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terça-feira, 30 de maio de 2017

Escola Faz Tudo


Joaquim Luiz Nogueira 

Na minha profissão como historiador e  pedagogo, não há como não reagir a esta Colunista, Rosely  Sayão, psicóloga renomada, que de vez em quando resolve escrever sobre "O Papel da Escola". Concordo que a escola nos últimos anos vem se transformando em uma espécie de "Faz Tudo", isto é, estão jogando para esta instituição, a missão de servir como laboratório de crianças, adolescentes e jovens, cujo objetivo de muitos observadores, entre eles, os psicólogos, conselheiros, promotores, juízes, políticos, e outros, permanecem apenas fazendo estatísticas de quantos problemas a escola pode revelar a esses teóricos de  plantão e a partir daquilo que observam, começam a traçar novas teorias que possam, talvez, assegurar os propósitos políticos e financeiros daqueles que comandam os rumos desta nação, segundo interesses, muitas vezes, próprios ou de grandes empresas capitalistas nacionais e internacionais. 

No filme de Ficção Científica Interestelar, O responsável pela escola diz ao pai fazendeiro que seu filho, de acordo com as notas escolares, seria fazendeiro como o pai. O responsável questiona seu pai (avô do garoto) sobre o porquê desta geração não possuir os mesmos sonhos de mudança do mundo que ele compartilhava na sua época! A resposta do avô foi - "Tem gente demais no mundo", não há alimentos para todos, então, o governo deve apontar o que as pessoas precisam fazer. 

Voltemos ao papel da escola, que para os professores já formados em disciplinas específicas, sua função é de ensinar Português, Matemática, História, Geografia etc. No entanto, os governantes que usaram os impostos de forma indevida nos últimos anos e não sobrou custeio para saúde, educação e segurança do povo,consequentemente, gerou desemprego e baixos salários, logo,  seria melhor que a escola mediasse a fome via merenda e cuidasse das crianças, adolescentes e jovens em tempo integral, pois assim, seus progenitores, teriam mais tempo para fazer todo tipo de empreendimento para sobreviverem sozinhos, sem ajuda do Estado. 

Dizer que a escola tradicional que ensina as disciplinas básicas deve fechar as portas, em nome de supostos bancos de dados  oferecidos pela internet, seria uma solução ingênua, que o filme Interestelar, também nos oferece um exemplo, quando o piloto pergunta para seu super computador da nave, qual seria a escolha certa? Ele responde, sou uma máquina, portanto, quem comanda é um ser humano. E quem são  os humanos e os interesses que disputam espaços virtuais na internet?

Mesmo que as crianças comecem muito cedo na escola, terceirização da educação básica dos filhos pela escola, pela rua, pelos amigos, não vai capacitá-los para o mundo do trabalho. Essa função deve ser orientada pelos genitores e caso estes, não tenham condições psicológicas, morais, estruturais, entre outras, para esta missão, o Estado deveria assumir a educação básica desta criança em instituições especializadas. 
Existe uma grande diferença entre alimentar uma criança e educar a mesma para o mundo do trabalho. Enquanto o trabalho cobra horários, esforço, honestidade, iniciativa, etc. A escola não consegue nem se aproximar destes valores, pois, o imperialismo infantil, estruturado por lei, impede qualquer tentativa neste sentido, já que a criança, o adolescente e jovem menor de idade dita suas vontades e desejos em todos os contextos sociais. 

Sinceramente, a escola  só falta  mesmo fechar suas portas, pois não conta com estrutura física satisfatória, falta funcionários, professores e a maioria dos alunos não conseguem ler nem mais um filme legendado. Neste sentido, tudo indica que a sociedade não precisa mais das escolas, então porque ainda estão abertas? Talvez, as pessoas que possuem filhos matriculados não sabem como  se encontra a escola do "faz tudo" ou do "pouco faz". 





segunda-feira, 8 de maio de 2017

Prioridade do aluno na cultura da escola pública


Joaquim Luiz Nogueira

O espaço externo da escola, também  forma a cultura dos estudantes. Nele, forma e espaço são a mesma coisa, isto é, o adolescente, o jovem representa em sua aparência de pele, vestimenta e palavras, os aspectos do poder do bairro, da vila, do morro, da rua entre outros.
Sua forma de andar, falar e dar forma ao mundo em seu entorno, corresponde aos valores e símbolos que o alimentam. Seus dizeres estão na forma como anda, senta, grita ou se alimenta. A maneira deles irem adiante é a observação daquilo que está apenas na sua frente, ou seja, qualquer coisa que ele tenha desejo de adquirir.
No caso desta clientela, toda decisão passa primeiro pela forma e depois vem o tipo de papel, exigido para obter a preciosa condição almejada. É neste aspecto que também trabalha o grande capital e sua aliada chamada de “mídia”, a ideia é apagar o passado e mirar apenas naquilo que se interessa para que mais venda e consumo aconteçam.
A estilista japonesa, Rei Kawakubo, defende esta primazia das formas em suas criações a partir de 2014. 


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vantagens de circundar nossos objetos de desejo


(...) a beleza, tanto quanto a verdade, pode ser descrita nos termos da mesma fórmula clássica: elas são “uma unidade na multiplicidade”.[1]


Admiramos cenas como o pôr do sol, as grandes quedas de água em forma de cachoeira, as nuvens, assim como o oceano visto do alto das montanhas ou as cidades observadas à noite na escuridão silenciosa do campo. Tais imagens nos fascinam ao irradiar mensagens de infinitas interpretações. Podemos também acrescentar com relação a esses cenários a apropriação de sensações que parecem escapar à compreensão humana. Nesse sentido, somos capturados pelo mistério de tamanha beleza que mergulhamos em uma bolha imaginária flutuante, que nos proporciona êxtase por alguns segundos.
Desse modo, outras imagens de semelhante poder são criadas em nossa mente, obedecendo ao contexto em que nos encontramos – geralmente estamos angustiados e no lado oposto a essas maravilhas. E assim, podemos dizer, ao confrontarmos mundos diferentes, mas de localização segura, que somos tragados pela busca no outro daquilo que se encontra ausente em nós naquele momento.
Essas respostas oportunas entre opostos fazem nos movimentar ao mesmo tempo em que incorporamos aquilo que admiramos e somos alimentados por essas visões realizadoras de completude. Desse modo, por estarmos distantes do elemento admirado, não vemos suas contradições e nos comunicamos apenas com o que nos provoca aquilo que nos faz de certa maneira seres incompletos e em constante busca de realizações.
Nesse sentido, enquanto não colocamos em prática essas sugestões fascinantes oferecidas por cenários, contextos sociais e outros, contentamo-nos em estar próximos desses objetos de desejo. Assim, gozamos das sensações prazerosas geradas pela órbita que estamos fazendo em torno desses objetos pretendidos.
Na medida em que colocamos definitivamente em prática os objetivos ambicionados, isto é, tornarmo-nos semelhantes àquilo em que acreditamos, ou adquirimos os produtos almejados, automaticamente, outras lacunas são despertadas e novas soluções surgem na imaginação.
É comum em certos rituais como o casamento, talvez fruto de um namoro que durou algum tempo, certa distância segura do sonho imaginado de ambos, isto é, não tentam colocar em pratica os ideais imaginados. Assim, durante essa fase, uma bolha imaginária de um lar feliz alimenta o casal antes do encontro definitivo, mas após a realização do evento, os anos seguintes podem ser de angústias e brigas, geradas, talvez, por não se acreditar mais em novas promessas.
Nesse sentido, o que passou a prevalecer na relação do casal foram os elementos antagônicos. E, por causa da descrença entre ambos em ideais compartilhados, as bolhas imaginárias e encantadoras se enfraqueceram e deixaram transparecer uma realidade incômoda e desgastante de obrigações entre ambos.
A ausência de novos objetos desejados e compartilhados pelos amantes, como um apartamento ideal, um carro dos sonhos, viagens inesquecíveis, filhos adoráveis, fez com que a rotina diária e empobrecida de encantos viesse a tomar frente nas ações.
Assim, as ações cotidianas não conseguiram incluir em uma só bolha imaginária o sonho de ambos, sendo dois horizontes opostos despertados, e a cada dia as ações ou compromissos se encarregaram de abrir o abismo na relação construída pelo casamento.
Ideais imaginários se somam quando se estabelecem certas hierarquias de desejos, por exemplo, neste ano vamos viajar e no outro vamos começar a pagar um apartamento, e assim por diante. Cada passo corresponde a um estímulo de atração para a busca de algo que possa servir de ponte entre a situação em que nos encontramos e as soluções ideais, funcionando como forma de tatear o contexto em que estamos pisando à procura das condições imaginadas como preferidas.
Sendo assim, o que fazemos no cotidiano são ações semelhantes às do cego, pois como desconhecemos o que poderá nos acontecer no momento seguinte, ficamos constantemente explorando o contexto à nossa volta pela visão, olfato, com perguntas como: o que está acontecendo? Para onde vou? O que devo fazer?
No entanto, essas indagações tateantes na maioria das vezes são ações reais, isto é, “farei isso ou aquilo e vamos ver o que acontece”. O cotidiano torna-se laboratório de experimentos e as próprias pessoas se fazem de cobaias, cujos resultados podem provocar sequelas ou até mortes.
E para evitar que nos tornemos bodes expiatórios de empreendimentos próprios, temos que aprender a circular numa distância segura de certos ideais de perfeição, ou seja, seguir alguns ditados populares: “Não vá com muita sede ao pote”; “O telhado é de vidro”; “Estamos pisando em ovos”.
Isso ocorre porque estamos trabalhando com base em projeções, cujo desenrolar dos acontecimentos depende da participação de outros elementos que não podemos controlar e de nós mesmos, e por encontrarmo-nos presentes na realidade, nossa visão é distorcida, já que não temos a totalidade para agir objetivamente.
Fazemos parte de uma realidade construída na maioria das vezes a partir das ausências, isto é, aquilo que nos falta pode servir para abrir horizontes e até estruturar ou justificar ações cotidianas de curto prazo. Nesse sentido, muitas pessoas não conseguem se livrar de rotinas fatigantes, pois orbitam frequentemente em torno de problemas crônicos.
De outro lado, também podemos circular ao redor de sonhos ou fantasias que nos incitam a lutar com fundamentações elaboradas em visões múltiplas geradas pelos ideais, já que com esses, por serem virtuais, podemos abusar das possibilidades e abstrações. Desse modo, investimos em aparências que possam transmitir a sensação de que estamos protegidos pela força das metas desejadas. E nesse aspecto há vantagens em circularmos os objetos de desejo positivos, pois eles funcionam como elementos estimuladores de ações cujo poder expansionista sobre conceitos projetam novas intencionalidades nas práticas concretas.
Quando permanecemos ao redor de pessoas que amamos, respeitamos, e nas quais acreditamos, ou somos rodeados por elas, de certo modo criamos uma rede de proteção capaz de irradiar coragem a elas e ao mesmo tempo de animá-las a prosseguir rumo aos objetivos traçados. Nesse caminho está a valorização do trabalho em equipe e das redes sociais.
Tal mecanismo de proteção exige do indivíduo certos movimentos, por exemplo: clicar, piscar, gritar, cantar, dançar, falar, sorrir, entre outros. Dessa maneira, assegura-se o vínculo para permanecer mergulhado na “bolha”[2], abrigado por um envoltório de confiança que impede a invasão de elementos contrários ou críticos àqueles já incorporados.
Quando conseguimos adentrar em uma dessas bolhas, sentimo-nos sacudidos por sensações prazerosas e tendemos a fazer com que ela nos acompanhe em outros lugares, tais como a casa, o lazer e o trabalho. Assim, aqueles que conseguem isso são reconhecidos por agirem de forma semelhante em diversos ambientes que frequentam. Vejamos: “O Pedro está sempre sorrindo”; “Joana está cada dia mais animada”; “Nunca vemos o Paulo reclamar de nada na empresa”; “A Mônica sempre nos atende com um sorriso”; “Com o Júlio não tem dia triste no trabalho”; “O Fernando é a alegria da festa”.
Pessoas com essas características geralmente gostam muito do que fazem, acreditam que estão realizando seus sonhos e, por isso, brilham nos ambientes em que se encontram. De algum modo, procuram não se afastar de suas metas, perseguem e circulam objetos de desejo, mesmo que estejam distantes.





[1]CASSIRER, 2005, p.235.
[2] Entendida aqui no sentido de conjunto de valores capazes de neutralizar dúvidas sobre aquilo em que confiamos, espécie de escudo capaz de isolar a mente em uma certeza satisfatória, cuja permanência nessa condição alivia o sofrimento. 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Indisciplina na escola e a evolução da agressividade

 O perfil dos alunos pode ser analisado a partir dos relatórios de indisciplinas ocorridos em sala de aula, cuja idade deles demonstra picos de rebeldias, agressividades e baixa produção de aprendizagem, segundo os professores. Vejam como exemplo de indisciplina os seguintes comportamentos registrados no 1º Bimestre de 2017:  

Joaquim Luiz Nogueira


Nos 6º anos, os alunos chegam na escola com muita energia, porém com poucos limites. Eles não sabem quando é hora de estudar e quando e onde podem brincar.  O excesso de energia sem limites termina com brigas entre eles, muitas aulas não aproveitadas e muito tempo dos professores usados para orientação sobre o comportamento dos mesmos.

Nos 9º anos, os alunos usam a experiência adquirida nas brincadeiras para atrapalhar as aulas que não gostam dos professores e são mais agressivos com colegas, funcionários e docentes. Muitos acumulam histórico de indisciplina com retenção e abandono.

Na 1ª série do Ensino médio, com idade entre 15 e 16 anos, os alunos com histórico de indisciplina se tornam mais agressivos e violentos, participam de ações em grupo e são muito influenciados pela cultura das periferias, vocabulário e símbolos ligados ao crime e ao estilo da moda dos bairros.  

As vezes ouvimos que um preso entra nas cadeias do Brasil após cometer crimes pequenos e ingênuos, algo espontâneo, porém, ao sair da prisão, ele está  especializado, pois conheceu grandes talentos naquele contexto. Na escola, temos a sensação que também há uma evolução neste sentido, enquanto no 6º anos, o aluno nem sempre tem pontaria ao jogar as bolinha de papel, no Ensino Médio, dificilmente, ele erra a pontaria no professor. Sua agressividade, que antes era com o colega, agora passa a ser com o professor, com o funcionário e com a Direção. 

Concluímos que assim como a cadeia brasileira não melhoram aqueles que passam por ela, a escola também, parece que só amplifica aquilo que a criança  de certa maneira já carrega com ela. E conforme vai ganhando idade, sua agressividade e revolta também ganha experiência ao se socializar com outros mais experientes naquilo que ele deseja ser muito mais eficaz. 



Moro na Capa da Folha de São Paulo: uma leitura da fotografia.


Joaquim Luiz Nogueira

A fotografia da capa da folha de hoje 31/03/2017 mostra uma leitura do Juiz Sergio Moro com seu corpo abaixado, dividindo a cena com um quadro muito interessante, pois sobre um piso de tijolo de barro está uma forca, cujo laço está próximo de um tecido branco e um negro descalço.

Do lado direito está alguém com a roupa da nobreza, denotado pela meias e o calçado, mas não mostra o rosto, apenas o poder. Na esquerda, outro indivíduo branco com os pés descalço e a roupa se desfazendo pelo uso e a sujeira. Evidenciando o equilíbrio sobre uma só perna, inclinando-se para o lado da terceira pessoa de vestes pretas e sandália de gente humilde, mas com uma sombra que se prolonga e não determina o limite ou fim.

Em instabilidade, a cor esquerda da veste branca e suja se posiciona de um lado da fotografia, enquanto, a imagem do poder, bem vestida se posiciona do outro lado, atestando um total equilíbrio de ordem. No fundo, apenas com o pé direito e muito firme, está alguém que podemos supor, representa a religião, já que sempre estava presente junto aos enforcamentos dos condenados, fazia parte da cerimônia ao lado do poder.

No centro da fotografia está a veste branca, sem nenhuma sujeira, símbolo de paz, colada a veste vermelha desbotada, sem rosto, cuja parte final da calça parece acompanhar  a negritude dos pés, mas finaliza com a brancura da sola dos pés sobre a firmeza de um piso infinito de tijolo.

E ao pé do quadro, a figura do Juiz com sua veste de cor padrão preta se abaixando para que o leitor possa ver o quadro que se posiciona na parede, onde se vê a ilustração do poder no qual, ele está nesta fotografia se abaixando. O poder e a forca, não há dialogo, apenas cerimônia e cumprimento da Lei.

Ao lado da fotografia de Mateus Bonomi, a folha deixa a mensagem “Supremo assume Legislativo e agrava crise na Venezuela” Vejam, não é no Brasil. Apenas, a fotografia da esquerda é que mostra um Juiz, representante do Judiciário se abaixando em um momento, cujo fotógrafo e os responsáveis pela edição da capa do Jornal, viram uma grande leitura nesta imagem.

No subtítulo está escrito “Corte acusa Parlamento de desrespeitar a constituição; oposição fala em golpe de Estado, e vizinhos criticam” Novamente, a fotografia ao lado  exibe o equilíbrio do poder e logo adiante, temos a forca, cuja origem está na veste branca e limpa e o final da corda, o negro está pisando com a ponta de um de seus pés.

O negro está de costa para o poder e de frente com a figura de sandálias humildes, que também não manifesta o rosto. E o Juiz da fotografia, também está abaixado perante o poder representado no quadro acima dele. Quem é este poder, que na ilustração estava com roupas da nobreza, contemporâneas do Brasil escravista? Como este poder se apresenta nos dias de hoje? Se na fotografia, o poder não teve corpo, também, caro leitor, atualmente, o poder do grande capital não mostra nem os pés, porém, após muitas metamorfoses desde o século XVI, o dragão continua muito vivo e caso pense em fazer oposição se lembre da forca, ela está ao lado do branco da paz.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Resposta de um servo


Joaquim Luiz Nogueira


Ter consciência da crise e das expectativas do funcionalismo e não fazer absolutamente nada, não ajuda a manter nossas escolas em pé. Estamos sem funcionários, sem professores, sem materiais básicos como papel higiênico e materiais esportivos. A manutenção do prédio, das calçadas, telhados, dos muros etc.

O diálogo via ficção ou videoconferência, não é como a vivência com as comunidades escolares. Na escola estamos roendo o osso juntamente com famílias desesperadas com o ensino dos filhos, cuja aprendizagem de conteúdos ficam  distante por falta de profissionais nas escolas.

A Recuperação da Economia Paulista e a responsabilidade com o povo estão nas mãos de um mesmo sistema público, que na Educação, já vivenciamos desde a época em que as escolas tinham muitos professores titulares e não faltavam substitutos. Havia capacitação até de uma semana para os professores em cidades diferentes. O mesmo sistema agora quer resolver tudo com Plataformas Virtuais, enquanto as escolas não possuem nem mais a sala de informática, sem estagiários, sem Internet de qualidade etc.
A recomposição salarial do funcionário público é assunto de muitos anos, penso que pode ser apenas uma lenda urbana, pois nem é mais um tema para pauta do sindicato, fala se em diversas preocupações para aqueles que não terão mais aposentadorias, mas não cobram melhores condições de trabalho.


Estamos cada vez mais matando um leão por dia, porém, na escola, fica pelo menos três leões para o dia seguinte. Cada professor ou funcionário que se aposentou nos últimos anos, sua vaga se transformou em acúmulo de trabalho para aqueles que estão no front da batalha. Fecharam salas de leituras, cortaram vice-diretores, coordenadores. É o salve se quem puder... 


Falar em cadastro de professores eventuais neste momento do ano é tampar o sol com a peneira, pois já estamos no final do 1º bimestre. E coletar esse tipo de ajuda não é fácil para algumas diretorias ou cidades, cuja demanda desses profissionais é inexistente, pois ninguém mais parece ter expectativas positivas para trabalhar com jovens e adolescentes da geração assistida pela Lei do Menor. Professores, funcionários e equipe gestora se transformaram em vítimas de todo tipo de desrespeito por parte de menores que não trabalham não estuda, não obedecem a regras ou normas, são agressivos e violentos e os pais não sabem o que fazer.

Mencionar a palavra “bônus” é revoltante, pois vincular o trabalho dos profissionais da educação ao desempenho de alunos classificados como vulneráveis seria como pedir milagres, e isso, somente a grande mídia financiada por interesses de poucos, pode realizar via realidade virtual.

O Magistério e o seu papel junto a este sistema de realidades virtuais fabricadas, cada vez menos participa das decisões, pois todo mês uma nova resolução aparece nas escolas e cabe aqueles que ainda estão no FRONT apenas cumprir as leis.

Outro detalhe, nem todos os membros do magistério compreende a “gravidade da crise” pois, sabemos que no capitalismo selvagem “crise também é oportunidade”, assim, em nome dela, as empresas fazem cortes de funcionários e substituem por máquinas e tecnologias ou Plataformas  Terceirizadas. No entanto, pedir sacrifícios em nome de uma reestruturação de comandos, muitos deles advindos de realidades virtuais e da grande mídia, não recupera a autoestima de trabalhadores da educação. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

GOE e a bola da vez: 53 tarefas para o Gerente de Organização Escolar

Joaquim Luiz Nogueira
53 três tarefas para o Gerente de Organização Escolar 
Vejam o que a filosofia de "fazer muito com pouco" pode fazer. 
Resolução SE 11, de 17-2-2017

Ao servidor designado para o exercício da função de Gerente de Organização Escolar - GOE caberá gerir as atividades previstas nos artigos 3º, 4º, 5º e 6º desta resolução, responsabilizando-se pelo acompanhamento e controle de sua execução, com vistas ao pleno desenvolvimento dos trabalhos, afim de garantir o cumprimento das atividades e o atendimento às necessidades da escola.

1) participar do planejamento, organização, coordenação,
avaliação e integração de todas as atividades desenvolvidas no
âmbito da unidade escolar;
2) assistir os órgãos da administração, o corpo docente, e
os servidores da unidade escolar, encaminhando demandas e
monitorando sua execução;
3) elaborar a programação das atividades da secretaria,
mantendo-a articulada com as demais programações da escola;
4) cumprir e fazer cumprir a legislação, os prazos para
desenvolvimento dos trabalhos e as ordens das autoridades
superiores;
5) zelar pela regularidade dos serviços prestados, garantindo
ambiente propício ao seu desenvolvimento;
6) orientar e manter atualizados os seus substitutos,
indicados na Escala de Substituição, sobre as atividades
a serem executadas em seus impedimentos legais e temporários;
7) providenciar a instrução de processos e expedientes que
devam ser submetidos à consideração do Diretor de Escola,
manifestando-se quando necessário;
8) zelar pela guarda, sigilo, publicação e correto encaminhamento
de documentos da unidade escolar, bem como fiscalizar a
atualização dos arquivos;
9) elaborar e assinar relatórios circunstanciados sobre o
desempenho de atribuições dos servidores do Quadro de Apoio
Escolar, conforme orientação superior;
10) acompanhar o recebimento e a distribuição de expedientes
e ofícios, elaborando parecer substanciado e conclusivo com
fundamento na legislação pertinente, quando for o caso, dando-
-lhes o devido encaminhamento;
11) manter-se atualizado em relação a leis, decretos, regulamentos,
resoluções, portarias e comunicados de interesse
da escola, acompanhando as publicações no Diário Oficial
do Estado, bem como responsabilizar-se pela organização do acervo legal;
12) estimular, conjuntamente com o Diretor de Escola,
o desenvolvimento profissional dos Agentes de Organização
Escolar, Agentes de Serviços Escolares, Secretários de Escola e
Assistentes de Administração Escolar, proporcionando oportunidades
de aprimoramento;
13) informar sobre o andamento das atividades da Unidade
Escolar ao Diretor de Escola, bem como sobre irregularidades
administrativas e providências adotadas;
14) executar outras tarefas, relacionadas à sua área de
atuação, que lhe forem determinadas pelo superior imediato
previstas em legislação específica.
15) acompanhar a expedição de documentos relativos à frequência
do pessoal docente e dos demais servidores da escola;
16) orientar a organização dos assentamentos dos servidores
em exercício na escola e sua atualização;
17) conferir e assinar a folha de pagamento de vencimentos
e salários do pessoal da escola e expedientes relacionados a ela;
18) acompanhar a elaboração das portarias de contratação,
extinção do contrato ou dispensa;
19) acompanhar a inserção, consulta e atualização dos dados
nos sistemas informatizados de Controle de Frequência e Cadastro
Funcional PAEC/PAPC/PAEF, relacionados à vida funcional
dos docentes e dos demais servidores;
20) acompanhar o processo de atribuição de classes e aulas a
docentes e monitorar a dinâmica do surgimento de aulas livres
e em substituição na unidade escolar;
21) acompanhar e cumprir os prazos estipulados em cronograma
para o lançamento da frequência dos servidores
classificados na unidade, as alterações de carga horária de
docentes, digitação de aulas ministradas eventualmente e
reposição de aulas;
22) providenciar a elaboração do livro-ponto dos servidores
da unidade escolar, monitorar o fluxo de docentes e acompanhar
o cumprimento do horário de aulas;
23) submeter à apreciação do Diretor de Escola a escala de
férias anual de cada servidor e, no início de cada mês, verificar a
confirmação do Boletim Informativo de Férias - BIF, para pagamento
do adicional de 1/3 de férias, bem como acompanhar a
digitação da escala e apontamento de férias dos servidores no
sistema GDAE - Módulo SIPAF;
24) monitorar as publicações do Diário Oficial referentes
a nomeação, afastamentos, licenças médicas, readaptação,
admissão, aposentadoria cuidando para que os registros sejam
efetuados no sistema de controle de eventos na vida funcional
de todos os funcionários e servidores vinculados à unidade
escolar, dando ciência ao servidor;
25) acompanhar o agendamento, a publicação, e, se for o
caso, a reconsideração e o recurso de perícias médicas dos servidores
da unidade escolar, dando ciência ao servidor;
26) gerenciar o processo de matrícula escolar acompanhando
e controlando as movimentações, incluindo as transferências, se
necessário, garantindo o acesso à educação;
27) acompanhar e controlar, o registro e escrituração da vida
escolar, a frequência, e os lançamentos nos prontuários dos
alunos, visando garantir sua atualização;
28) expedir, com assinatura conjunta do Diretor da unidade
escolar, documentos relativos à vida escolar dos alunos, como
histórico escolar, certificados de conclusão e outros;
29) acompanhar a inserção de dados dos alunos nos Sistemas
específicos;
30) incluir a Ata de Resultado Final no Sistema Informatizado
GDAE - “Módulo Concluintes”;
31) administrar as informações referentes à participação
em programas de distribuição de renda, transporte escolar e,
quando for o caso, de caracterização de necessidade educacional
especial;
32) acompanhar o lançamento de notas e frequência
dos alunos, por componente curricular, no Sistema Escolar
Digital - SED, ao final de cada bimestre, para a elaboração do
Boletim Escolar;
33) assistir e acompanhar o registro do Rendimento Escolar
Individualizado, no final do ano letivo, ou a cada semestre no
caso da Educação de Jovens e Adultos, no Sistema de Cadastro
de Alunos;
34) acompanhar o controle da movimentação de alunos no
recinto da escola e em suas imediações, informando à Direção
da Escola sobre a conduta deles e comunicando ocorrências;
35) participar do processo de formação de classes, de turmas
e salas, bem como da grade horária;
36) acompanhar o registro e informação das aulas ministradas
na Unidade Escolar;
37) registrar e acompanhar o cumprimento das propostas da
SEE e do Calendário Escolar;
38) elaborar proposta das necessidades de material permanente
e de consumo;
39) acompanhar o preparo dos expedientes relativos a registro,
controle, aquisição de materiais e prestação de serviços, bem
como adotar medidas administrativas necessárias à manutenção
e à conservação de equipamentos e bens patrimoniais de natureza
permanente e de consumo;
40) acompanhar o recebimento de materiais didáticos e
escolares, mobiliário, computadores e demais suprimentos, verificando
a equivalência com a descrição da nota fiscal, e providenciando
a baixa de recebimento nos sistemas informatizados,
após a devida conferência;
41) providenciar para que todos os materiais destinados aos
alunos sejam devidamente entregues, e que quaisquer materiais
excedentes sejam informados à Diretoria de Ensino, para o
devido remanejamento, se necessário;
42) providenciar, conjuntamente com o Gestor da Unidade
Escolar, as aquisições de material de consumo que sejam necessárias,
por meio da Rede de Suprimentos, em atendimento às
demandas mensais da escola, evitando a falta de materiais, bem
como estoque excessivo;
43) zelar pelo correto armazenamento dos materiais recebidos,
bem como pela organização do almoxarifado;
44) controlar, conjuntamente com o Gestor da Unidade Escolar,
o patrimônio da unidade escolar;
45) assistir o Diretor da Escola, mantendo registro de
dados referentes à Associação de Pais e Mestres, ao Conselho
de Escola, e a verbas, estoque de merenda escolar, contratos
de terceirização, disponibilidade de recursos financeiros,
devendo prestar contas dos gastos efetuados na unidade
escolar;
46) acompanhar o recebimento de gêneros alimentícios e
zelar por seu correto acondicionamento na despensa da escola,
de acordo com o modelo de gestão do Programa de Alimentação
Escolar de sua região;
47) acompanhar a retirada de alimentos para preparo,
de acordo com a data de validade, garantindo que todos os
produtos sejam utilizados dentro dos prazos adequados para
consumo;
48) apoiar o Gestor da Unidade Escolar, na identificação de
reparos necessários nos ambientes escolares e nas providências
cabíveis, que compreendam a comunicação ao Núcleo de
Obras e Manutenção da Diretoria de Ensino ou a utilização dos
recursos financeiros disponibilizados à escola, providenciando
conserto imediato;
49) definir, em conjunto com a Equipe de Gestão Escolar,
a utilização dos recursos destinados à conservação e reparo
do prédio escolar através do Programa Dinheiro Direto na
Escola;
50) organizar, em conjunto com o Gestor da Unidade Escolar,
processos de prestação de contas de despesas da unidade escolar, efetuadas com recursos da Secretaria e do MEC, providenciando sua publicação e registro no GDAE - Módulo Financeiro;
51) assistir e acompanhar o atendimento aos pais/responsáveis,
aos alunos e a toda comunidade escolar, de forma presencial
ou à distância, com ética e urbanidade, garantindo acesso
às informações, respeitada a legislação pertinente, contribuindo
para a integração escola-comunidade;
52) organizar, preparar e agendar reuniões e assembleias,
bem como elaborar atas e registros;
53) acompanhar o atendimento aos servidores da escola e
aos alunos, prestando-lhes esclarecimentos quando necessário.”