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domingo, 1 de abril de 2012

Além da realidade - Joaquim Luiz Nogueira


R I C H A R D D AW K I N S no livro “A magia da realidade” toca em um tema muito importante para reflexão nos dias de hoje, isto é, o que é realidade? E ao ver a imagem acima, lembro imediatamente das aulas de semiótica psicanalítica, cujo o ilustríssimo Professor Doutor Oscar Cesarotto , Narrador do realismo mágico urbano, Criador da arte conceitual decorativa, Teórico da clínica da cultura e autor de 10 livros, assim que chegou em uma das aulas do ano de 2007, fez a seguinte pergunta: Qual é a diferença entre a imagem de um ácaro na mídia e os duendes?
A questão provocou surpresa entre os alunos, que depois de algum tempo, começaram a responder supondo que os ácaros eram reais, porém aos poucos, o professor foi indagando sobre a imagem do ácaro que cada um descrevia de acordo com o que conhecia das mídias. E observando a imagem trazida pelo livro de Dawkins, podemos ver um exército de monstros aterrorizadores e agindo de forma organizada e sendo liderados por um de tamanho avantajado.
Essa hiper-realidade com certeza faz muito sucesso em filmes de ficção cientifica, mas também ajuda para impressionar as pessoas sobre algo invisível, aquilo que não conseguimos ver a olho nu. No entanto, a imagem mostrada acima é tão assustadora que apresentada a uma criança, ela terá pesadelos com tais criaturas de seis pernas, ferrões, pelos ralos e que não tem olhos.

Nesse sentido, temos que ver essa tendência das mídias modernas em mostrar imagens amplificadas muitas vezes e compará-las com objetos invisíveis e ficamos com a pergunta colocada pelo Prof. Cesarotto: duendes também existem?

Livros de Joaquim Luiz Nogueira

quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um Menino Poetinha - Literatura Infantil



Resenha sobre o livro

“Em ‘Um menino Poetinha’, o Prof. Elvair mergulha no universo infantil a partir do lado lúdico. Transforma a curiosidade comum de toda criança no elemento que carrega o inédito, ou seja, a surpresa da descoberta de novas maneiras de ver o mundo, segundo o olhar do educando.”

(Prof. Joaquim Luiz Nogueira)

“ ... é um livro que põe em xeque a formação dos professores que não estão acostumados com a criatividade e a inovação. O professor Elvair propõe uma nova maneira de enxergar o aluno, esse ‘ser’ poeticamente maravilhoso.”

(Prof. Sérgio Simka)

“... poesias nos permitem voar pelos caminhos da alma. Elvair, além de nos encontrar com sua amizade, agora nos encontra com seu livro.”

(Prof a. Cleuza Silva Pulice)

“... surpreendente e empolgante. Nem crianças, nem adultos sairão desta aventura da mesma forma que entraram! Esta obra promete revolucionar!!!”

(Prof a. Eleandra Lelli)

“ ... um livro com a docilidade que só a poesia pode transmitir em palavras. Texto inteligente, infantil e encantador; ótima ilustração e a importância da comunicação demonstrada em rimas para o mundo infantil. Recomendo pelo conteúdo essencial que possui.”

(Prof a. Dagmar Romoli)

“... li e recomendo a leitura, o livro rompe com os velhos paradigmas da educação, valorizando a criatividade do aluno, competência necessária para a formação do cidadão pleno do século XXI.”

http://lcm.com.br/site/#/livros/detalhesLivro?id=L01020

sábado, 3 de março de 2012

O espírito do Capitalismo pós 1968 e a educação


Joaquim Luiz Nogueira

Este artigo foi escrito com uma interpretação livre das ideias de Slavoj Zizek

- Autonomia no local de trabalho;
- Trabalho em equipe;
- Trabalho com projeto;
- Empreendedorismo;

Valores exigidos:

- Satisfação do cliente;
- Visão de liderança;
- Auto-organização espontânea;
- autogestão dos trabalhadores;
- Consumir para tornar a vida prazerosa e significativa;
- A experiência desejada pode ser comprada na realidade virtual;
- O consumo sustenta a qualidade de vida (tempo de qualidade).

“O real da utilidade direta” - Jaques Lacan

Indicam Status atualmente :

- Comida boa e saudável;

- A qualidade de seu carro ;

É Tempo de ser prestativo aos outros:

É Momento de realização autêntica do “EU”

- Fazer Ecologia;
- Fazer Caridade;
- Ser voluntário;
- Empresas com responsabilidade social;
- Parcerias;
- Ajudar a comunidade.

O Capitalismo Digital e a Neurociência exige:

Mudança de Paradigmas;
- Comportamento de rede:
- O cérebro torna-se socializado

O aluno e o Professor, ambos aprendem juntos;
- Mudança de “EU” para “Nós “ ;
- O fracasso escolar não pode ser só do aluno;
- A escola como ambiente de aprendizagem;
- O conhecimento do Professor e do aluno deverá se mesclar no espaço escolar;

A Nova Sociedade da Multidão: Hard e Negri

“A multidão governa a si mesma”

“Um Pandemônio de agentes que interagem sem nenhuma autoridade central no comando do espetáculo”

Tempo de Tudo e Nada: valores de 1968 convertidos no capitalismo

- Rebelião da Juventude contra formas de autoritarismos;
- Defesa pelo poder de solidariedade com os pobres e explorados;
- Trabalhar para o bem de todos;
- A sociedade torna-se permissiva e torna a vida mais fácil:
- Direito ao divórcio, ao aborto/ casamento gay, etc.;
- A Juventude não sabe o que fazer.

Divergências:

Todos os alunos devem apreender.

- Ser usuário não é crime: usar na escola é proibido;
- Vender (?????) é crime;
- Novos estilos de vida ou diversidade

Consequências que enfrentamos atualmente:

Explosão de violência desprovida de qualquer conteúdo:

- Só conhecem a força (...) e são solidários com os mais fortes;
- A consciência coletiva é que estamos vivendo os últimos dias;
- Sustentados pelo grito de “ Não sei o que está acontecendo, só sei que para mim chega? Isto não pode continuar! Isso tem de acabar!

Porque as pessoas se recusam a entender ou se envolver com situações complexas?

Segundo ZIZEK, ao se recusarem envolvimento, dão origem a convicção de que tem de haver algum responsável pela bagunça.

Na recusa envolve-se um gesto de transferência (inversão) ou seja, recusamos falar o que sabemos.

Zizek fala de duas políticas para atuação nesse caso:

a) Política emancipatória: impõe sua visão e faz cumprir-se;

b) Política populista: é reativa ao intruso que o perturba, mas tem medo.

Imaginação e Inspiração

União da qualidade com os objetivos finais de um produto

Estratégia Starbucks

*Lema: Transformar o ordinário em extraordinário.

Qual é o segredo?

- Foram movidos pela paixão. Pois os lideres incutiram nos funcionários, também chamados de parceiros, a missão da empresa e os princípios que os norteiam.

Princípios da Starbucks

# Oferecer um ótimo ambiente de trabalho e tratar uns aos outros com respeito e dignidade;

# Apoiar a diversidade como um componente essencial da maneira como fazemos negócios;

#Aplicar os mais altos padrões de excelência no produto;

# Gerar clientes entusiasmados e satisfeitos o tempo todo;

# Contribuir positivamente para nossas comunidades e nosso meio ambiente;

O que você acha disso?

# Você está satisfeito onde trabalha?

# Recebe treinamentos periodicamente?

# Conhece a missão, visão e valores de sua empresa?
# Trabalha a responsabilidade social?

“A oposição é uma valiosa ferramenta de desenvolvimento”

A capacidade de agir positivamente sobre qualquer critica é uma habilidade essencial de liderança.

Uma boa comunicação interna, motivação dos parceiros, transparência, identificação das Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças, tanto da empresa quanto dos concorrentes, são pontos a serem percebidos para empresas e pessoas que estão em busca do
SUCESSO

Veja o vídeo da Starburcks
http://www.youtube.com/watch?v=uGq5Cgh34CM&feature=related

Livros
http://www.ebookcult.com.br/?acao=buscar.livro

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sonhos, desencontros e excessos: forças que modulam ações humanas.

Joaquim Luiz Nogueira

O Sonho é aquilo que carrega, aprofunda, extravasa todas as emoções humanas, joga com o tempo presente ao fazer com que experimentemos os passos do amanhã numa trilha de expectativas. Eles resultam de encontros entre realidades e projeções assimiladas a partir das viagens fora do tempo, cujos sentimentos, terminam por traduzir essa língua impronunciável, mas conhecida pelas emoções, que interpretamos como possibilidades.

Forças que atravessam o tempo e abrem portas as aspirações, ou seja, atua todas as vezes que enfraquecemos a coragem em prosseguirmos rumo ao desconhecido. Elas surgem diante de nós como imagens refletidas do que buscamos e confirmam que podemos vencer.

A cada desencontro com os objetivos que traçamos, uma fenda se abre de forma semelhante aquela que o escalador de montanhas encontra para dar uma pausa em sua jornada rumo ao topo. E se interpretarmos isso como oportunidade, o vazio angustiante se preenche pelas sensações daquilo que queremos, e esse último, ilumina-se ao estremecer nosso corpo.

No entanto, o Buscar é o movimento que delimita a necessidade de cada indivíduo e pode ir além de sua situação de momento. Esse procurar corta o espaço e o tempo de forma instantânea e amarra a imaginação numa atmosfera de possibilidades, ou seja, capaz de proporcionar imagens confortantes.

O transbordar dessas imagens acontecem na maioria das vezes que conseguimos encontrá-las, conquistá-las ou até quando compramos aquilo que necessitamos. Esse excesso poderá criar certa dependência, que por não possuir uma estrutura real, gera reações desproporcionais, ou seja, a criatura pode querer dominar o criador.

Livros do autor em ebook
http://www.travessa.com.br/Joaquim_Luiz_Nogueira/Autor/9B54F004-35F0-4210-B8F1-084615A8DBAE/eBook/

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A filosofia do Filme “A Origem”


Joaquim Luiz Nogueira
Entre muitos devaneios que já tive oportunidade de ver a partir do cinema, o filme me despertou certo interesse por tocar no assunto Realidade, Sonho e Fantasias. Logo de início, qualquer telespectador tem uma imensa vontade de parar de assistir, pois a trama começa do fim e depois surgem ao longo da narrativa algumas frases interessantes:
“ Os sonhos parecem reais quando estamos neles”
“ Nunca lembramos do início de um sonho”
“ O sonho constrói esse mundo”
“ você altera coisas e as projeções convergem para você”

No filme, por incrível que pareça, os sonhos são compartilhados, isto é, como uma rede virtual, cujos os participantes se enfrentam nos sonhos, enquanto os corpos ficam em outras dimensões. É algo semelhante ao filme Avatar, lá os personagens também lutam numa espécie de sonho. Vejamos algumas frases dos sonâmbulos de “A Origem”:
“Sentimos que mais alguém também está criando esse mundo”
“ Experimentamos ou sentimos a natureza estranha desse outro sonhador”
“ Combatemos os invasores de nossos sonhos como uma infecção e de forma que não podemos ter o controle”

Mas também temos o personagem (mocinho do filme) que orienta as pessoas como criar sonhos:

“ Não recrie sonhos a partir de sua memória, imagine lugares novos”
“ Criar um sonho a partir da memória é um jeito fácil de perder a noção do que é real e o que é sonho”
“ Para criar sonhos use apenas detalhes já conhecidos da memória, nunca áreas inteiras de sua memória”

O filme trabalha com a hipótese de que podemos inserir pequenas mudanças na mente de uma outra pessoa a partir da invasão de seus sonhos, ou seja, participar do sonho de outras pessoas e propor ideias significativas, e assim, quando acordarem, as decisões que ocorreram durante o sono transformar-se-iam em realidade. Vejamos a defesa da tese do especialista do filme no assunto:

“ Uma ideia totalmente formada, totalmente compreendida, permanece”
“ No estado de sonho, as defesas conscientes estão mais baixas”
“ Você deve começar com a versão mais simples da ideia”
“ O subconsciente é motivado pela emoção, não pela razão”
“ Temos que traduzir uma estratégia de negócio em uma emoção e sabemos que uma emoção positiva sempre supera uma negativa”
“ Uma ideia é como um vírus resistente e seu mundo não é real”

Concluindo, o filme toca num campo muito interessante, isto é, a realidade e a sua fabricação a partir dos sonhos. Esse tema avançou no cinema a partir do filme Matrix I, Avatar e o “Mundo Surreal”, todos de alguma maneira tentaram apontar hipóteses sobre como criamos aquilo em que denominamos como REALIDADE.

Saiba mais sobre o autor  

http://jolnogueira.wix.com/gestaodosucesso#!gestarsucesso/mainPage
Conheça nos links abaixo mais textos sobre o assunto:

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pensando a escola como ambiente de aprendizagem


Joaquim Luiz Nogueira

Grandes pensadores do século XX, entre eles, Heidegger e Deleuze, tentaram esclarecer como funciona os seres humanos junto aos seus ambientes, Mas no início do século, um biólogo de origem alemã chamado Jacob Johann von Uexküll, investigador do mundo subjetivo e da percepção dos animais escreveu sobre o mundo dos organismos mais elementares até os superiores e estabeleceu:

“(...) uma infinita variedade de mundos perceptivos, todos igualmente imperfeitos e ligados entre si como uma gigantesca partitura musical e, todavia, incomunicantes e reciprocamente exclusivos, em cujo centro estão pequenos seres familiares”. AGAMBEN,1942, P.60.

Uexküll, define sua pesquisa como passeios em mundos incognoscíveis e fala que não existe um tempo e um espaço igual para todos os viventes e que podem variar de acordo com o ponto de vista de onde o observamos. Assim não existe uma floresta enquanto ambiente objetivamente determinado, existe:

- uma floresta para o guarda-florestal;
- uma floresta para o caçador;
- uma floresta para o botânico;
- uma floresta para o viajante;
- uma floresta para o amigo da natureza.

Nesse sentido, vamos imaginar a escola também como espaço de aprendizagem e que não há como pensá-la enquanto ambiente objetivo e determinado, mas como um lugar, cujas pessoas que as circulam, nos levam a concordar com Uexküll, ou seja, parecem que não se movem no mesmo mundo em que as observamos, nem compartilham conosco as mesmas ideias e que tal perguntarmos o que significa:

- uma escola para as famílias estruturadas;
- uma escola para famílias em situações de risco;
- uma escola para alunos interessados;
- uma escola para alunos desmotivados;
- uma escola para o Diretor da unidade;
- uma escola para o Professor- coordenador;
- uma escola para o professor de cada Disciplina;
- uma escola para o supervisor;
- uma escola para o dirigente regional;
- uma escola para o secretário de educação municipal ou estadual;
- uma escola para o prefeito ou governador..


Depois de coletarmos tudo, será que estamos preparados para orquestrarmos essa composição musical no ambiente escolar? Vejamos o que Uexküll nos fala sobre uma haste de flor do campo e os diversos pontos de vista sobre a mesma:

- uma rapariga colhe suas flores para pregar em seu vestido;
- uma formiga se serve como trajeto para chegar em uma outra flor;
- uma larva de cigarra lhe perfura para construir seu casulo;
- uma vaca o mastiga e engole para se alimentar.


Na natureza, segundo Uexküll, cada ambiente é uma unidade fechada sobre si mesma, que resulta do destaque seletivo de uma série de elementos. Assim, numa escola, o educador ou pesquisador terá como primeira tarefa, investigar e reconhecer os portadores de significado que constituem o seu ambiente de aprendizagem.

autor - Joaquim Luiz Nogueira
                                          www.autoresfree.com.br
Livro Fonte: Giorgio Agaben : O Aberto: o Homem e o Animal . Biblioteca Nacional de Portugal , 1942.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nota vermelha no BO

Como o Texas pôs a polícia para vigiar a escola

Artigo da Folha de São Paulo de 16/01/2012

RESUMO A presença de policiais armados em escolas dos EUA gera desde os anos 90 uma onda de criminalização do mau comportamento de crianças e adolescentes, levando para a esfera policial questões de ordem pedagógica. Processos judiciais, multas e cadeia estigmatizam colegiais e criam uma "via direta da escola à prisão".

CHRIS McGREAL /tradução CLARA ALLAIN

A DENÚNCIA QUE constava no boletim de ocorrência era "perturbar a sala de aula". Mas não foi assim que Sarah Bustamantes, 12, enxergou sua detenção por borrifar perfume no pescoço, em sala de aula, ao ser atormentada por seus colegas. "Você fede!", diziam.

"Sou esquisita. As outras crianças não gostam de mim", diz Sarah, diagnosticada com transtorno bipolar e de déficit de atenção e que tem consciência de ser obesa. "Elas me disseram um monte de coisas ruins. Me atormentaram. Por isso, passei perfume. Então falaram: 'Guarda isso, esse é o pior cheiro que já senti na vida'. A professora chamou a polícia."

O policial não precisou se deslocar muito. Ele patrulha os corredores da escola de Sarah, a Fulmore Middle, em Austin, no Texas. Assim como centenas de escolas texanas e de boa parte dos EUA, a Fulmore Middle conta com força policial própria, com guardas fardados e que portam armas de fogo para manter a ordem em cantinas, pátios e salas de aula. Sarah foi retirada da sala e acusada de contravenção, recebendo a ordem de comparecer a um tribunal.

TRIBUNAIS Todo dia, centenas de colegiais vão a tribunais no Texas, sob acusações como uso de linguagem chula, mau comportamento em ônibus escolares ou brigas no pátio. Crianças já foram detidas por posse de cigarros, por usar roupas "inapropriadas" ou chegar atrasadas à escola.

Em 2010 a polícia entregou cerca de 300 mil notificações de "infração classe C" a crianças no Texas -algumas com apenas seis anos-, dentro e fora de escolas. As punições são multas, prestação de serviços comunitários e até prisão. Algo que, no passado, seria punido com uma bronca do professor ou um telefonema aos pais hoje pode resultar em detenção e em registro na ficha policial, o que pode vir a custar um emprego ou uma vaga na faculdade.

"Criminalizamos o comportamento da infância e adolescência", disse Kady Simpkins, advogada de Sarah Bustamantes. "São crianças."

Neste momento, o Texas reavalia sua reação aos temores suscitados pela ação de jovens "selvagens". Críticos dizem que ela criou uma "via direta da escola para a prisão". O juiz Wallace Jefferson, da suprema corte do Texas, alertou que "acusar crianças e jovens de delitos criminais, no caso de questões comportamentais", ajuda a impelir muitas delas para a vida na prisão.

No ano passado, o parlamento do Texas modificou a lei de modo a impedir a intimação judicial de crianças de 10 e 11 anos por mau comportamento em sala de aula (no Estado, a maioridade penal é 10 anos). Mas uma lei mais ampla, que visava eliminar a prática, não passou e só poderá voltar a ser votada em dois anos.

Até o governo federal já interveio. O secretário nacional de Justiça, Eric Holder, comentou as citações criminais usadas para manter a disciplina nas escolas: "Isto precisa parar, sem dúvida".

A ênfase sobre a lei e ordem em sala de aula surgiu nas mais de duas décadas de ampliação de todos os setores do policiamento no Texas, numa reação aos temores injustificados de uma onda de criminalidade que estaria chegando. Esses temores surgiram em todo o país na década de 1980, alimentados pela epidemia de consumo do crack, por estudos acadêmicos alarmistas e pela mídia.

Parte disso incluiu a aprovação de leis que fizeram dos EUA o único país desenvolvido a permitir a prisão perpétua a crianças de 13 anos, sem possibilidade de liberdade condicional, muitas vezes por cumplicidade em homicídios cometidos por adultos.

"O termo tolerância zero começou empregado no combate ao tráfico de drogas e hoje tornou-se usado amplamente quando se fala em medidas de disciplina escolar muito punitivas. Esses dois universos de policiamento se fundiram", diz Deborah Fowler, vice-diretora do Texas Appleseed, de Austin, grupo de defesa dos direitos legais, e principal autora de um estudo sobre as consequências do policiamento nas escolas do Texas.

COLUMBINE No meio da campanha ocorreu o massacre da escola de Columbine, em 1999, onde dois estudantes do Colorado mataram 12 alunos e um professor a tiros antes de se suicidarem. Os pais clamaram por proteção a seus filhos, e, para muitos, a polícia nas escolas parecia ser a resposta certa.

Mas a maioria das escolas não enfrenta ameaça séria de violência, e os policiais que patrulham corredores e cantinas em geral não enfrentam mais do que comportamentos turbulentos ou desrespeitosos, normais na infância e na adolescência.

Entre os casos mais extremos documentados pela Appleseed está o da professora que mandou prender um aluno que, questionado sobre onde uma palavra podia ser encontrada num texto, respondeu "em seu 'culo' [cu]", arrancando gargalhadas dos colegas. Outro foi preso por atirar aviõezinhos de papel.

Alunos são multados por "comportamento desordenado", que inclui brigas no pátio que não chegam a justificar uma acusação de agressão física, além de xingamentos ou gestos ofensivos. Um adolescente foi preso e enviado a um tribunal em Houston depois de uma briga com a namorada em que um jogou leite no outro.

Quase um terço das citações envolve drogas ou álcool. Uma parcela relativamente alta das citações (até 20% em alguns distritos escolares) envolve acusações sobre o uso de armas, mas na maioria dos casos as armas empregadas foram os punhos.

Crianças muito novas não são poupadas. De acordo com a Appleseed, registros do Texas indicam que, nos últimos seis anos, mais de mil citações judiciais foram emitidas para alunos da escola primária (ainda que, nessa idade, as citações não tenham força legal). A organização diz que "vários distritos escolares enviaram citações a uma criança de seis anos de idade pelo menos uma vez nos últimos cinco anos".

MULTAS As multas aplicadas podem chegar a US$ 500. Para pais de baixa renda, o custo pode ser altíssimo. Alguns pais e alunos ignoram as multas, mas isso pode ter consequências para a criança no futuro. Alunos que não pagaram multas volta e meia são punidos com a prisão em penitenciárias de adultos ao completar 17 anos. E o pagamento tampouco soluciona seus problemas. Uma infração classe C é um delito criminal.

"Pagar a multa representa a admissão de sua culpa, e a infração passa a constar de sua ficha", diz Simpkins. "Aqui nos EUA os custos da faculdade são astronômicos. Ao preencher o formulário para solicitar subsídio federal, sua ficha revela se você já foi detido. Se foi, você não recebe subsídio."

Um garoto de 16 anos de um colégio em Seguin, no Texas, se "recusou a cooperar" ao ser questionado por que não estava usando o crachá de identificação e recebeu um choque dado por arma não letal (Taser). Em seguida, ele teria usado "linguagem abusiva". A polícia disse que, quando um policial tentou prender o rapaz, este tentou mordê-lo.

O jovem foi acusado de resistência à prisão e de invasão criminosa de recinto, apesar de a escola reconhecer que ele estuda lá.

Casos desse tipo não se limitam ao Texas. Em um caso na Califórnia que ficou notório, um segurança escolar quebrou o braço de uma garota ao prendê-la por não ter limpado migalhas do chão, depois de ela ter deixado cair uma fatia de bolo na cantina da escola.

Em outro incidente, a polícia do campus da Universidade da Flórida usou arma de choque contra um estudante por ter pressionado o senador John Kerry com uma pergunta incômoda num debate, depois de ter sido instruído a calar a boca.

OUTRO LADO "Há um número substancial de estudantes que infringem as leis. No Texas e nos Estados Unidos como um todo, se você recebe uma citação judicial isso não significa automaticamente que será condenado", diz Brian Allen, chefe de departamento de polícia escolar do distrito de Aldine e presidente da associação de chefes de polícia escolar do Texas.

"Você tem a oportunidade de comparecer diante de um juiz e se defender. Se você é professor e um aluno que tem o dobro do seu tamanho lhe dá um soco na cara, o que você pode fazer? Vai usar as habilidades que lhe ensinaram ou vai chamar um policial?"

Ele, porém, admite que a grande maioria dos incidentes que envolvem a polícia tem a ver com infrações que, em outro contexto, não seriam vistas como pouco mais que comportamento desregrado.

PROFESSORES Os pais que foram sugados para dentro do sistema se perguntam por que os professores deixaram de responsabilizar-se pela disciplina nas escolas.

"Fiquei revoltada com a professora, porque ela poderia ter impedido tudo isso" diz Jennifer Rambo, a mãe de Sarah Bustamantes. "Ela poderia ter fito: 'Ok, classe, já chega'. Poderia ter mandado Sarah lhe entregar o perfume e dito a ela: 'Isso não é adequado, não faça isso em sala de aula'. Mas ela não fez nada disso. Chamou a polícia."

"Os professores recorrem à polícia para implementar a disciplina", diz a advogada Simpkins. "Isso acontece em parte porque não querem responsabilizar-se pela disciplina. Não querem ter problemas por isso. O pai ou a mãe não poderão ir à escola e gritar com eles. Os professores dizem: 'Não somos nós, é a polícia'."

Um professor de Austin que pede para não ser identificado discorda. "Existe a visão equivocada de que são só alguns adolescentes que se comportam mal -adolescentes sendo adolescentes. Mas não estamos nos anos 1950. Hoje em dia, muitos pais não controlam seus filhos. Seus pais estão ausentes e eles estão em gangues", diz.

"Os adolescentes vêm para a sala de aula e não têm respeito nem disciplina. Às vezes são muito ameaçadores. A polícia é chamada porque assim o professor consegue continuar a ensinar, em vez de desperdiçar metade da aula lidando com um só aluno, e assim uma mensagem é transmitida aos demais."

Com base nas desordens mentais de Sarah Bustamantes, um grupo de defesa dos direitos de deficientes fez sua defesa e, após meses de batalha, os promotores desistiram das acusações.

Indagada sobre como se sente em relação à presença da polícia nas escolas depois daquilo que viveu, Sarah se mostra ambígua.

"Precisamos da polícia na escola. No meu colégio, as discussões podem virar brigas muito feias", diz ela. "Mas a polícia devia parar de mandar citações judiciais. Apenas para brigas de soco ou para bullying. Não para as coisas que a gente faz em sala de aula."

Todo dia, centenas de colegiais vão a tribunais no Texas, sob acusações como uso de linguagem chula, mau comportamento em ônibus escolares ou brigas no pátio

Os temores de uma onda de criminalidade juvenil surgiram em todo o país na década de 1980, alimentados pela epidemia de consumo do crack, por estudos alarmistas e pela mídia

Crianças muito novas não são poupadas. Registros do Texas indicam que, nos últimos seis anos, mais de mil citações judiciais foram emitidas para alunos da escola primária

"A polícia é chamada porque assim o professor consegue continuar a ensinar, em vez de desperdiçar metade da aula lidando com um só aluno", diz um professor

Publicado originalmente no jornal britânico "The Guardian".

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/20014-nota-vermelha-no-bo.shtml

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma semana longe da rotina


Um encontro com a natureza, enquanto ainda temos.....

Terapia de um dia na lagoa para esquecer aulas, provas, indisciplina etc;
Entre tantas outras coisas que podem ligar o Homem a sua insignificância está a grandeza da natureza, que com sua simplicidade nos conecta a beleza de um pôr do sol inesquecível e um silêncio entrecortado por cantos de araras, saracuras, rãs e sapos.

Olhar o final da tarde sobre a escuridão da natureza também ajuda na reflexão sobre nosso cotidiano e o que de fato significa um ano de trabalho... Temos a sensação que lutamos numa batalha perdida, que além de exaustiva, significa apenas a ilusão de uma porta que não precisa bater, pois já está aberta.. .



A observação de pássaros nos levam para perguntas sobre outras maneiras de conviver na diversidade.....


http://www.youtube.com/watch?v=9f5Gre0YuX4&feature=youtu.be

E talvez tenhamos que voltar para o mesmo lugar simplesmente para falar as pessoas que existimos apesar de tudo.....

Som ambiente do sertão para dormir
http://www.youtube.com/watch?v=vwjs6vILfHU&feature=youtu.be

Os habitantes das árvores
http://www.youtube.com/watch?v=ollVjXgqkaQ&feature=youtu.be

No momento da sede
http://www.youtube.com/watch?v=h0IBDx5Oia0&feature=youtu.be

Veja também outras imagens inesquecíveis
http://gestaodosucesso.blogspot.com/2010/12/os-pescadores-de-fim-de-ano.html