A música sertaneja nos anos 80, quando o rádio ainda tinha uma audiência nos cantões da roça, alguns sertanejos despontaram como sucesso aos ouvidos daqueles que ligavam o aparelho apenas nas madrugadas e nos fins de tarde. A região era o Norte e Noroeste do Estado do Paraná e naquele tempo, por muitas vezes tive a oportunidade de conhecer essas canções que marcaram uma época, mesmo que seus interpretes não resistiram as transformações das décadas seguintes. Vamos viajar no tempo:
Pesquisar este blog
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Educação para os Direitos Humanos: a fronteira para entendermos os conflitos dentro de nossas escolas.
Joaquim Luiz Nogueira
A
educação, obrigação das famílias e do Estado, segundo a Constituição Federal no Art. 205: “ A educação, direito de todos e
dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício
da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
A
nova proposta visa a formação de uma nova mentalidade coletiva, seguindo
valores de solidariedade, tolerância e respeito pelas diversidades. Trata-se da
formação do sujeito de direitos, não cita deveres, responsabilidades, honestidades,
justiça, trabalho e esforço, elementos necessários ao pleno desenvolvimento da
pessoa em seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho, cobrado na Constituição Federal.
Os
chamados sujeitos de direitos com ênfase nas populações mais vulneráveis chegam
à escola para trocar experiências. Apresentam comportamentos tão diferentes em
relação aos hábitos necessários para adquirir uma aprendizagem de qualidade
equivalentes aos princípios do Art. 206 da Constituição que prega: “O ensino
será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições
para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar,
pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias
e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas
de ensino”;
Para
a proposta, conhecer o diferente “é perder o medo do desconhecido”. Isso já
aconteceu, pois alguns não respeitam pais, mães, professores, diretores etc. A parte
de respeitar a opinião daqueles que os alimentam ou ensinam, não aprenderam,
pois interpretam tudo de acordo com suas vontades.
Quanto,
o papel estratégico dos meios de comunicação de massa, assim como acontece na
educação, estão mais preocupados com a desconstrução do ambiente nacional, do
que com a construção da justiça, da formação de trabalhadores e com a formação
ética reconhecida pela maioria dos cidadãos.
Os
princípios dessa nova orientação da educação em Direitos Humanos, propõe uma
capacitação de lideranças comunitárias a partir dos cursos de qualificação
profissional e de alfabetização de jovens e adultos, trata-se de uma parceria permanente a
partir do diálogo com o vasto leque de movimentos populares, sindicatos,
igrejas, ONGs. Clubes, etc. Todos, segundo a nova proposta, desenvolvem
atividades formativas em seu dia-dia. Quanto aos princípios de todas essas
atividades formativas e o acompanhamento do que é ensinado, não é mencionado na
proposta em questão.
Esperamos
que os responsáveis pela nova Educação para os Direitos Humanos, também não
esqueçam daquilo que está escrito na Constituição Federal em seu Art. 205 - V –
“valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma da lei, plano de
carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso
exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime
jurídico único para todas as instituições mantidas pela União; VI - gestão
democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de
qualidade”.
sábado, 19 de abril de 2014
O futuro e a nova geração Y
Joaquim Luiz Nogueira
Segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo Instituto Pew e divulgado na Folha de São Paulo neste sábado 19 de abril de 2014 (A- 16) as gerações dos nascido entre os anos de 1928 e os anos 80, mostram grandes mudanças que podem influenciar no modo de agir e de ser perante temas polêmicos dos dias atuais.
Quando o assunto é maconha, os votos a
favor ganham terreno a cada geração, parece algo providencial, como se a
própria natureza humana deixasse o interesse desta substância para a próxima
geração como algo inevitável. De outro lado, a religião perde força drasticamente
na geração Y, e isto, talvez tenha
relação com o uso cada vez mais constante das redes sociais, que de algum modo,
está ocupando o tempo da reflexão desta
nova geração.
Nos próximos 50 anos a geração Y estará competindo com outras gerações muito mais
avançadas tecnologicamente, cujo cenário deve se apresentar com grande carência
de mão de obra humana e de matéria prima. As máquinas e as modificações
transgênicas dos alimentos devem ser a
promessa do novo conceito da felicidade proporcionada pelas drogas. O mundo
livre de esforços físicos e mentais, que prolonga em quase tudo ao obedecer aos
cliques de botões e sinais químicos,
estes últimos são jogados ao cérebro a partir de substâncias poderosas,
causadoras de alegrias artificiais e felicidades que relampejam na mente.
Fonte da pesquisa: Folha de São Paulo 19 de abril cad. A-16
domingo, 30 de março de 2014
Filme Os Enjaulados e a realidade do professor substituto permanente nas escolas
O Professor substituto permanente, que segundo os alunos
deste “filme” não pode fazer nada
Sala indisciplinada, cujos alunos segundo o Professor do “Filme”
“não há nenhuma dúvida de que podem bater nele, já que consideram um castigo
estar na aula dele” O professor é chamado de imbecil e deve cumprir as regras,
ou seja, não pode fazer nada.
O diretor da Escola também trabalha com regras e não pode
admitir nada que não esteja de acordo com as regras e leis. Estas no “filme” são
para o Professor. Não pode ameaçar, intimidar etc. A mãe do aluno só fala em
processar o Professor. O Diretor teve de pedir desculpas pelo professor.
No Intervalo, comportam-se como uma manada e atropelam qualquer
um na escada, parece um estouro de boiada.
Na Sala dos Professores, vem a pergunta dos mais experientes ao
Substituto: Você é Professor? Então, as regras aqui são “não tome café, nem
coma os biscoitos a não ser que você pague e não sente na poltrona” . Sua
carteira é roubada no primeiro dia de aula pelos alunos na mudança de salas.
O Professor é
responsável pela sala de aula e até por aquilo que acontece no banheiro dos alunos
Na sala de detenção, tudo o que o professor tem de fazer é
evitar que eles se matem na classe
As professoras são molestadas nos corredores e os
professores que interferem também são agredidos. A punição do aluno após estes
atos de agressividade é de apenas três
dias de suspensão e depois ele volta pior ainda. E se o professor der queixa, é
a palavra do aluno contra a dele e ficará sem o emprego.
Até aqui o filme mostra uma realidade que cada professor deste pais conhece muito bem e a conclusão desta história e as ações do Professor substituto permanente neste episódio deixo para análise daquele que quiser ver o filme na integra. Caso tenha interesse, acesse o link abaixo:
Livro sobre a Liberdade Humana
Este livro terá lançamento ainda este ano pelo site www.autoresfree.com.br
Veja abaixo os assuntos que o livro abordará:
O
que Entendemos por Liberdade? .........................................................
O Interesse de Plenitude Comandando o Indivíduo ................................
Indivíduos Livres ....................................................................................
Liberdade de uns e de outros .................................................................
Iniciativas Livres ou ações sob o comando das sensações?..................
Liberdade e Corpo: Concepção Espiritualista, Ciências Humanas e Clássicas. ............................................................................................
Liberdade ou a busca do que tem de melhor em si mesmo. ................
Formas de Apresentar o Mundo em que Pertence ..........................................
Liberdade: processo herdado e escolhido ......................................................
O Futuro da Liberdade: escolhas, limites e ameaças. ...................................
O Interesse de Plenitude Comandando o Indivíduo ................................
Indivíduos Livres ....................................................................................
Liberdade de uns e de outros .................................................................
Iniciativas Livres ou ações sob o comando das sensações?..................
Liberdade e Corpo: Concepção Espiritualista, Ciências Humanas e Clássicas. ............................................................................................
Liberdade ou a busca do que tem de melhor em si mesmo. ................
Formas de Apresentar o Mundo em que Pertence ..........................................
Liberdade: processo herdado e escolhido ......................................................
O Futuro da Liberdade: escolhas, limites e ameaças. ...................................
domingo, 23 de março de 2014
A toca do coelho e a premiação no trabalho
Joaquim Luiz Nogueira
Eu... eu... nem eu mesmo sei, nesse momento...
eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já
me transformei várias vezes desde então.que recebi um email que dizia:
você não será premiado. Controle-se. — disse a mim mesmo por várias vezes. E
pensei que podia muito bem esperar, já que não tinha mais nada a fazer e
talvez, afinal, alguém me dissesse alguma coisa que valesse a pena ouvir.
Fiquei ali sentado, os olhos fechados, e quase acreditei estar no País das
Maravilhas, embora soubesse que bastaria abrir os olhos e tudo se transformaria
em insípida realidade.
Mas disse Alice em meu pensamento, Nada se é
conquistado com lágrimas. "Vamos, não adianta nada ficar
assim!" — E lembrei que Alice dizia a si mesma, num tom áspero. "eu a aconselho a
parar já" — em geral ela dava conselhos muito bons a si mesma (embora
raramente os seguisse), repreendendo-se de vez em quando tão severamente que
ficava com lágrimas nos olhos...
E vi que Alice no País das Maravilhas se parece com meu trabalho:
perdido, dentro de uma toca de coelho e sempre estou correndo e atrasado na
busca de metas. Quando eu lia contos de
fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no
meio de um deles! Só que ninguém gosta de ficar mudando toda hora,
sabe. É realmente espantoso, como todas as criaturas brigam. É de levar
a gente a loucura!
Mas se a única forma de chegar ao impossível, é
acreditar que é possível. Você
não sabe grande coisa, e isso é um fato. Veja bem, havia acontecido
tanta coisa esquisita nos últimos anos, que eu não tinha começado a pensar que
raríssimas metas eram impossíveis. Suponho que saiba o que 'isso' significa.
Sei
muito bem o que 'isso' significa quando eu trabalho o ano todo por uma meta. — E então
quando acha que está tudo mudado, não é? — Receio que sim. — Eu... eu sou um
lutador. — Bastante inseguro, lembrando-se do número
de mudanças que praticamos a cada dia. E
quanto tempo dura essa cobrança?
E logo, me lembro do Coelho dizendo: As vezes apenas um segundo. Mas podes dizer-me, por favor, que
caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir _ Responde o gato para Alice. Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Isso depende muito de para onde queres ir _ Responde o gato para Alice. Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
E Nesse caso, pouco importa o caminho que devo seguir - replico a mim
mesmo. Gostaria de não ter trabalhado tanto! — Parece
que vou ser castigado por isso agora, trabalhando mais e mais. Então, recordo-me do diálogo de Alice
com o Chapeleiro: Você me acha louca? Chapeleiro:
Louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são.
Assim, Alice aconselha: “Quando tiver dúvida, fique em silêncio.” “Dizem
que o tempo resolve tudo. A questão é: Quanto tempo?.” Segundo
Alice, a melhor maneira de
explicar é fazer. Pois a mim, me importa e muito. — Alice retrucou rápido. Pare
de grunhir, não é em absoluto uma maneira apropriada de se expressar, pois o
mês de março vai
ser interessantíssimo, e talvez, quando estarmos em
maio, eu não esteja freneticamente tão louco... pelo
menos não tão louco quanto em março.
E qual é a
semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?
"Nós aqui sabemos o que deveríamos ter feito
ontem, e sabemos o que devemos fazer amanhã, mas talvez nunca sabemos o que
devemos fazer hoje."
sexta-feira, 14 de março de 2014
Máquinas e Esforço Humano: A Libertação do Corpo, da Mente e da Própria Máquina
Breve lançamento em http://www.autoresfree.com.br/
Algumas preocupações dos dias de hoje nos
despertam para uma busca e, ao mesmo tempo, despertam o diálogo necessário
entre épocas passadas e inquietações do presente. O fato de enfrentarmos
questões tão complexas em todas as áreas do conhecimento no mundo atual, cujas
comunicações quebraram as barreiras físicas e destruíram as certezas,
desencadearam novas fronteiras para os indivíduos e seus sonhos. (Introdução do
Livro: Uma Breve História dos Elementos que nos orientam).
O mundo atual das incertezas e dos acasos
direciona indivíduos para campos mesclados entre leis divinas, contextos
artificiais, naturais, circunstâncias e vontades humanas livres. Felicidades e
deleites, incorporadas ao tempo da instantaneidade, mas sobreposto a elementos
de moralidade. A aventura do desejo humano em meio a caos e ordem, horror e
alegria. (Introdução do Livro: Uma Breve História dos Elementos que nos
orientam).
Máquinas e Esforço Humano: A
Libertação do Corpo, da Mente e da Própria Máquina
A primeira e mais
característica –
que vitaliza todas – é a de trazer
à tona e sustentar um sentido de
espanto diante do mistério
da existência[1]
que vitaliza todas – é a de trazer
à tona e sustentar um sentido de
espanto diante do mistério
da existência[1]
E se forem apenas as
próprias
exceções que criam, retrospectivamente,
a ilusão da “norma” que elas
supostamente violam?[2]
exceções que criam, retrospectivamente,
a ilusão da “norma” que elas
supostamente violam?[2]
Na época atual, cujos avanços tecnológicos
tentam modificar a história da humanidade e envolver a participação de todos em
confrontos diretos, com indagações que abrangem desde a identidade pessoal e a
dignidade humana até as questões de avanços na área da biogenética, levantam-se
aspectos interessantes, rumo aos princípios que nos apontam direções no século
XXI, vejamos essas preocupações nas palavras de Žižek:
hoje vivemos uma época
extremamente interessante, na qual uma das principais consequências de avanços como
a biogenética, a clonagem, a inteligência artificial e outros é que, talvez
pela primeira vez na história da humanidade, temos uma situação em que o que
eram problemas filosóficos são agora problemas que dizem respeito a todos (...)
confrontam–nos diretamente com perguntas referentes ao livre–arbítrio, à ideia
de natureza e do ser natural e à identidade pessoal (...) certas perguntas -
tais como o que é a dignidade humana, onde fica a responsabilidade moral, e
outras similares – que tradicionalmente, eram indagações filosóficas. (ŽIŽEK,
2006, p. 70)
Preocupações como o
livre-arbítrio em uma sociedade dominada por uma comunicação complexa de
diversos aparelhos criados para facilitar a circulação de mensagens entre
pessoas e, ao mesmo tempo, orientá-las nas ações cotidianas. Neste sentido,
surge uma atmosfera de dúvidas e incertezas quanto ao caminho que devemos seguir
frente a inúmeras sugestões proporcionadas por uma teia de saberes, advindas
das novas tecnologias. Desse
modo, temos o encontro de uma herança baseada na visão positivista do progresso
linear, que carrega uma ótica cultural evolucionista, cuja leitura de épocas
passadas ou fatos também foram, em sua maioria, frutos desta visão de
linearidades, cujas interpretações apontavam direções com bases em etapas
anteriores. Segundo Gruzinski:
A complexidade desses
fenômenos adapta-se mal a uma herança positivista que alimenta uma visão do
tempo baseada na linearidade. A noção de cultura nasceu numa ótica
evolucionista, que por muito tempo impregnou a história. Com frequência os
historiadores tenderam a ler as épocas passadas como fruto de um movimento
linear, de uma evolução, até mesmo de uma progressão ou de um progresso. Como
se, a cada vez, uma nova etapa devesse supostamente desenvolver forças que estariam
contidas, em gestação, nas etapas anteriores (...) esse tempo linear carrega a
sempiterna questão das origens, que, por sua vez, implica a ideia de uma
autenticidade ou de uma pureza passada a ser reencontrada. (GRUZINSKI, 2001, p.
58)
E com orientações nos
supostos sucessos de etapas obtidas anteriormente, prosseguiam-se com
apontamentos de direções futuras. Assim, a presença de determinados valores
orientavam, dentro de uma suposta linearidade que deveria ser construída com
base em certas origens ou purezas a serem novamente buscadas.
Todas essas orientações de direções organizadas
linearmente pelas sociedades foram sacudidas com os avanços da comunicação nas
décadas finais do século XX e início deste século. As novas tecnologias fizeram
com que o mercado se transformasse em mediador das demandas políticas e
culturais a partir das mídias, que criaram novos modos de percepções,
sensibilidades, linguagens e escritas. De acordo com Barbero[3],
as novas tecnologias provocaram certo embaraço nas fronteiras entre razão e
imaginação:
O que estamos tentados a
pensar seria que de um lado, temos a hegemonia de uma comunicação de mercado
sobre a sociedade: a comunicação convertida no motor mais eficaz para soltar a
inserção das culturas – étnicas-nacionais e locais – em espaço/tempo do mercado
e das tecnologias globalizadas. Pois o que é fatalismo tecnológico acaba
legitimando a onipresença mediadora do mercado. E com ela a perversão do
sentido das demandas políticas e culturais que encontram de algum modo
expressão nos meios de comunicação, depois deslegitimarem de qualquer
questionamento de ordem social sobre mercado e das tecnologias que oferecem
formas (...) pois a tecnologia absorve hoje não só as novas máquinas ou
aparatos dos novos modos de percepção e de linguagem, até novas sensibilidades
e escritas. Radicalizando a experiência de desarranjo produzida pela
modernidade, a tecnologia desloca os saberes modificando tanto o estatuto
cognitivo quanto o institucional das condições do saber e das figuras da razão,
o que conduz a um forte borrão das fronteiras entre razão e imaginação, natural
e artificial, arte e ciência, saber e experiência profana. (MARTÍN-BARBERO,
2002, p. 32-33)
De outro lado, os seres
humanos, que foram capacitados com certa autonomia para conduzirem suas vidas
durante a evolução biológica, mas que, para buscar soluções que pudessem
aliviar o esforço físico e ainda produzir mais, inventaram máquinas que, ao
longo do tempo, ganharam cada vez mais autonomia, dando liberdade aos homens,
principalmente em trabalhos pesados e perigosos, e, ao mesmo tempo, facilitando
a comunicação entre pessoas ao eliminar as barreiras físicas.
Todas essas facilidades não deixaram de trazer
outras implicações, dentre elas, a dependência homem–máquina. Tal ferramenta
evoluiu e continua a se desenvolver nas sociedades de hoje, mesclando-se cada
vez mais com outros campos da pesquisa tecnológica: robótica, cibernética,
biogenética e outras. Sobre a evolução das máquinas e a evolução biológica
humana, ficamos com a seguinte análise de Morin:
A história das máquinas é a
da autonomia crescente delas. Pode–se comparar a evolução do maquinismo com a
evolução biológica, mas a primeira diferença consiste em que, para as máquinas,
o demiurgo é muito nitidamente identificado: a trindade humana.
Outra diferença é que a vida se desenvolveu a partir de uma autonomia primeira. O desenvolvimento das máquinas partiu de uma dependência total, a do instrumento. A história humana gerou máquinas relativamente autônomas, a fim de aumentar-lhes a utilidade, aliviando o homem do trabalho. A autonomia delas deu, recentemente, um grande salto evolutivo, com os nascimentos, quase simultâneos, seguidos imediatamente por uma conjugação, da teoria da informação, da cibernética e do computador. Os progressos dos computadores tornam as máquinas cada vez mais capazes de autocomportar-se e de autopilotar-se, a partir, claro, de programas estabelecidos pelos seres humanos. (MORIN, 2007, p. 245)
Outra diferença é que a vida se desenvolveu a partir de uma autonomia primeira. O desenvolvimento das máquinas partiu de uma dependência total, a do instrumento. A história humana gerou máquinas relativamente autônomas, a fim de aumentar-lhes a utilidade, aliviando o homem do trabalho. A autonomia delas deu, recentemente, um grande salto evolutivo, com os nascimentos, quase simultâneos, seguidos imediatamente por uma conjugação, da teoria da informação, da cibernética e do computador. Os progressos dos computadores tornam as máquinas cada vez mais capazes de autocomportar-se e de autopilotar-se, a partir, claro, de programas estabelecidos pelos seres humanos. (MORIN, 2007, p. 245)
A direção apontada pelas máquinas,
segundo Morin, estabelece-se em duas fronteiras, sendo uma delas o caminho da
inteligência artificial, estudos e pesquisas que já desenvolveram computadores
capazes, em alguns aspectos, principalmente na velocidade de cálculos, de superar
o cérebro humano. De outro lado, as máquinas assinalam-se na direção da
auto-organização, isto é, da autonomia em relação à produção da própria energia
que as alimenta:
A evolução das maquinas
segue em duas direções.
A primeira é a do desenvolvimento da inteligência artificial. Programas capazes de evoluir e de complexificar-se em função da experiência estão em estudo, assim como computadores “neuronais”, próximos do cérebro pela complexidade, mas superiores em poder de cálculo (...) A segunda direção é a da auto-organização das maquinas. Estão em teste autômatos que se alimentariam de energia por si mesmos, adquirindo assim uma nova autonomia. (MORIN, 2007, p. 245-246)
A primeira é a do desenvolvimento da inteligência artificial. Programas capazes de evoluir e de complexificar-se em função da experiência estão em estudo, assim como computadores “neuronais”, próximos do cérebro pela complexidade, mas superiores em poder de cálculo (...) A segunda direção é a da auto-organização das maquinas. Estão em teste autômatos que se alimentariam de energia por si mesmos, adquirindo assim uma nova autonomia. (MORIN, 2007, p. 245-246)
Neste sentido, temos uma
direção que nos atrai para a produção, no futuro, de máquinas que possam cada
vez mais imitar a ação humana e talvez, em algum sentido, produzir com mais
qualidade novas ferramentas e serviços. E ainda, no mesmo rumo, a ideia de que
as máquinas do futuro poderão ganhar autonomia e se libertarem, sendo capazes
de auto-alimentação.
[1] Campbell, Mitologia Ocidental, p. 419.
[2]
Žižek, Arriscar o Impossível, p. 69.
[3] Lo que estamos
intentando pensar entonces es, de um lado, la hegemonia comunicacional del mercado
em la sociedade: La comunicación convertida en el más eficaz motor del
desenganche e inserción de las culturas – étnicas, nacionales o locales – en el
espacio/tempo del mercado y las tecnologías globales. Pueslo que el fatalismo
tecnológico acaba legitimando es la omnipresencia mediadora del mercado. Y con ella la perversión del
sentido de las demandas políticas y cuturales que encuentran de algún modo
expresión em los médios, además de la deslegitimación
de cualquier cuestionamiento de un orden social al que solo el mercado e las tecnlogías
permitirían darse forma. (...) pues la tecnologia remite hoy no a nuevas máquinas
o aparatos sino a nuevos modos de percepción y de lenguage, a nuevas
sensibilidades y escrituras. Radicalizando la experiência de des-anclaje producida
por la modernidade, la tecnologia deslocaliza los saberes modificando tanto el
estatuto cognitivo como institucional de las
condiciones del saber y las figuras de la razón, lo que está conduciendo
a um fuerte emborronamiento de las fronteras entre razón e imagición, saber e
información, naturaleza y artificio, arte y ciência, saber experto y experiencia
profana. (MARTÍN-BARBERO, 2002, p.32-33).
segunda-feira, 3 de março de 2014
Pássaros Raros em regiões urbanas
Como apreciador de pássaros que ainda sobrevivem em áreas verdes próximas dos centros urbanos, observei algumas aves lindas, e que devem desaparecer nos próximos anos devido a urbanização sem planejamento, destruição das áreas verdes e poluição dos rios urbanos com plantações de cana de açúcar e eucaliptos em grandes áreas.
Observado em Botucatu sp Saíra verde
Observado em Botucatu sp Saíra Andorinha
Observado em Botucatu Saíra amarelo
Observado em Botucatu sp
Observado em Serra do Salitre MG Coleirinha Macho
Observado em Botucatu sp Saíra andorinha
Observado em Botucatu sp
Observado em Serra do Salitre MG Tesourinha do campo
Observado em Serra do Salitre MG
Observado em Botucatu sp
Observado em Botucatu sp Coleirinha fêmea
Observado em Santa Fé sp
Mais aves em minha lente no link abaixo
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Uma leitura de porta do século XIX no Brasil
Joaquim Luiz Nogueira
Foi
numa visita a fazenda Ipanema em Iperó
que me deparei com uma porta interessante, nela algumas frases que fazem
sentido para compreendermos o Brasil. Logo no topo, abaixo do arco preenchido
por desenhos na ferragem em formas de curvas, temos nosso olhar desviado para o
vácuo da escuridão solitária do prédio, isto é, o vazio sem resposta.
Logo
abaixo podemos ler “Restauração da Fábrica de Ferro de São João de Ypanema
Regência do Império” Sob o enquadramento floral, semelhante a Art Nouveau que
mais tarde no final do século iria invadir os palacetes deste pais, temos os
nomes das excelências, escritos para permanecer na História.
As
datas estão confusas, pois o ano desta restauração que consta na porta é 1834, enquanto,
o chamado golpe da maioridade, que levou o menino imperador ao poder foi 1840.
Na imagem abaixo, temos o típico desenho da Art Nouveau, com um rosto (supostamente
do menino D. Pedro II) envolvido nos arranjos florais.
O rosto posicionado como figura
central da porta tem logo abaixo a confirmação de sua importância na frase “ D.
Pedro II Imperador Constitucional e Perpétuo Defençor do Brazil”. Portanto, a
porta registra o interesse da fábrica de ferro na defesa do Menino Imperador
como o perpétuo defensor do Brasil, crença de cunho monarquico e herança do
Absolutismo, quando alguns reis na Europa ganharam status próximo a deuses
junto ao povo.
A
imagem abaixo mostra um ritual de vassalagem, muito comum na Europa Feudal,
quando senhores e cavaleiros faziam algum acordo ou negócio, sendo este selado
por um aperto de mãos e tapinhas nas costas. No caso acima da Fábrica de Ferro,
o símbolo das mãos significava que havia um acordo entre “nobres” brasileiros.
E
para finalizar a porta,e o acordo firmado entre cavaleiros, temos o registro de
nomes de homens da guerra e o representante da Província. O ministro e
secretário de “Estado dos Negócios da Guerra” que no final do quadro cita
também o “Director Bloem” referindo se provavelmente ao Major Johann Bloem,
diretor-geral das Usinas Siderúrgicas do Império do Brasil.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Dom Quixote e o professor: uma missão fora do tempo
Foi então que se depararam: o professor e mais 30 ou 40 alunos em uma sala de aula, todos retidos por abandono no ano anterior da 1ª série do Ensino Médio. Ao vê-los, disse o mestre ao seu superior imediato:
_ Ali estão, Senhor, trinta desaforados dos grandes, ou pouco mais, aos quais vou trabalhar tentando lhes ensinar. Tomarei deles as lições e começaremos aprender juntos.
_ Que alunos? _ indagou o superior imediato.
_ Aqueles que estão ali, todos ávidos pelo saber.
_ Veja bem, caro professor, aquilo não são alunos desaforados e sim, estudantes com muitas dificuldades de aprendizagem. E o que você pensa ser fácil, na verdade são alunos com problemas diversos.
_ Já se vê que não és versado nestas aventuras _ disse o professor _ Esses na sala de aula são grandes potenciais e, se está com medo, afasta-te e te põe a rezar, enquanto travo com eles uma discussão fervorosa sobre o saber.
Mal disse isto, pegou seus livros, apagador e giz e, de mapa na mão, caminhou em direção aos supostos desaforados, conclamando-os a não saírem da sala. Como era início de período, uma grande quantidade de alunos se movia nos corredores. Evocando seu diploma, o professor precipitou-se em direção aos alunos e bateu seu apagador na lousa que o som foi longe: o pó se espalhou e o giz de sua mão dividiu-se em pedaços que caiu ao chão aos trambolhões. O superior imediato, que estava no corredor, correu acudi-lo mas, ao aproximar-se, viu que ele não podia nem se mover, tamanho havia sido o golpe na lousa em busca de atenção dos alunos.
_ Não disse a você que não era fácil trabalhar com eles _ falou o superior imediato.
Ao que o professor retorquiu:
_ Cala-te, senhor, pois ignoras que as coisas do ensino, mais que as outras, estão sujeitas a contínuas mudanças. Com certeza, foram outros professores que transformaram esses alunos em repetentes só para me desmoralizar.
_ Ali estão, Senhor, trinta desaforados dos grandes, ou pouco mais, aos quais vou trabalhar tentando lhes ensinar. Tomarei deles as lições e começaremos aprender juntos.
_ Que alunos? _ indagou o superior imediato.
_ Aqueles que estão ali, todos ávidos pelo saber.
_ Veja bem, caro professor, aquilo não são alunos desaforados e sim, estudantes com muitas dificuldades de aprendizagem. E o que você pensa ser fácil, na verdade são alunos com problemas diversos.
_ Já se vê que não és versado nestas aventuras _ disse o professor _ Esses na sala de aula são grandes potenciais e, se está com medo, afasta-te e te põe a rezar, enquanto travo com eles uma discussão fervorosa sobre o saber.
Mal disse isto, pegou seus livros, apagador e giz e, de mapa na mão, caminhou em direção aos supostos desaforados, conclamando-os a não saírem da sala. Como era início de período, uma grande quantidade de alunos se movia nos corredores. Evocando seu diploma, o professor precipitou-se em direção aos alunos e bateu seu apagador na lousa que o som foi longe: o pó se espalhou e o giz de sua mão dividiu-se em pedaços que caiu ao chão aos trambolhões. O superior imediato, que estava no corredor, correu acudi-lo mas, ao aproximar-se, viu que ele não podia nem se mover, tamanho havia sido o golpe na lousa em busca de atenção dos alunos.
_ Não disse a você que não era fácil trabalhar com eles _ falou o superior imediato.
Ao que o professor retorquiu:
_ Cala-te, senhor, pois ignoras que as coisas do ensino, mais que as outras, estão sujeitas a contínuas mudanças. Com certeza, foram outros professores que transformaram esses alunos em repetentes só para me desmoralizar.
Assinar:
Postagens (Atom)















































