos desse tipo não se limitam ao Texas. Em um caso na Califórnia que ficou notório, um segurança escolar quebrou o braço de uma garota ao prendê-la por não ter limpado migalhas do chão, depois de ela ter deixado cair uma fatia de bolo na cantina da escola.

Em outro incidente, a polícia do campus da Universidade da Flórida usou arma de choque contra um estudante por ter pressionado o senador John Kerry com uma pergunta incômoda num debate, depois de ter sido instruído a calar a boca.

OUTRO LADO "Há um número substancial de estudantes que infringem as leis. No Texas e nos Estados Unidos como um todo, se você recebe uma citação judicial isso não significa automaticamente que será condenado", diz Brian Allen, chefe de departamento de polícia escolar do distrito de Aldine e presidente da associação de chefes de polícia escolar do Texas.

"Você tem a oportunidade de comparecer diante de um juiz e se defender. Se você é professor e um aluno que tem o dobro do seu tamanho lhe dá um soco na cara, o que você pode fazer? Vai usar as habilidades que lhe ensinaram ou vai chamar um policial?"

Ele, porém, admite que a grande maioria dos incidentes que envolvem a polícia tem a ver com infrações que, em outro contexto, não seriam vistas como pouco mais que comportamento desregrado.

PROFESSORES Os pais que foram sugados para dentro do sistema se perguntam por que os professores deixaram de responsabilizar-se pela disciplina nas escolas.

"Fiquei revoltada com a professora, porque ela poderia ter impedido tudo isso" diz Jennifer Rambo, a mãe de Sarah Bustamantes. "Ela poderia ter fito: 'Ok, classe, já chega'. Poderia ter mandado Sarah lhe entregar o perfume e dito a ela: 'Isso não é adequado, não faça isso em sala de aula'. Mas ela não fez nada disso. Chamou a polícia."

"Os professores recorrem à polícia para implementar a disciplina", diz a advogada Simpkins. "Isso acontece em parte porque não querem responsabilizar-se pela disciplina. Não querem ter problemas por isso. O pai ou a mãe não poderão ir à escola e gritar com eles. Os professores dizem: 'Não somos nós, é a polícia'."

Um professor de Austin que pede para não ser identificado discorda. "Existe a visão equivocada de que são só alguns adolescentes que se comportam mal -adolescentes sendo adolescentes. Mas não estamos nos anos 1950. Hoje em dia, muitos pais não controlam seus filhos. Seus pais estão ausentes e eles estão em gangues", diz.

"Os adolescentes vêm para a sala de aula e não têm respeito nem disciplina. Às vezes são muito ameaçadores. A polícia é chamada porque assim o professor consegue continuar a ensinar, em vez de desperdiçar metade da aula lidando com um só aluno, e assim uma mensagem é transmitida aos demais."

Com base nas desordens mentais de Sarah Bustamantes, um grupo de defesa dos direitos de deficientes fez sua defesa e, após meses de batalha, os promotores desistiram das acusações.

Indagada sobre como se sente em relação à presença da polícia nas escolas depois daquilo que viveu, Sarah se mostra ambígua.

"Precisamos da polícia na escola. No meu colégio, as discussões podem virar brigas muito feias", diz ela. "Mas a polícia devia parar de mandar citações judiciais. Apenas para brigas de soco ou para bullying. Não para as coisas que a gente faz em sala de aula."

Todo dia, centenas de colegiais vão a tribunais no Texas, sob acusações como uso de linguagem chula, mau comportamento em ônibus escolares ou brigas no pátio

Os temores de uma onda de criminalidade juvenil surgiram em todo o país na década de 1980, alimentados pela epidemia de consumo do crack, por estudos alarmistas e pela mídia

Crianças muito novas não são poupadas. Registros do Texas indicam que, nos últimos seis anos, mais de mil citações judiciais foram emitidas para alunos da escola primária

"A polícia é chamada porque assim o professor consegue continuar a ensinar, em vez de desperdiçar metade da aula lidando com um só aluno", diz um professor

Publicado originalmente no jornal britânico "The Guardian".

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/20014-nota-vermelha-no-bo.shtml

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma semana longe da rotina


Um encontro com a natureza, enquanto ainda temos.....

Terapia de um dia na lagoa para esquecer aulas, provas, indisciplina etc;
Entre tantas outras coisas que podem ligar o Homem a sua insignificância está a grandeza da natureza, que com sua simplicidade nos conecta a beleza de um pôr do sol inesquecível e um silêncio entrecortado por cantos de araras, saracuras, rãs e sapos.

Olhar o final da tarde sobre a escuridão da natureza também ajuda na reflexão sobre nosso cotidiano e o que de fato significa um ano de trabalho... Temos a sensação que lutamos numa batalha perdida, que além de exaustiva, significa apenas a ilusão de uma porta que não precisa bater, pois já está aberta.. .



A observação de pássaros nos levam para perguntas sobre outras maneiras de conviver na diversidade.....


http://www.youtube.com/watch?v=9f5Gre0YuX4&feature=youtu.be

E talvez tenhamos que voltar para o mesmo lugar simplesmente para falar as pessoas que existimos apesar de tudo.....

Som ambiente do sertão para dormir
http://www.youtube.com/watch?v=vwjs6vILfHU&feature=youtu.be

Os habitantes das árvores
http://www.youtube.com/watch?v=ollVjXgqkaQ&feature=youtu.be

No momento da sede
http://www.youtube.com/watch?v=h0IBDx5Oia0&feature=youtu.be

Veja também outras imagens inesquecíveis
http://gestaodosucesso.blogspot.com/2010/12/os-pescadores-de-fim-de-ano.html

domingo, 18 de dezembro de 2011

Botucatu e sua arquitetura histórica

Prof.Joaquim Luiz Nogueira, Historiador, Pedagogo e Mestre em Comunicação e semiótica pela PUCsp.
                                                                         Saiba nais sobre o autor: http://jolnogueira.wix.com/gestaodosucesso#!gestarsucesso/mainPage


Um dos elementos que nos atrai nessa arquitetura histórica botucatuense é o emprego da chamada Art Nouveau (Arte Nova), com origem na França do século XIX, espalhou-se para outros países e chegou ao Brasil a partir do Pará, segundo Freyre:
(...) a progressiva capital do Pará nos grandes dias da borracha, em papel coché. Luxo que se conciliava com os dos boulevards, o das obras de ferro rendilhado mandados vir da Europa já feitas por artistas europeus, o dos jardins, o da arquitetura Art Nouveau, com que o chamado “oligarca” abrilhantava a Velha Santa Maria do Belém. E do Pará espalhou-se pelo Brasil. (FREIRE, 1959 p. 474)




A origem da guirlanda, assim como da roseta, de acordo com o Professor de mitologia americano Joseph Campbell, ambas nos remetem as antiguidades orientais e a simbologia do circulo ou da mandala:
Mandala é a palavra sânscrita para “circulo”, mas um circulo que é montado ou desenhado simbolicamente, o que lhe permite adquirir um significado de ordem cósmica. Ao compor mandalas, você está tentando coordenar seu circulo pessoal com o universal ( CAMPBELL, 1990 p.227.



Mas, voltando ao arranjo floral do prédio da Rua Amando de Barros, podemos observar que no interior da Roseta temos um elemento que foge ao orientalismo e nos instiga a perguntar o significado. E para decifrarmos o enigma, Gilberto Freyre nos fala sobre a tentativa dos portugueses em mesclar motivos florais e zoomórficos na arquitetura:
A união da escultura decorativa oriental com a arquitetura ocidental, levada pelo português da Europa ao Oriente, tomou relevo em edifícios não só monumentais, como médios construídos desde o século XVI no Oriente. Talvez venha dessa união de escultura decorativa de gosto oriental – embora essa própria estrutura o português a tenha adaptado as condições não europeias, principalmente tropicais, de clima, de luz, de ecologia, valendo-se ao que parece, de lições para ele aprendidas como mouro desde dias remotos – o desenvolvimento no Brasil e no próprio Portugal, da utilização em frontões e portas de igrejas e não apenas na decoração de exterior ou interior de palácios, de motivos florais e zoomórficos inspirados na natureza tropical: abacaxis, palmas, leões. (FREYRE, 1962, p.196).

Nesse caso ficaremos com a sugestão de Freyre, isto é, o artesão incluiu uma folha de palma, vegetação de caatinga, mas é encontrada em diversas regiões brasileiras. E se observarmos com mais atenção, ainda vemos traços que cruzam a folha, mesmo que o artista prefira as terminações curvilíneas do Art Nouveau nas extremidades. E logo abaixo, outro edifício decorado com elementos florais e zoomórficos, também mostra a figura de um leão inspirada na natureza tropical.



Vejamos mais um edifício botucatuense cuja fachada apresenta dois leões e ambos estão com seus corpos voltados para uma miniatura de torre em forma de botão de flor, e que desabrocha como cálice, continuando fortalecida para produzir novamente novas gerações semelhantes.


De acordo com Edgar Morin, a arquitetura do final do século XIX e início do século XX conserva traços da cultura ilustrada, cujos ornamentos mostram uma necessidade de uma civilização da força, do poder e da riqueza:
A cultura ilustrada aparece como uma espécie de supercultura, uma quintessência, o suco mais sutil que a sociedade pode produzir. E isso tem dado como resultado, até as crises recentes, sua extrema valorização aos olhos tanto dos seus possuidores como daqueles que não a têm. Ela parece, de fato, conter a um tempo uma universalidade essencial (...) e, por isso mesmo, a espiritualidade que é a máscara, a falta, o ornamento, a necessidade de uma civilização da força, do poder e da riqueza. (MORIN, 2006,p.81,82).
No Brasil do final do século XIX e início do século XX, as riquezas advindas das culturas da borracha na Região Norte e da cafeicultura no Sudeste, introduziram soluções arquitetônicas sofisticadas por mesclas culturais:
Os palacetes e casarios do potentado local (...) introduziram soluções arquitetônicas sofisticadas, pontuadas por orientalismo, colunas greco – romanas, volutas e rebuscada curvas art nouveau, que pasmavam as vistas daqueles recém desembarcados (SHAPOCHNIK in SEVECENKO, 2006, p.197).



A mescla de diversos elementos culturais na arquitetura brasileira desse período corresponde, segundo Francastel, no empenho artístico em fixar elementos móveis do contínuo que foge da percepção, juntamente com sistemas lineares, estabilizados e simétricos:
Os artistas do final do século XIX e início do século XX empenharam-se em fixar elementos móveis do contínuo que foge da percepção para integrá-los em sistemas abertos e não mais rigorosamente simétricos, isto é, estabilizados, eles se esforçaram por aprofundar a experiência do ritmo. (FRANCASTEL, 1993, p.197).
Os arranjos arquitetônicos do prédio acima trabalham com a ideia de linearidade mesclada as curvas elegantes do arco romano, acrescentadas as guirlandas e máscaras da Art Nouveau. Não faltando o toque das colunas gregas, orientalismos e as janelas semelhantes a portas para aproveitamento do clima e da luz em áreas tropicais.


Na imagem abaixo, temos uma fachada que empregou duas máscaras humanas em estilo Art Nouveau:


Ainda na mesma rua, encontramos um prédio com traços da arquitetura chamada Jesuítica, muito comum nas construções das missões no Sul do Brasil, mas não deixa de incorporar rosetas e no alto de suas colunas a concha, que segundo Vlademir Alves de Souza, pertence ao estilo rococó francês (1715-1774), reinado de Luis XV. (SOUZA, 1980, p.61)



E na esquina da Rua Floriano Peixoto com a Av. Santana, temos uma obra maravilhosa da arquitetura eclética ou histórica, pois mescla elementos culturais, tais como: orientalismo com máscara de leões e rosetas, Art Nouveau, arco romano e traços da arquitetura jesuítica.




A imagem enigmática situada dentro do arco e que figura uma ave de asas abertas, mas que, no lugar das penas, localizam-se florais simulando voo, significa a criatividade regional, que segundo Lúcio Costa, é produto espontâneo das necessidades e conveniências da economia e do meio físico e social. (COSTA, 1980, p.11).

Veja também
http://gestaodosucesso.blogspot.com/2011/10/uma-leitura-da-fachada-da-escola.html

Referencias Bibliográficas

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. (Entrevista a Bill Moyers). Org. Betty Sue Flowers. Trad. Carlos Felipe Moisés. São Paulo: Palas Athena, 1992.
_________, Joseph. Imagem mítica. Campinas, São Paulo: Papirus 1994.
COSTA, Lúcio. Arquitetura. Rio de Janeiro: Bloch Fename, 1980.
FRANCASTEL, Pierre. A realidade figurativa. São Paulo: Perspectiva, 1993.
FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso. Rio de Janeiro: Editora José Olimpio, 1959.
______, Gilberto. Vida, forma e cor. Rio de Janeiro: Record, 1987.
MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: neurose. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
______, Edgar. Cultura de massas no século XX: Necrose. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
______, Edgar. O Método 5: a natureza da natureza. Porto Alegre: Sulina, 2005.
SCHAPOCHNIK, Nelson. Catões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade in SEVCENKO, Nicolau. (org.) História da vida privada V.3. República: da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p.423-512.
SOUZA, Vlademir Alves de. Artes Plásticas II V.9 Rio de Janeiro: Bloch Fename, 1980.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Acreditar é humano

Esse é mais um texto de MARCELO GLEISER que faço questão de divulgar em meu blog. Em negrito, algumas frases que selecionei como de grande importância no texto.

MARCELO GLEISER

Acreditar é humano

A religião nasceu da união de reverência e necessidade. E, assim, continua definindo como a maioria vê o mundo

O ser humano é um animal acreditador. Talvez esse seja um bom modo de definir nossa espécie. "Humanos são primatas com autoconsciência e a habilidade de acreditar." Já que " acreditar" sempre pede um "em quê?", refiro-me aqui a acreditar em poderes que transcendem a percepção do real, algo além da dimensão da vida ordinária, além do que podemos perceber apenas com nossos sentidos.

Eu me pergunto se a necessidade de acreditar em algo (não uso a palavra "fé", pois essa tem toda uma conotação religiosa) é consequência da consciência. Será que outras inteligências cósmicas também acreditam?

Parece que somos incapazes de viver nossas vidas sem acreditar na existência de algo maior do que nós, algo além do "meramente" humano. Bem, nem todos nós, mas a maioria. Isso desde muito tempo. Para os babilônios e egípcios, os céus eram mágicos, a morada dos deuses, ponte entre o humano e o divino. Interpretar os céus era interpretar mensagens dos deuses, muitas vezes dirigidas a nós mortais.

Essa divinização da natureza é muito mais antiga do que a civilização. Pinturas rupestres, os símbolos mais antigos da expressão humana, já demonstram a atração que nossos ancestrais nas cavernas tinham pelo desconhecido, sua reverência por poderes além de seu controle. As pinturas de animais representavam encantamentos, uma mágica gráfica criada com o objetivo de auxiliar os caçadores em sua empreitada, cujo sucesso garantia a sobrevivência do grupo.

Fico imaginando o poder que essas imagens -que dançavam à luz do fogo- exerciam sobre o grupo reunido na caverna, uma tentativa de recriar a realidade para ter algum controle sobre ela. A religião nasceu da combinação de reverência e necessidade. E assim continua, definindo como a maioria dos humanos vê o mundo.

Mesmo após termos desenvolvido meios para explorar fontes de energia da natureza, estamos ainda à mercê dos elementos. Muitos chamam enchentes, tornados, erupções vulcânicas ou terremotos de atos divinos, representando forças além do nosso controle.

A ciência, claro, atribui esses desastres a causas naturais, o que acarreta abandonar a crença de que a fé pode nos ajudar de alguma forma a controlá-los. Fica difícil, hoje em dia, rezar para o deus do vulcão ou para o deus da chuva.

Esse é um desafio para a ciência e para os seus educadores: a ciência pode explicar, às vezes prever e, até certo ponto, proteger-nos de desastres naturais. Porém, não pode competir com o poder da crença na imaginação humana, mesmo na completa ausência de evidência de que possa nos proteger contra desastres naturais.

O mundo estava cheio de deuses no início da história da nossa espécie e, para muitas pessoas, assim continua. A resposta, parece, não é tentar transformar a ciência numa espécie de deus, substituindo uma crença por outra, mas, ao contrário, mostrar que vidas podem ser vividas sem a crença em poderes divinos cuja intenção é nos manipular, seja para o bem ou para o mal.

Talvez a maior invenção da vida na Terra tenha sido essa espécie de primatas com a capacidade de imaginar realidades que a transcendem.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita"

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/14143-acreditar-e-humano.shtml Acesso em 11 de Dezembro de 2011.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A leitura do mundo que nos cerca e como interpretá-lo?


Joaquim Luiz Nogueira

No livro acima o autor Joaquim Luiz Nogueira busca mostrar aos seus leitores logo de início, algumas maneiras de se renovarmos a partir do que vemos, Vejamos:

“Assim, dividimos, redistribuímos, comparamos ou multiplicamos os objetos e os conceitos que chegam à nossa consciência. Tornamo-nos criadores de universos, de mundos próprios, fechados, protegidos e ditatoriais.
Esses lugares tão vigiados pela consciência tornam-se recintos nos quais preservamos somente as coisas boas que resultam de nossas experiências cotidianas. De outro lado, tendemos a ignorar nossas fraquezas ou temores quando falamos deles aos outros. Nosso intento é fabricar mundos perfeitos em nossa consciência e projetá-los com confiança para os que se encontram ao nosso redor. Criamos e passamos a defender esses pequenos universos imaginários por meio dos quais interagimos com as pessoas com quem convivemos ou nos relacionamos de algum modo num contexto social.(NOGUEIRA,2009)

Dessa forma estamos respirando algo entre o local e o externo, porém, quanto mais diversificado o ambiente ao seu redor, melhores serão as oportunidades de escolhas. A capacidade somática humana em ver as coisas de forma perfeita, negando o que não representa a vontade individual, amplia assim, imagens, palavras, sons, cores e demais elementos significativos e relevantes ao indivíduo. .

Temos muitos mundos ficcionais na mente humana, e eles nos orientam para fazermos substituições, combinações e equivalências, ditando dessa maneira a forma de existência. Definem também as opções teóricas, epistemológicas e metodológicas, as quais imprimem no indivíduo o modo de escolher, distribuir e hierarquizar sua existência.

As decisões sobre o que pretendemos fazer implicam em estados emocionais paralelos, que de certa maneira, também dependem das transformações ocorridas na prática, A qualidade dessas construções do campo das ficções, combinadas as necessidades reais, despertam a vontade do querer fazer, cujos gostos e atitudes tendem a imitar aquilo que corresponde a imagem idealizada, e que transforma as relações do próprio sujeito com o mundo.

Se o plano da ficção pode ser tocado pela mente, e esse, pode servir como observador externo, sendo capaz de ampliar os elementos que nos provocam efeitos de sentido. Abrem-se também outras dimensões capazes de nos comunicarem valores que ignoram tempo e espaço, atraindo assim, os sentidos do corpo, que experimentam outros níveis de existência por milionésimos de segundos.

Acreditamos que quanto mais viajarmos nesses lugares perfeitos ou permanecermos por lá, melhor será o aprendizado e a transformações das práticas cotidianas.

domingo, 13 de novembro de 2011

O cérebro determina o que é real? Marcelo Gleiser

Este texto de Gleiser nos convida para discussão sobre a realidade de cada pessoa. É um assunto muito interessante frente a tomada de decisão dos indivíduos..

Marcelo Gleiser
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/8564-o-cerebro-determina-o-que-e-real.shtml

O cérebro determina o que é real?

Estamos cercados de radiação eletromagnética que não vemos. O essencial é invisível aos olhos

Para que eu esteja escrevendo estas palavras, uma coreografia desconhecida organiza a ação coletiva de milhões de neurônios no meu cérebro: ideias emergem e são expressas em palavras, que datilografo no meu laptop graças à coordenação detalhada dos meus olhos e músculos. Algo está no comando, uma entidade que chamamos de "mente".
Segundo a neurociência moderna, nossa percepção do mundo é sintetizada em regiões diferentes do cérebro. O que chamamos corriqueiramente de "realidade" resulta da soma integrada de incontáveis estímulos coletados pelos cinco sentidos, captados no mundo exterior e transportados para nossas cabeças pelo sistema nervoso.
A cognição, a experiência concreta de existirmos aqui e agora, é uma fabricação de incontáveis reações químicas fluindo por bilhões de conexões sinápticas entre neurônios.
Eu sou e você é uma rede eletroquímica autossustentável, que se define através de sua atuação na malha de células biológicas que constituem o nosso corpo. Mas somos muito mais do que isso.
Somos todos diferentes, mesmo se feitos da mesma matéria-prima. A ciência moderna destituiu o velho dualismo cartesiano de matéria e alma em favor de um materialismo estrito. Hoje, afirmamos que o teatro do ser ocorre no cérebro e que o cérebro é uma rede de neurônios que se acendem e apagam como luzes numa árvore de Natal.
Ainda não temos ideia de como essa coreografia neuronal engendra a nossa sensação de existirmos como indivíduos. Vivemos nossas vidas convencidos de que a separação entre nós e o mundo à nossa volta é clara. Precisamos dela para construir uma visão objetiva da realidade que nos cerca.
No entanto, nossa percepção dessa realidade, na qual baseamos nossa sensação de existir como indivíduos, está longe de ser completa. Nossos sentidos capturam apenas uma pequena fração do que realmente ocorre à nossa volta. Trilhões de neutrinos vindos do coração do Sol atravessam nossos corpos a cada segundo.
Estamos cercados por radiação eletromagnética de todos os tipos-ondas de rádio, infravermelha, micro-ondas-sem nos dar conta disso. Sons escapam da nossa audição, grãos microscópicos de poeira e bactérias são invisíveis aos nossos olhos. Como disse a raposa ao Pequeno Príncipe: "O essencial é invisível aos olhos".
Nossos instrumentos em muito ampliam nossa visão, permitindo-nos "ver" o que escapa aos nossos sentidos. Mas a tecnologia tem limites, mesmo que esteja sempre avançando. Portanto, uma grande fração do que ocorre escapa e escapará à nossa detecção. O que sabemos sobre o mundo depende do que podemos medir e detectar.
Quem, então, pode determinar que sua sensação do real é a verdadeira? O indivíduo que percebe a realidade apenas com os sentidos? Ou o que amplifica sua visão com instrumentos diversos?
Obviamente, essas pessoas verão coisas diferentes. Se compararem o que chamam de realidade material, o conjunto das coisas que existem à sua volta, irão discordar completamente. Qual dos dois está certo? Eu proponho que nenhum está.

A política como farsa / Ferreira Gullar

Esse texto, embora muitos conceitos sejam dignos de reflexões e pesquisa, vale a pena sua leitura

Ferreira Gullar

A política como farsa
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/8590-a-politica-como-farsa.shtml

Como esse é o espírito do governo petista, todos os seus integrantes dançam ao som da mesma música

Todos sabemos que a sinceridade não é uma qualidade muito comum nos políticos, mesmo porque, se o candidato disser francamente o que pensa, provocará mais desagrado que agrado. Pelo sim, pelo não, prefere dourar a pílula. Mas isso não significa que a política seja, como há quem afirme, a arte de enganar os ingênuos. Se até Deus, segundo dizem, se vê obrigado a escrever certo por linhas tortas, imaginem um pobre mortal.

Mas, sem dúvida, há os que exageram, e eu incluo entre estes -sem lhes dar exclusividade- o pessoal do Lula. Antes de chegar ao governo, era contra tudo o que qualquer outro partido propunha, chegando ao ponto de se negar a assinar a Constituição de 1989 -chamada por Ulysses Guimarães de "Constituição cidadã"-, que veio restaurar a democracia no Brasil.

E só para ser do contra, aliás, não só: também para fazer de conta que era o verdadeiro defensor dos direitos do povo.

Essa mesma postura, de quem joga para a arquibancada, levou os petistas a denunciar os programas Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, do governo Fernando Henrique, como uma espécie de esmola que humilhava os trabalhadores e os pobres em geral. Quando chegaram ao poder, fundiram os dois programas num só -o Bolsa Família- e deles se apropriaram.

Podiam admitir que haviam errado, mas, pelo contrário, fingem que era uma criação original sua. Do mesmo modo agiram com relação ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal e a tudo o mais que combateram e passaram a usar, como se os tivessem criado. Claro que quem assim age tem que estar mal na roupa, sempre tendo que fazer de conta, já que tem o rabo preso.

Confesso que, até bem pouco tempo atrás, não tinha visto as coisas por esse ângulo, embora me chamasse a atenção o modo como se comportavam os membros do governo Lula.

Guido Mantega, por exemplo, jamais fala como deveria falar um ministro de Estado. Pelo contrário, todo pronunciamento seu é sempre um autoelogio, exaltação à política econômica do governo, às vezes até afirmando, cabotinamente, ser ela superior à de todo e qualquer país do mundo.

Nessa mesma linha foi o lamentável pronunciamento da presidente Dilma, em viagem recente pelo exterior. Sem o devido respeito que um chefe de governo deve ter com os de outros países, criticou-lhes a política econômica e os aconselhou a aprender conosco a governar... Na verdade, mais uma vez jogava para a plateia, visando levar a opinião pública brasileira a orgulhar-se do governo petista, incomparável e único no mundo.

É atitude própria aos "salvadores da pátria" que, em nossa época, após a queda do Muro de Berlim, empurrou parte da esquerda latino-americana -a menos democrática- a uma espécie de neopopulismo que, não por acaso, alcança os limites da enganação. E não poderia ser de outro modo, uma vez que está obrigada a representar uma farsa: fazer-se de anticapitalista quando, na verdade, o favorece; fazer-se de democrática, quando, de fato, não aceita a alternância no poder e abomina a liberdade de imprensa.

Como esse é o espírito do governo petista, todos os seus integrantes dançam ao som da mesma música, obedecendo à batuta do maestro. Exemplo disso foi a posse do novo ministro do Esporte, que substituiu Orlando Silva, demitido por suspeita de corrupção, como atesta o processo aberto contra ele pelo STF. Para surpresa de todos, esse ato se transformou numa exaltação ao ministro demitido, que foi elogiado por Dilma e aplaudido de pé pelos presentes. Uma comédia.

Um fato muito grave atinge o cerne vital desse sistema de poder: a descoberta de um câncer na laringe de Lula. O país inteiro se assustou, é claro. É verdade que hoje muitos tipos de câncer são curáveis; apesar disso, constatar que alguém está com um tumor maligno não é propriamente uma boa notícia.

É o que todo mundo pensa. Não obstante, parece que, no caso de Lula, é diferente. Da equipe médica à presidente Dilma e ao ministro Mantega, todos afirmam sorridentes que Lula está ótimo, alegre, mais bem-disposto do que nunca.

Até hoje, não tinha visto um diagnóstico de câncer ser tão bem recebido. Parece até que Lula acaba de ganhar o grande prêmio da loteria.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A escola total flex

Joaquim Luiz Nogueira

Se você consultar o mercado, a venda de flex nos últimos anos superou os tradicionais A vantagem é que ao aderir ao flex, o usuário tem mais possibilidades de se divertir, fazer amigos, namorar, curtir, exibir novidades, ingerir bebida alcoólica, falar mais ao celular, ouvir música; etc..

Tradicional

Resultado final 2011

Flex

Resultado final
2011

Aluno(a) que não produziu nada nas aulas

Retido

Aluno(a) que não produziu nada nas aulas.” É quieto nas aulas!”

Promovido

Aluno(a) faltoso nas aulas

Retido

Aluno faltoso nas aulas. “fez compensação de ausências!”

Promovido

Aluno(a) de Inclusão, sem laudo médico

Retido

Aluno(a) de Inclusão, sem laudo médico “Se mostra feliz com 10!”

Promovido

Aluno (a) não frequente, veio fazer Avaliação Externa.

Retido

Aluno (a) não frequente, veio fazer Avaliação Externa. ”Conseguiu fazer X nas questões!”

Promovido

Aluno (a) não abriu o caderno em sala de aula durante o semestre

Retido

Aluno (a) não abriu o caderno em sala de aula durante o semestre. “Progressão!”

Promovido

Aluno(a) evadido

Retido

Aluno(a) evadido. “A Direção visitou sua casa e convenceu-o a voltar em Dezembro!”

Promovido

Para o mercado o mais importante é a venda, não as consequências do produto para o meio ambiente ou a sociedade. Trata-se de aumentar ou diminuir alguns índices de interesse do capital. Caso apareçam no futuro consequências graves, cabe o registro da ocorrência e aguardarmos a providência dos órgãos competentes: Ibama, Conselho Tutelar, Lei Maria da Penha, Fundação Casa; etc.

sábado, 5 de novembro de 2011

Teoria do enxame e suas variantes no mundo humano

Joaquim Luiz Nogueira

De acordo com o BLOG http://aimotion.blogspot.com “A inteligência coletiva é uma propriedade de sistemas compostos por agentes não (ou pouco) inteligentes com capacidade individual limitada, capazes de apresentar comportamentos coletivos inteligentes. Tais comportamentos seguem as seguintes propriedades: Proximidade (...)Qualidade(...) Diversidade(...) Estabilidade(...) Adaptabilidade”

Esses conceitos também podem ser aplicados em locais como a escola ou a sociedade e, mesmo assim, será muito difícil identificar os rumos da inteligência coletiva das pessoas: na universidade parte querem polícia e outros gritam “fora polícia!” na escola normal, parte querem estudar e outros paquerar, ouvir músicas e assim por diante. Vejamos algumas possibilidades do mundo da educação com os conceitos citados acima:

  • Proximidade: Os alunos devem ser capazes de interagir entre eles, professores, funcionários, Direção, reitoria, policiais , grupos externos; etc.
  • Qualidade: Os alunos devem ser capazes de avaliar seus comportamentos e os dos outros que eles conhecem de forma individual e coletiva.
  • Diversidade: Permite aos alunos reagirem a situações inesperadas com comportamentos inéditos e imprevisíveis.
  • Estabilidade: Nem todas as variações ambientais da escola ou da sociedade afetam o comportamento de todos, alguns não são afetados.
  • Adaptabilidade: Capacidade de se adequar a variações ambientais elaboradas pela escola, universidade e sociedade.

Sendo o espaço escolar o lugar da diversidade, e porque não dizer, da inteligência coletiva, logo com capacidade individual humana ilimitada, podem esperar grandes transformações, inéditas e imprevisíveis, fruto da experiência individual e coletiva.
Se o objetivo das formigas, abelhas e pássaros, tem como prioridade diminuir o tempo gasto entre suas casas e o alimento, cujos esforços do bando, enxame ou formigueiro se mobilizam. Qual seria a prioridade num espaço escolar ou em uma Universidade? Poderemos ver uma ponte humana algum dia em nome do conhecimento?

Parece que a necessidade que comanda os enxames, os bandos de aves e o formigueiro, com certeza não é a mesma das multidões humanas, principalmente pelo respeito a certas hierarquias de valores entre os insetos: rainhas, operários, zangões etc. Nós humanos temos como uma das hierarquias o capital, isto é, o poder aquisitivo.
Na multidão de um grande espetáculo ou no engarrafamento do trânsito, alguns conseguem privilégios, destacando-se das massas, mas não sem apoio das mesmas. Tudo indica que há certa simbiose entre o sucesso de alguns e a vontade coletiva.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Educação em Pandora

Joaquim Luiz Nogueira

Quem já teve a oportunidade de assistir o Filme Avatar de James Cameron, certamente se recorda que alguns avatares virtuais visitavam os nativos numa tentativa de aprender a língua deles e ao mesmo tempo, transmitir os interesses do povo do céu para os nativos.

Podemos observar que no filme havia a possibilidade dos corpos humanos permanecerem numa cápsula, enquanto seu avatar (forma virtual escolhida) surgia na floresta para cumprir sua missão junto aos nativos. Nesse aspecto, o corpo habitava o mundo Real e seu avatar penetrava numa região de valores desconhecidos e ainda não controlado pelos invasores.

A missão do corpo no mundo Real era manter a máquina que o alimentava ligada, pois a sua integralidade faria com que o máximo de informações dos nativos chegassem de volta ao sistema explorador. O órgão manipulador central preparava e o capacitava no sentido de que ele pudesse oferecer informações da cultura dos nativos, facilitando assim, a destruição dos mesmos.
A missão dos avatares eram interpretar papéis sociais e manter uma aparência semelhante aqueles nativos, que mais cedo ou mais tarde, seriam destruídos em nome da ganância e do lucro de poucos privilegiados estrangeiros.

Para os donos das avançadas tecnologias, os valores cultivados pelos nativos, atrapalhavam seus interesses, vejamos alguns:

- não dependiam da linguagem dos estrangeiros para sobreviverem;

- não se interessavam pelos valores além de sua cultura;

- cultivavam regras de conexões com o ambiente que o envolviam, extraindo e apropriando somente aquilo que lhes interessavam.

Os avatares tinham que aprender a linguagem dos nativos, ganhar a confiança dos mesmos e, ao mesmo tempo, conscientizar aquelas criaturas de que todos seriam capazes de aprender os novos valores vigentes, segundo a política econômica estruturada junto ao poder tecnológico do povo do céu.
Os avatares que trabalhavam para o povo do céu eram treinados para obedecerem as leis, isto é, tinham de cumprir suas missões, pois se fracassassem, seus corpos eram desligados das máquinas que os alimentavam.

Observação

Muitas vezes nos sentimos como avatares dentro das salas de aulas, falamos para as paredes quando tentamos ensinar História, Matemática, Língua Portuguesa e outras disciplinas, será que estamos em Pandora?