Pesquisar este blog

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A Pedagogia para obter resultado

 



Joaquim Luiz Nogueira

Fonte: História das ideias pedagógicas no Brasil

Demerval Saviani 

A competência é emergida nos anos 60 como fruto do behaviorismo, identificada nesta fase inicial como objetivo que o aluno deveria atingir para realizar as operações, isto é, adquirir competências pela via cognitiva, segundo Saviani. ” Competência adquirida por esquemas construídos pelo sujeito e interação com o ambiente, equilíbrio e acomodação “.

Mas logo em seguida, a pedagogia da competência, rompe com esta interação das pessoas com o seu meio (neoconstrutivismo) e passa a desprezar os conceitos de meio cultural-social do indivíduo, assim como os chamados conhecimentos prévios.

As competências cognitivas ganham forças nas afetividades emocionais. Saviani afirma que a competência nesta fase se funde com o “neopragmatismo”, então, torna-se “verdade elidida”, ou seja, veracidade suprimida. Elas podem ser adquiridas por mecanismos adaptativos do meio natural e social, ou seja, as pessoas podem ser ajustadas ao “processo produtivo”, mesmo que não estejam totalmente competentes.

A ideia é que a produção aumente com o trabalho não pago, o que Saviani define como “criação de valor de troca ou obter o máximo com o mínimo”. Aqui, vamos abrir parênteses para mostrarmos a fusão da: Pedagogias Tecnicistas de um lado - nela têm aquilo que de acordo com Saviani, os princípios de racionalidade e que nos anos 70, perseguia as iniciativas individuais com controle e direcionamento do Estado. De outro lado, a Pedagogia dos anos 90, que valoriza os mecanismos de mercado, com apoio da iniciativa privada, ONGˢ e parcerias público-privadas. Essa última, busca flexibilizar o processo; trata-se de uma inspiração que de acordo com Saviani, seria do Toyotismo. E depois, o neotoyotismo, busca atualizar as pessoas, deslocando-os novamente do eixo de processo de aprendizagem para o de resultado.

O foco passa a ser a avaliação, sendo esta, encarregada de garantir eficiência e produção. Ela ganha o papel principal, a bola da vez, do Estado e da União. Estudantes, gestores e professores devem ser avaliados a partir de resultados obtidos. Esse foco no resultado abre espaço no Brasil para penetração da Pedagogia Corporativa, que de acordo com Saviani é para atender a determinados nichos do mercado.

A pedagogia da “Qualidade  Total” defende a satisfação total do cliente e os funcionários devem vestir a camisa da empresa. A ideia é gerar competição entre os trabalhadores em torno do empenho pessoal com objetivos e metas. Os professores que ensinam são considerados, nesta teoria, como “prestadores de serviços”, os alunos tornam-se clientes, numa visão que a educação é um produto e que pode ser produzida com qualidade variável.

É a concepção da produção de diversos saberes ou diversidade, alunos diferentes com instituições diversificadas. Os clientes da escola são a comunidade e as empresas. Neste sentido, devem ficar satisfeitos. O professor, educador das novas gerações deve se transformar em treinador, isto é, para Saviani, a educação deixa de ser um trabalho de esclarecimentos e de conscientização para ser um trabalho de doutrinação, convencimento e treinamento para o mercado.

Trata-se de uma pedagogia que exclui as pessoas e depois tenta incluí-las, definida por Acácia Kuenzer, como “exclusão includente”. Segundo Saviani, o trabalhador é primeiro excluído do trabalho formal e depois incluído na informalidade. Caso queira voltar para o emprego formal perderá vários direitos e sofrerá diminuição de salário. Eis o drama atual do professor na visão de Saviani. Ele também é vítima da inclusão excludente.

 

 


Como atuar na escola segundo a Pedagogia Quântica

 


Pedagogia Quântica

Joaquim Luiz Nogueira

https://gestaodosucesso.blogspot.com/2023/07/por-uma-pedagogia-quantica.html

Nossa função enquanto professores ou gestores será:

a)     Garantir a sobrevivência da escola, embutindo nela a competência para lidar com os estímulos perturbadores da comunidade escolar;

b)    A desordem trazida pelo coletivo torna-se a fonte da ordem, pois ela, incorpora o processo do crescimento, isto é, uma ordem sem controle.

c)    No entanto, devem se manter abertos, ou seja, temos de aprender no desequilíbrio, sobreviver no limite entre ordem e o caos;

d)     Permanecer à espreita, dialogar constantemente com os envolvidos, buscar uma abordagem geral para atender a complexidade em que vivemos;

e)    Na teoria da complexidade temos a pesquisa daquilo que emerge, isto é, a tentativa de entender e explicar as propriedades do novo em uma abordagem não - linear, cuja afirmação nos diz que, o coletivo pode ser mais importante que as partes, então, as conotações, a criatividade, a novidade e a surpresa emergem da estrutura via conexões entre os envolvidos;

f)      O motor da complexidade reconhece que a existência é o resultado do processo de informação;

g)    Temos que autorrenovar, isto é, acompanhar a mudança passo a passo, agindo em sintonia com ela, isto é, a escola tem de reagir como um sistema que se auto-organiza, inteligente o bastante. para processar as informações que chegam com os estudantes e sua comunidade escolar;

h)    Na escola em que todos aprendem, o papel dos docentes, funcionários e gestores será operar na construção de uma teia que estabeleça um contexto adequado para permitir a emergência da criatividade na adaptação e sobrevivência, com base, na primazia da responsabilidade individual e na formação do futuro de cada pessoa;

i)     Os fins e as condições para atingi-los não são fixos nem estáveis. Essas coisas têm que ser vistas como consequências de processos adaptativos (processos de aprendizado);

j)     Os processos permitem à escola responder ao inesperado, isto é, não significa nem impor, nem pressupor resultados ou métodos, pois o futuro é aberto e depende das interações entre os envolvidos;

k)    As adaptações que os professores, gestores e estudantes praticam são sinônimos de aprendizagem, significa o aprender para sobreviver;

l)      São os elementos adaptativos que nos ensinam algo para a vida real;

m)  A criatividade e a aprendizagem consistem em resistir aos processos fechados, seletivos ou padronizados;

n)    Fortalecemos naquilo que nos alimenta, isto é, na evolução e na existência de multiplicidade e variedades, ou seja, a possibilidade de múltiplas escolhas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

João Carlos Figueiroa

 Um grande ser humano passa atuar em outra dimensão, morre em Botuatu, João Carlos Figueiroa. 

                                                                                                            Joaquim Luiz Nogueira 


Conheci João Carlos Figueiroa  no ano de 2009, quando cheguei em Botucatu, ele me recebeu no Centro Cultural, na Sala Prof. Raymundo Marcolino da Luz Cintra e ofereceu seu apoio, sendo o apresentador de minha noite de lançamento do livro "Saiba Como Obter Suceso em Contextos Sociais Diferente" que ocorreu numa sexta feira, 18 de dezembro de 2009. 


A frente da cerimonia de lançamento, ele conseguiu emocionar a todos com seu conhecimento e humildade, caracteristica de sua pessoa.  Estava sempre pronto para ajudar a todos que lhe procurava no Centro Cultural. O mesmo ocorreu em sexta-feira, 28 de outubro de 2016, Noite de lançamento do Livro sobre a História da  EE Prof. José Pedretti Neto.  Ele participou desde a pesquisa deste projeto, quantas vezes, mesmo aos sábados, ele me recebia no Cewntro Cultural e me apresentava os jornais da época, década de 1970, com recortes sobre a inauguração  da escola e fatos importantes em Botucatu que eram contemporâneos da necessidade daquela jovem escola estadual.


Ele compareceu na noite de lançamento e nos ajudou junto aos outros convidados daquele dia significativo para a comunidade escolar da EE Prof. José Pedretti Neto. Sua contribuição junto a minha pesquisa e o seu apoio, ficará para sempre em minha memória. Obrigado por tudo, pessoas com o seu conhecimento e humildade, não encontramos com facilidade, portanto, fica aqui minha homenagem e gratidão. 

Joaquim Luiz Nogueira 



terça-feira, 11 de julho de 2023

Por uma Pedagogia Quântica

                     Por Uma Pedagogia Quântica

Joaquim Luiz Nogueira 


·         Este artigo tem como base o Livro: Em Busca da
Empresa Quântica - Clemente Nobrega



     A impressão de que as coisas estão além de nosso controle é o sintoma de nosso fracasso em entender uma realidade mais profunda da vida na organização escolar e na existência em geral. No contexto educacional e de ensino, as interconexões invisíveis, entre outras coisas, que a princípio julgamos separadas, porém, são elas que estão na base de tudo. Toda a realidade vem das relações com a comunidade escolar e os sistemas educacionais. 

A função de ensinar e de aprender representam um mar de infinitas possibilidades. Ela não nos diz o que o "evento" é, mas tudo o que o acontecimento pode ser. Não diz nada sobre "atualidades", só sobre as potencialidades dos estudantes, professores, gestores, familiares, entre outros elementos que compõem a teia de interconexões.  

No momento em que é feita a observação da situação pedagógica pelo professor ou gestor, a função de ensinar e de aprender colapsa para aquela forma em que o experimentador se preparou para detectar naquele momento de aula. Neste aspecto, a consciência abrange o reconhecimento e à aceitação do múltiplo, do ambíguo, do incerto, ou seja, aceitação de que há infinitas potencialidades - a escolha de uma delas faz com que, automaticamente, as outras desapareçam, pois, escolher é eliminar, segundo a visão da pedagogia quântica. 

Nesta visão, a pedagogia quântica se inspira no foco das relações que acontecem no ambiente da comunidade escolar, na qual se torna a base para todas as definições e decisões, isto é, nada fica isolado. A escola é a ponte entre o domínio das potencialidades e das atualidades. Através dela e da imaginação, entraremos em contato com o mundo das potencialidades, e escolheremos um foco para apoiarmos entre as muitas possibilidades.

Neste aspecto, interessa pouco falar no que o estudante "realmente é". Esqueça o que ele "realmente é". O que "realmente é" é aquilo que os professores, os familiares ou eles mesmos, dizem que realmente são. A realidade é aquilo que os indivíduos percebem como tal.

É a criação da realidade por participação ativa, pois, neste caso, o ambiente permanece não criado até que nós interajamos com ele. Enquanto o estudante não se engaja no contexto, não percebe como ele é. Seja qual for a natureza da realidade objetiva, só conseguirá apreendê-la através de narrativas, isto é, Histórias que levem à ação pedagógica desejada.

Na escola existe uma tendencia instintivamente mecanicista, que enfatiza o ponto de vista de algo como certo, isto é, único, pois segundo este pensamento só há uma maneira de olhar as coisas e interpretá-las. Logo, não existem tolerância para ambiguidade ou para ideia de que é possível obter resultados fora do contexto do "ou isso ou aquilo” que tanto nos perturba e incomoda.

Neste sentido, uma afirmação ou é verdadeira ou é falsa. Um curso de ação, ou bom ou mau. Nada de nuança ou paradoxo. A multiplicidade e a variedade não cabem nesse modelo de linearidade na qual abrange a grande maioria dos modelos de avaliação em vigor atualmente.

Portanto, as interconexões não são nada demais no modelo máquina que estão em vigor nas avaliações contemporâneas, mas são tudo no modelo da pedagogia quântica, pois no modelo máquina, “coisa”, leva ao confronto e ao conflito entre todos, já que a disputa e a luta pela supremacia da maneira "certa" de ver e de fazer leva para fórmulas e apontamentos de caminhos únicos.

No contexto da pedagogia quântica é o oposto de tudo isso, nele não há lugar para fórmulas ou checklists, pois ele é “fluido” e nada de "faça isso ou esse é o caminho". O importante é o engajamento participativo dos docentes e funcionários com os estudantes e familiares, ou seja, com as pessoas, com os eventos que criam a realidade, já que os avanços ou o sucesso só pode emergir de um contexto que seja rico em relações.

O ambiente escolar não vai avançar enquanto o modelo mecanicista de receituários estiver sendo aplicado, isto é, ele serviu bem na era da simplicidade, porém não funciona mais neste momento de complexidade em que vivemos hoje. Agora é a lógica do diálogo que tem de ocupar o centro, sem ela, não  podemos construir novos resultados.

Na pedagogia quântica o investimento emocional que se coloca no processo é que se torna a chave para a (posse) da aprendizagem, pois chamar a atenção dos estudantes ou obrigá-los a aceitar certas realidades que eles não desejam, não possuem efeitos satisfatórios. Para eles, não há realidade se eles não participarem do processo ou de sua formulação, isto é, só podem tomar consciência de um plano através da participação nele. A escola quântica é a flexibilidade à procura de significado, não demonstração de força ou de poder.

A impressão de que a escola está fora de controle é um sintoma do fracasso em entender uma realidade mais profunda do espaço escolar e da vida dos estudantes. Os velhos vícios do raciocínio linear, sequencial, que nos acompanham implacavelmente, terão de fato de ser abandonados.

É numa visão mais integrada que a solução interage, isto é, da dinâmica do sistema e da comunidade escolar, pois, é daí que tudo emerge, não dos efeitos isolados de cada estudante ou docente. Evoluímos do objeto para o símbolo e deste, para a linguagem e desta última para a comunicação, ou seja, para o diálogo e as perguntas, já que seres vivos respondem desordem com vida renovada, organizada, mais complexas e inteligentes.  

Nossa função enquanto professores ou gestores será garantir a sobrevivência da escola, embutindo nela a competência para lidar com os estímulos perturbadores da comunidade escolar; A desordem trazida pelo coletivo torna-se a fonte da ordem, pois ela, incorpora o processo do crescimento, isto é, uma ordem sem controle.

No entanto, os sistemas escolares criativos devem se manter abertos, ou seja, tem de aprender no desequilíbrio, sobreviver no limite entre ordem e caos, espécie de linha criativa usada pelos sistemas biológicos vivos. Permanecer à espreita, dialogar constantemente com os envolvidos, buscar uma abordagem geral para atender a complexidade em que vivemos.

A teoria da complexidade é a pesquisa daquilo que emerge, isto é, a tentativa de entender e explicar as propriedades do novo em uma abordagem não - linear, cuja afirmação nos diz que, o coletivo pode ser mais importante que as partes, então, as conotações, a criatividade, a novidade e a surpresa emergem da estrutura via conexões entre os envolvidos.

Portanto, o motor da complexidade reconhece que a existência é o resultado do processo de informação, assim, temos que acompanhar a mudança passo a passo, agindo em sintonia com ela, isto é, a escola tem de reagir como um sistema que se auto-organiza, inteligente para processar a informação que chega com os estudantes ou comunidade escolar e se autorrenovar.

Na escola em que todos aprendem, o papel dos docentes, funcionários e gestores será operar na construção de uma teia que estabeleça um contexto adequado para permitir a emergência da criatividade na adaptação e sobrevivência, com base, na primazia da responsabilidade individual na formação do futuro de cada pessoa.

Neste aspecto, os fins e as condições para atingi-los não são fixos nem estáveis. Essas coisas têm que ser vistas como consequências de processos adaptativos (processos de aprendizado). Estes processos permitem à escola responder ao inesperado, isto é, não significa nem impor, nem pressupor resultados ou métodos, pois o futuro é aberto e depende das interações entre os envolvidos.

As adaptações que os professores, gestores e estudantes praticam são sinônimos de aprendizagem, significa o aprender para sobreviver. São estes elementos adaptativos que nos ensinam algo para a vida real. A criatividade e a aprendizagem consistem em resistir aos processos fechados, seletivos ou padronizados. Pois, o que alimenta a evolução é a existência de multiplicidade e variedades, ou seja, a possibilidade de múltiplas escolhas. 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

A Função da Escola Pública no Pós Pandemia

 

A Função da Escola Pública no Pós Pandemia

                                                                                     JOAQUIM  LUIZ NOGUEIRA 

*  Apresentar o mundo do novo normal

*   Adaptar-se as novas formas de consumo

*   Compreender e trabalhar a partir do não linear

*   Entender que a escola sozinha não forma os estudantes


O mundo do chamado “novo Normal” quebrou na mente dos estudantes a obrigatoriedade da frequência escolar física, eles perderam a capacidade de frequentar um mesmo lugar de segunda a sexta, pois suas abrangências de mundo abraçaram universos muito maiores, que não possibilitam mais ao corpo físico acompanhar todos estes pontos nos quais julgam como de grande importância para sua vida.

Desse modo, os estudantes mesclam o corpo físico, o virtual e o imaginário, já que do ponto de vista deles, o espaço físico torna algo semelhante ao virtual, ou seja, o local onde se situa pode simplesmente se comunicar com qualquer outro onde suas necessidades o levarem. E a ordem de importância ou valor quem deve decidir seria ele mesmo, isto é, tudo muito rápido, basta clicar.

As novas formas de consumo facilitaram a exposição do produto via tela de celulares e computadores, tudo ao alcance de alguns cliques, apenas visualização, desejo, gosto e pronto, a imagem já ganha status de pertencimento, pois aparece no carinho de compra, dai até a chegada do produto nas mãos pode ter um longo processo e talvez, nem ocorrer de verdade, mas a sensação de possuir e adquirir já alimentou o indivíduo.

As frustrações derivadas deste processo são compensadas com novas formas de consumo virtuais, cujas selfs ou ostentações de imagens, palavras, frases, entre outras, dominam o vocabulário dos estudantes, e que, de maneira alguma, possuem semelhanças com aquilo que são lhe apresentados na escola. Pois, nas salas de aula com ensino presencial, os docentes são guiados por currículos, construídos pela esfera federal e estadual, cujas finalidades teóricas e introdutivas os tornam abrangentes ao máximo, porém, avaliações externas e vestibulares buscam conhecimentos específicos de conteúdo, habilidades  e competências, que estão distantes dos universos reais dos estudantes.

A nova função da escola pública neste contexto do não linear, passa por uma etapa de reflexão, ou seja, parar e observar o universo dos estudantes que chegam até a sala de aula, pois as diversas demandas abrangem desde o psicológico até as consequências econômicas daqueles que fazem matrículas na escola pública. A compreensão deste universo que nutrem os estudantes com alimentos, vestimentas, lazer, saúde, moradia, amizades, relacionamentos, segurança, direitos, educação, cultura, entre outros, são de extrema importância para os rumos da formação.

A função da escola pública que recebe toda essa gama de diversidades sociais, por meio de matricula obrigatória dos estudantes, logo, deve se preparar também para aprender com as novas demandas advindas de um processo contemporâneo de mudanças de valores, cujos métodos tradicionais de ensino tornam-se sem sentido para uma geração nutrida com uma avalanche de informações a cada clique do celular ou computador.

Neste aspecto, a escola sozinha não possui mais o controle daqueles que fazem matrículas, muito menos, das condições que terminam um ano letivo ou uma etapa de quatro ou cinco anos. Os chamados Conselhos de série e classe com a participação de mestres, alunos, responsáveis, funcionários, não possuem mais a compreensão do “Todo” já que, o estudantes em sua maioria  não possuem linearidade na frequência escolar e fora da escola, seus universos são outras preocupações com urgências que não podem ser ignoradas por eles.

Podemos concluir que a escola pública, assim como outras instituições, tais como a saúde, a segurança, entre outras, recebem incumbências na ordem do idealismo de cada usuário que procuram estas instituições, talvez, no imaginário daqueles que conheceram a mesma instituição no passado, nos livros, na TV, na novela; etc. Na realidade, o hoje em cada instituição citada, está muito diferente do passado, ou seja, teoria e prática estão se mesclando para apresentar algo que ainda não possui uma nomenclatura definida.  


segunda-feira, 13 de junho de 2022

Pedagogia da Escuta

 


Pedagogia da Escuta

                                                                               Joaquim Luiz Nogueira

Essa pedagogia com origem na Itália[1], destinada ao desenvolvimento da aprendizagem infantil, chega no Brasil impulsionada pelo Ministério Público, que sugere seu uso na escola junto a resolução de conflitos. “DIÁLOGOS E MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NAS ESCOLAS Guia Prático para Educadores”

A Pedagogia da escuta sugere ouvir a comunidade escolar desde o estudante até suas famílias, no sentido de que a escola possa se construir com contextos diversificados e que reconheça as infinitas maneiras de ser estudante, isto é: dedicar-se naquilo que gosta, realizar novos desafios, ter foco, questionar a realidade, ser respeitoso e consciente, assim como, fazer seus deveres, entre outros.

Junto as famílias notamos que: temos que demonstrar respeito pelo diferente, reconhecer suas ideias e opiniões. No atendimento na escola vamos diagnosticar se o pai ou responsável possui as seguintes características: necessidade de controlar e intimidar; acha natural que sua maneira de falar e agir é natural de sua pessoa; costuma fazer comentários depreciativo dos outros; possui argumento irrelevantes semelhantes a um ataque ou tenta se impor, não aceita ouvir outros pontos de vistas.

Para aqueles que estão nas lideranças das escolas não se devem  dominar pela agressividade do outro, ou seja, deve usar a inteligência emocional, cautela, paciência e autocontrole. Nesta pedagogia, valores como o lugar do coletivo e a escuta sensível deve ser usada para se conectar com o outro, o lema a ser enfatizado é: “na escola todos os sujeitos são aprendizes”

Neste sentido a escola deve fazer um plano de convivência escolar, cujo objetivo seja: prevenir e buscar uma boa convivência, transformando “cotidianos de risco” em “espaços protetores”. Neste plano a escola deve: capacitar os estudantes para fazerem um diagnóstico da comunidade escolar via um questionário por classe e no final, elaborar regulamentos coletivos e criação de hábitos de mediação, círculo de paz e práticas restaurativas.

De acordo com Marshall Rosenberg, psicólogo americano, falecido em 2015, defensor da não violência, que recomenda diante de situações agressivas: continuar humano, mesmo em condições adversas, "Ressignificar" a fala para se tornar empático, algo que nasce da compaixão.

 Para Rosenberg, o ambiente familiar pode ser o causador de grandes conflitos, pois não podemos controlar as ações dos outros, mas podemos mudar a nossa reação à elas pelo domínio das emoções.

 



[1] https://lunetas.com.br/pedagogia-da-escuta/  veja neste link toda a teoria da Pedagogia da escuta na Itália.

 


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Pedagogia do autoconhecimento


                                                              Joaquim Luiz Nogueira 

A Pedagogia do autoconhecimento, que abrange uma espécie de “terapia do ser” na qual, o sujeito busca conhecer suas limitações e ainda respeitar as dos outros. Tal incumbência, que agora chega como exigência para os profissionais da educação, também se torna mais um mecanismo na tentativa de que os professores sejam modelados pelas normas legalistas, elaboradas a partir do desejo de novos produtos do consumo coletivo.

Em nome da relação educativa entre professor e estudante, que prega o autoconhecimento pedagógico como primeiro passo rumo a melhorias para o docente e o discente, com uso de conceitos como aliança, cooperação mútua, e participação, onde ambos podem expressar ideias e sentimentos, valores e até crenças, numa utopia chamada de comunicação pedagógica eficaz.

 

“Conhecimento pedagógico significa conhecer seus potenciais recursos internos, habilidades e limitações em relação a si mesmo e aos outros. Isso implica um aumento das responsabilidades e aspirações dos professores de participar ativamente de seu próprio desenvolvimento. Assim, seu potencial autoconhecimento pedagógico é o primeiro passo no processo de autoconhecimento pessoal e profissional. Tem o efeito de otimizar a relação educativa, desencadeada pela necessidade de ser eficiente em qualquer atividade docente. A eficácia da educação depende muito da qualidade da relação professor-aluno. Este deve ser de aliança, participação e cooperação mútua, sendo possível expressar ideias e sentimentos, valores e crenças no repertório comum de professor e aluno da turma. Em essência, garante uma comunicação pedagógica eficaz. Implica desenvolver uma relação empática com o aluno, confiança mútua, respeito mútuo, alta disponibilidade, cognitiva e afetiva e motivacional.”

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1877042813029479 
Pesquisa:  Autoconhecimento e Desenvolvimento Profissional - Condição Educacional Sustentável de um Relacionamento

 

A defesa de uma pedagogia do autoconhecimento para o Ensino fundamental e médio, como se propõe em documentos oficiais que estão chegando na escola pública, implica de um momento para outro, logo em meio a um período de pandemia e um longo período de ausência de aulas presenciais, na retomada com esta visão motivacional e afetiva, como se trabalhar com ensino fosse algo que não exige por parte do estudante, uma atitude de educação.

 

Os entusiastas desta pedagogia do autoconhecimento falam em “Ajudar cada pessoa a se livrar de si mesma”, ou seja, como se fosse possível deixar de ser ela mesma, isto é, de esquecer os traumas, apagar a genética, controlar o sistema nervoso ou tornar se um estudante dedicado.

 

Neste sentido a pedagogia do autoconhecimento estabelece que “O papel do professor não é avaliar o aluno ou responder por ele, mas ajudá-lo a reconhecer quem ele é”.  A pergunta, quem sou eu? Esta questão, feita pelo sujeito professor, a ele mesmo, com certeza já não obtém nenhuma resposta na grande maioria dos indivíduos adultos, portanto, uma criança ou adolescente, jamais estão preparados para chegar a esta resposta.

 

Aumente a inteligência: busca por significado. Buscar sempre a formação
integral Vá além das aparências com um olhar aprofundado Ajude cada pessoa a se livrar de si mesma
O autoconhecimento é necessário para uma educação transformadora, que permite a todos se engajarem na transformação da sociedade. O papel do professor não é avaliar o aluno ou responder por ele, mas ajudá-lo a reconhecer quem ele é, para se construir, para avançar na definição do seu projeto profissional. Esse processo pode ser comparado à construção de um portfólio de "autoconhecimento", conhecimento que está sempre em movimento. Este trabalho pode gerar motivação. https://www.assomption-france.org/rubriques/gauche/centre-de-ressources-pedagogiques/partage-doutils-pedagogiques/module-daccompagnement-crpa-connaissance-de-soi

 

 

Não se constrói nada sem um bom planejamento, o fato de comparar esta pedagogia de autoconhecimento a construção de um portfólio, é algo muito interessante, porém, quando um estudante coloca todas suas conquistas em um portfólio, provoca motivações, mas quando, junta todos os seus fracassos e traumas, cria agressividade, revolta e violência. No caso de computadores, o técnico pode formatar a máquina, no entanto, com seres humanos, ainda não inventaram nada semelhante para servir como ferramenta ao professor.   

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Regras Disciplinares na Escola: Teoria e prática

 


Joaquim Luiz Nogueira 

Neste ano de 2021, as escolas estaduais da rede pública paulista, receberam um novo Regimento Escolar, elaborado por especialistas, teóricos e legalistas, cuja dimensão da problemática na qual buscam soluções encontra -se distante de seus cotidianos. As escolas, cada qual com suas realidades e circunstâncias, deveriam possuir autonomia para esta construção, pois a padronização de normas e regras semelhantes para todas, significa uma tragédia anunciada.

Vejamos alguns pontos interessantes sobre as relações:

Artigo 73 – As relações profissionais e interpessoais entre os integrantes da equipe escolar, constituem elementos fundamentais para a organização e o funcionamento desta escola.

Artigo 74 – São princípios que regem as relações profissionais e interpessoais:

I – Autoconhecimento;

II – Empatia / Alteridade;

III – Comunicação / Assertividade;

IV – Cordialidade / Trato interpessoal;

V – Ética.

§ 1º – Autoconhecimento: conhecer a si mesmo e analisar o impacto que causa nos outros.

§ 2º – Empatia / Alteridade: capacidade de se colocar no lugar do outro. É ter consideração pelo outro, por sua opinião, sentimentos e motivações. É saber ouvir.

§ 3º – Comunicação / Assertividade: capacidade de se comunicar de maneira clara, franca, direta e acima de tudo respeitosa;

§ 4º – Cordialidade / Trato interpessoal: ter gentileza, simpatia e solicitude com as pessoas;

O autoconhecimento “conheça a ti mesmo” e veja o “impacto que causa nos outros” Será que aqueles que construíram este documento pensaram em fazer um estágio em uma escola por alguns meses como Diretor, professor ou funcionário. Assim, poderia ver o que realmente enfrentamos na escola: casos de agressividade e todo tipo de violência que migram das comunidades para o espaço escolar.

Vejamos abaixo as medidas disciplinares recomendadas por este documento:

 

SEÇÃO VII – DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

 

Artigo 85 – O não cumprimento dos deveres e a incidência em faltas disciplinares poderão acarretar ao estudante as seguintes medidas disciplinares:

I – Advertência verbal;

II – Retirada do estudante de sala de aula ou atividade em curso e encaminhamento ao Núcleo de Direção para orientação;

III – Comunicação escrita dirigida aos pais ou responsáveis;

IV – Propor roda de diálogo para fins de fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou participação facultativa em círculo restaurativo.

 

Aqueles que já trabalharam em escola e com adolescentes sabem muito bem que “Há dias difíceis e dias em que são extremamente ruins” Após uma briga violenta entre estudantes com risco a vida de pessoas, propor a “roda de diálogo” como solução é algo bastante interessante, para não usar outra palavra. É caso de Polícia, diria os teóricos?  Sim, mas até chegar as autoridades competentes, a tragédia já ocorreu. Então, alguém diz “vamos apurar as responsabilidades!

 

Veja, logo abaixo, no Art. 21, que a escola não poderá impedir a frequência dos estudantes às atividades escolares, isto significa, o “FIM DA SUSPENSÂO” ou seja, se o estudante não terminou de agredir seu colega, o professor ou o funcionário, pode continuar após o intervalo ou na aula seguinte, já que tem o direito de permanecer no espaço da escola.

 

SEÇÃO X – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE OS DIREITOS E DEVERES DOS PARTICIPANTES DO PROCESSO EDUCATIVO

 

Artigo 91 – Esta escola não fará solicitações que impeçam a frequência dos estudantes às atividades escolares ou venham a sujeitá-los à discriminação ou constrangimento de qualquer ordem.

Artigo 92 – Nos casos graves de descumprimento de normas por qualquer integrante da comunidade escolar (docentes, estudantes, funcionários, pais/responsáveis e gestores) deverá ser encaminhado às autoridades competentes. 

 

Observação: Na escola, segundo este documento, não existem autoridades competentes para soluções disciplinares. Então, quem seria as autoridades competentes? Eles chegarão na escola após as tragédias? Algo está errado entre teoria e prática, caso as escolas cumpram ao pé da letra este documento, poderemos aguardar novas tragédias de violência no espaço da escola.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Índios em Brasília em 2021

 


                                                                                          Joaquim Luiz Nogueira 

Uma imagem muito rica, centralizada e no alto, temos o presidente do STF, Luiz Fux, sendo apresentado em uma grande tela emoldurada na cor amarelada, cujas mãos segura com firmeza um papel branco e seu rosto inclina-se para a esquerda rumo a um horizonte acima dos índios. 

No centro e abaixo da imagem do presidente Luiz Fux, aparece uma imagem de uma pena amarela que denota surgir do documento e termina no cocar, trazendo ao seu lado esquerdo, uma pena vermelha e do lado direito, outra na cor amarela, tendo no seu entorno a cor branca, que deixa transparecer apenas um círculo escuro ofuscado no lugar do índio. 

Do lado esquerdo da imagem, tudo é ofuscado, permanecendo apenas os traços de escuridão e o vermelho que aponta para o vazio do amarelo no fundo do cenário, onde estruturas de ferro predominam de forma nítida. No lado direito do cocar a imagem volta a ficar nítida para vislumbrar a costa de um indígena, situada entre o  amarelo da decoração de outro nativo e ambos direciona o observador para algo verde que está a frente, a mesma tonalidade que marca sua cabeça, situada abaixo do olhar de quem fala no telão, que após uma grade de proteção, desponta ao fundo e distante, o verde que simula apenas algo que foi substituído pela imagem que surge no alto e centralizada distante deste público ofuscado, quase inexistente. 


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Pedagogia da Gratidão


Pedagogia da Gratidão 

                                                               Trad.Joaquim Luiz Nogueira 

Fonte: https://ou-iet.cdn.prismic.io/ou-iet/4e498b2d-4ed4-4991-ae20-e1e0f5975cfd_innovating-pedagogy-2021.pdf

Melhores momentos de aprendizagem

Melhores momentos de aprendizagem:  a ideia dos melhores momentos de aprendizagem baseia-se no conceito psicológico de cognitiva absorção, ou 'fluxo', definido como profundo envolvimento ou imersão em uma atividade ou tarefa, muitas vezes acompanhada de sentimentos de prazer. Experiência de pessoas neste estado mental e esses sentimentos quando envolvido em uma atividade que é adequadamente desafiando suas habilidades nível, resultando em concentração total e foco. Os melhores momentos de aprendizagem podem resultar em aprendizado profundo e altos níveis de satisfação, e eles também podem ser particularmente memoráveis. Eles podem ocorrem em situações envolvendo hands-on atividade e participação, e eles se encaixam bem com abordagens centradas no aluno que levam diferenças individuais em aprendizagem em consideração. Dicas de ensino para criar momentos memoráveis inclui falando sobre os interesses dos alunos, fazendo perguntas desafiadoras e aceitar que todos os alunos são diferentes. Ambientes de aprendizagem com tecnologia aprimorada podem ser projetados para criar oportunidades para o melhor momentos de aprendizagem - por exemplo, através do uso de dispositivos móveis, baseados em jogos, experiências de aprendizagem e imersivas, e usando dados de aprendizagem e análises. Novas maneiras de capturar melhor momentos de aprendizagem podem apoiar a reflexão em aprender e melhorar o design de tecnologia de aprendizagem. Melhor aprendizagem momentos também podem ser oportunidades para ‘momentos de ensino’, que são oportunidades não planejadas que surgem quando um professor sente que os alunos estão engajados e prontos para absorver alguns insights, como em geral, um ponto de uma experiência compartilhada 

 

Realidades enriquecidas

 

É cada vez mais comum enriquecer a realidade com o uso de tecnologia os vários tipos de realidade que pode ser misturado. Quando os alunos não podem estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) pode ser usado para tornar algumas experiências memoráveis ​​compartilhadas possível. Quando um aplicativo AR é usado, ele sobrepõe informações em nossos arredores ou objetos ao nosso redor, enquanto a VR fornece uma visão tridimensional do ambiente com o qual os alunos podem interagir. Essas realidades enriquecidas estendem que é possível na educação o treinamento para fornecer experiências novas e dinâmicas que envolvam os alunos imediatamente. Elas também abrem oportunidades que não são disponíveis na sala de aula, como explorar lugares que seriam difíceis, perigosos ou impossível de visitar por um aluno - a superfície de Marte ou o dentro de um vulcão, por exemplo. Com AR e VR, os alunos podem interagir e trabalhar juntos, manipulando o virtual objeto e movendo-se pelo cenário juntos. Essas formas de engajamento podem apoiá-los na compreensão de conceitos, praticando habilidades e realizando várias tarefas ou procedimentos. Enriquecidos realidades agora são usadas em muitos contextos incluindo clínicos e médicos, configurações, treinamento de segurança com o professor. Treinamento e uso em pequena escala de enriquecido da realidade que está ao alcance dos alunos com acesso a um smartphone adequado e uma boa conexão com a Internet.

Gratidão como pedagogia

 

Gratidão envolve o reconhecimento de o que as pessoas têm ou recebem como ação consciente e pode querer dar de volta de alguma maneira. Quando aplicado em um contexto acadêmico, a gratidão pode ajudar alunos para melhorar as relações aluno-aluno; isto aluno-professor e pode ajudá-los a ter mais consciência de seu ambiente de sua aprendizagem e de aumentar a compreensão e o foco em seus estudos.

Também pode melhorar a saúde mental e o bem-estar de alunos e professores - por exemplo, os alunos melhoram sua capacidade de permanecer resiliente enquanto enfrenta dificuldades de aprendizagem. Uma abordagem prática para implementar a gratidão como uma pedagogia envolve perguntar aos professores e os alunos para examinem suas atitudes antes de começar a ensinar ou aprender e durante as atividades de aprendizagem

 Mais reflexão detalhada pode trazer consciência de quaisquer atitudes negativas em relação a certos tópicos ou atividades de aprendizagem. Estas são então analisadas e substituídas por elementos de gratidão. Alunos relataram estar mais engajado e menos distraído, tendo grande motivação para aprender, e ter maior confiança e uma compreensão mais profunda dos conceitos. A gratidão como pedagogia tem sido cada vez mais incluída no desenvolvimento profissional de professores de escola, usado na educação infantil e explorado na prática médica.

Refletindo sobre a atitude para melhorar o bem-estar e o aprendizado

 

Introdução

Gratidão, quando considerada como pedagogia e não como uma emoção, é uma abordagem para aprendizagem e ensino que envolve ativamente o reconhecimento do que temos ou recebemos e a ação consciente de querer retribuir de alguma forma.  Gratidão é normalmente expressa em relação a alguém ou por algo. Quando aplicado em um contexto acadêmico, pode ajudar os alunos a melhorar relacionamentos aluno-professor e aluno-aluno, pode ajudá-los a ser mais ciente de seu ambiente de aprendizagem e pode aumentar sua compreensão e foco em seus estudos. Pesquisa na faculdade os alunos descobriram que praticar a gratidão dentro da aprendizagem indicou um aumento nos alunos da capacidade de se concentrar na aula e permanecer resiliente enquanto enfrenta dificuldades na aprendizagem.  

Aplicando a gratidão como uma pedagogia na sala de aula também pode melhorar a saúde mental e o bem-estar de alunos e professores. Por exemplo, um estudo de professores universitários descobriu que praticar a gratidão como uma abordagem na sala de aula fez com que os professores fossem mais capacitados para lidar com o estresse e encontrar calma, e isso melhorou seu bem-estar. É possível que esta abordagem de ensino e aprendizagem poderia ser ainda mais relevante em tempos de adversidade como ainda estamos lutando com o impacto da Covid-19 na aprendizagem dos alunos e no bem-estar e mental dos alunos e saúde de professores   

 

Colocando em prática

 Uma abordagem prática para implementar a gratidão em aprender e ensinar envolve a criação de um "estado de preparação” onde professores e alunos são convidados a preparar e examinar sua atitude antes de iniciar sua aprendizagem e durante as atividades de aprendizagem. Este estado ajuda os indivíduos a se tornarem cientes do tipo de atitude que eles mantêm (negativa ou positiva) e o impacto que isso pode ter sobre sua aprendizagem, e no ensino, no caso de professores. Criando um estado de preparação antes e durante as atividades de aprendizagem, os alunos e os educadores podem ser encorajados a ser mais ciente da aprendizagem que está ocorrendo e aqueles envolvidos no processo. 

Este estado pode ser desenvolvido quando os alunos e os professores são convidados a refletir sobre um determinado tópico de aprendizagem ou atividade usando os seguintes elementos: pensamentos, palavras, emoções, conversa interna e estado físico. Elas também são solicitadas a usar dois diferentes ângulos: primeiro, olhe para esses elementos opostos de gratidão, que muitas vezes é reclamação, insatisfação e direitos; e, em seguida, olhar para os elementos novamente de um ponto de vista de gratidão. Enquanto reflete, os alunos são solicitados a fazer anotações ou completar uma amostra. Esta reflexão tem potencial para trazer consciência do negativo predeterminado, atitudes e comportamentos em relação a certos tópicos ou atividades de aprendizagem. O negativo as atitudes são então analisadas e substituídas por elementos de gratidão, trazendo um estado de consciência, presença e apreciação entre alunos e professores. Alunos que se envolveram nesta abordagem relataram ser mais focado e menos distraído, tendo grande motivação para aprender, aumentando a confiança e uma compreensão mais profunda de conceitos. 

A gratidão também pode ser aplicada como uma tarefa de avaliação. Um estudo australiano foi conduzido para melhorar o ensino da alfabetização com professores em formação, de maneiras que valorizavam seus relacionamentos com alunos do ensino médio eles estavam ensinando, usando notas de agradecimento. Os professores pediram aos alunos que escrevessem ou desenhassem uma nota de gratidão sobre um tópico ou atividade de aprendizagem sendo avaliados. Os alunos foram solicitados a refletir sobre o conteúdo explorado, quanto eles pensaram que aprenderam, houve a melhoria em sua relação com a escola secundária, pelo que eles eram gratos e estratégias de como eles poderiam retribuir outros, inclusive para suas profissões, uma vez que graduado.  Esta abordagem tem potencial para melhorar a relação professor-aluno, apreciação do aprendizado ocorrendo e futuras aplicações da aprendizagem. 

Quando integrado aos processos de ensino, a gratidão pode apoiar o foco e a resiliência no aprendizado.  Um grupo de 50 estudantes universitários dos EUA foram convidados a refletir sobre suas experiências e considerar a gratidão ao longo de três meses. Os alunos receberam textos periódicos lembretes três vezes por semana perguntando a eles para ter tempo para refletir sobre sua classe (antes da aprendizagem) e práticas de aprendizagem (no final de cada semana), e pensar sobre seus educadores (no meio de cada semana). Participantes foram convidados a realizar a prática informalmente ou escrevendo em um diário. Estes alunos relataram um aumento na habilidade de focar na aula e permanecer resiliente enquanto enfrentavam dificuldades na aprendizagem. 

Desenvolver um diário de gratidão também pode ajudar alunos e professores para melhorar a aprendizagem e ensino, respectivamente. Após o final de um dia ou semana, os professores podem perguntar aos alunos e escrever em seu diário pessoal três boas coisas relacionadas ao seu aprendizado. Professores sabiam usar o diário de maneira semelhante e tomar nota de três coisas que aconteceram em seu ensino durante o dia ou semana que eles são gratos para dedicar tempo para o diário de gratidão, atividade que é importante, por exemplo, horários de ensino que pode ser apertado. Desta forma, alunos e professores valorizam o tempo e a oportunidade de apreciar o que foi aprendido e ensinado e as pessoas envolvidas no processo.

Desafios 

Implementar gratidão na aprendizagem e ensinar pode ser desafiador. Aqui estão alguns dos principais desafios, professores e outros praticantes podem enfrentar ao praticar gratidão conforme identificado por Howells:

- Sistêmica - quando os praticantes possuem prioridades e pressões, na qual, devem se concentrar, isto é, em tarefas administrativas baseadas em processos, deixando muito pouco tempo para gastar com seus próprios desenvolvimentos profissional e em inovação no ensino

Conceitual - quando os profissionais veem a gratidão como uma prática que depende de seu estado ou humor. É importante (mas difícil) pensar sobre gratidão mesmo quando as coisas não saiam como planejado - por exemplo, às vezes de adversidade. Isso não deve distorcer a situação, mas deve construir resiliência.  

Reciprocidade - refere-se a um professor com falta de motivação para aplicar gratidão quando alunos ou colegas não são capazes de oferecer de volta. Enquanto praticar a gratidão deve significar que não há expectativa de obter qualquer coisa em troca, isso pode ser difícil para alcançar ou manter.

A gratidão, e como ela se expressa, pode ser influenciada por valores culturais e sociais, que sugere que a gratidão é uma pedagogia que pode ser adotada mais ou menos prontamente em diferentes países ou configurações. 

Conclusões

A gratidão como pedagogia traz benefícios para alunos e professores. Pode aumentar engajamento, conexão, foco e compreensão dos conceitos que estão sendo aprendidos. Pode melhorar a relação entre professores e alunos, para que aumentem a apreciação do que está sendo aprendido, e o que e quem está envolvido no processo de aprendizagem, incluindo pessoas e conteúdo. Gratidão como pedagogia pode criar um estado de preparação e consciência sobre a aprendizagem dentro e fora da sala de aula, incluindo ambientes online.

Expressando gratidão por alguém ou algo assim, alunos e professores podem melhorar o bem-estar e acalmar em meio ao estresse. A gratidão na educação também pode ser usada para aumentar a inclusão e a diversidade no ensino e aprendizagem, para melhorar o aluno de doutorado - relacionamentos entre supervisor e mentor-pupilo, e para construir resiliência, confiança e desempenho de atletas de elite. Tem sido cada vez mais incluído no desenvolvimento profissional de professores de escola, usado em educação infantil e explorada como um suporte adicional para pacientes com câncer. Como bem-estar e saúde mental são considerados amplamente dentro da educação, é uma pedagogia que pode ser altamente relevante no presente e em um futuro próximo. Suas aplicações são amplas e variadas e os resultados podem ser poderosos.