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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Inclusão e Pluralidade

Jaquim Luiz Nogueira


Aqueles que não foram escolhidos como participantes do topo do grande capital se transformaram na base para todas as políticas de Estado, cujas normas e condutas se derivam do ponto de vista das condições daqueles que foram excluídos. Walter Benjamin chamou esta versão de messiânica, ou seja, para ele foi uma alternativa para se contrastar com o progresso capitalista.
Para alguns teóricos como Hannah Arendt e Judith Butler, trata-se da noção kantiana de Juízo reflexivo, que considera o ponto de vista dos outros na ação do pensamento. Neste aspecto, o pensar implica numa socialidade ou pluralidade, espécie de processo psicológico por meio do exercício do julgar.
Arendt, por sua vez, adverte os povos sobre a política que promove a incapacidade de pensar nas pessoas, isto é, de exercerem o juízo independente, de criticarem e de poderem se distanciar das exigências que as políticas lhes impõem. Deve-se pensar sobre as normas que governam a política e evitar a obediência cega ou agir como o governante agiria.
Segundo o pensamento de Arendt, muitas pessoas se tornaram historicamente instrumentos de políticas genocidas, pois perderam a capacidade de pensar, sendo formadas de modo que não lhes foram mais possível o pensar. Elas passaram agir sem julgar, formulando e executando leis brutais de forma normatizada, constituindo o fracasso em pensar e julgar, portanto, não exercem a liberdade necessária para se transformarem numa pessoa.
A pluralidade de acordo com Butler é constituída pelo juízo, ou seja, uma representação da própria pluralidade e, desse modo, o diferente é a base do juízo, espécie de voz legítima, pois esse fala como um “Nós” . Este último torna-se o veiculo da esperança ao preencher com visões discordantes, emotivas e divididas, iniciativas plurais que formam algo não depende de nenhuma lei existente.
De acordo com Hanna Arendt, a responsabilidade das pessoas não pode ser entendida como uma lealdade acrítica. Ela acrescenta que, às vezes a desobediência é justamente nossa responsabilidade. As pessoas devem salvaguardar a pluralidade humana, principalmente o ato de pensar e de julgar que constituem o indivíduo.
Pensar implica pluralidade, estar na companhia dos outros e agir em comum com eles. É a linguagem o tipo de ação que dá existência a uma realidade, sendo que, o pensamento é germinado pela ação, e esta, tem a socialidade como aquilo que o antecede ou permite o pensar.
A socialidade se torna uma característica incentivadora em todo e qualquer pensamento, sendo o diálogo, algo que não pode ser separável da pluralidade, e isto, é que torna possível a existência do indivíduo. A pluralidade é o lugar do pertencimento, da luta, da preservação da heterogeneidade da vida humana.
A interdependência que constitui as pessoas como seres pensantes, sociais, corporalizados, vulneráveis e passionais. Tais modos de interdependência são movidos por política social.

Fonte;

Butler, Judith, Caminhos Divergentes: judaicidade e critica do sionismo: São Paulo, Boitempo, 2017. 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cultura da Pluralidade no Espaço da Escola


Joaquim Luiz Nogueira

Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã de origem judaica (1906 – 1975), qualquer Estado fundado na ideia homogênea de nação estaria fadado a expulsar quem não pertencesse à nação e, assim reproduziria a relação estrutural entre Estado-nação e a produção de pessoas apátridas.


O filósofo e sociólogo alemão e também de origem judaica Walter Benjamin (1892 – 1940), definiu essas pessoas sem pátria como escombros, espécie de ruínas e que na medida em que a história do progresso avançasse essa expulsão continuaria.
Neste aspecto, Arendt, declarava que para ter legitimidade, todo Estado teria de aceitar e proteger a heterogeneidade de sua população, isto é, a pluralidade. Dessa maneira evitava-se o avanço das pessoas apátridas, expulsas ou excluídas.
Para Arendt, a heterogeneidade cabia a todos os países a partir de algum ponto do século XIX, ou pelo menos se tornou um problema explícito para o Estado-nação desde Vestfália (A Paz de Vestfália “sec. XVII“ marcou o início da hegemonia da França na Europa e do declínio do poder Habsburgo), pois afirmou a supremacia do poder temporal (não religioso) sobre o papado, um aspecto fundamental para a consolidação do poder monárquico nos países europeus.

 Em outros pontos, no entanto, Arendt, parece estabelecer uma ontologia da Pluralidade. A pluralidade de todas e quaisquer populações passa a constituir como precondição da vida política, e qualquer Estado político, política pública ou decisão que vise eliminar ou limitar a pluralidade é tida como racista, quiçá genocida.
Segundo Arendt, a coabitação (vida em comum) era uma precondição da vida política, e embora, até certo ponto, possamos escolher com quem dividir uma cama ou uma vizinhança, não podemos escolher com quem coabitar a Terra. Essa coabitação continua sendo a condição não escolhida de todas as decisões políticas, se tais decisões não forem genocidas.
Nos termos de ARENDT, todo mundo deve ter o direito de pertencer, pois, os modos de pertencimento existentes não fundamentam ou justificam esse direito como fundamental para cidadania. É este aspecto de “modo de pertencimento” que vamos buscar entendimento no espaço da escola, já que segundo pesquisa de Paula Almeida de Castro, Professora Adjunta/Departamento de Educação – UEPB, Camila Matos Viana e Sarah Thalita Guimarães Costa, ambas na graduação de Pedagogia da UEPB, descreveram que os aspectos da identidade que balizam a noção de pertencimento.
Para Castro, são complexas tessituras das quais emergem o sujeito escolar contemporâneo, diversas formas de construção de identidades pelo aluno no interior da escola, sugerem que este recrie para si, em diferentes momentos, o papel de aluno.
Na escola, descreve Castro, o estudante tenta se adaptar a uma nova condição identitária interposta em diferentes momentos de sua vida escolar. O sujeito flexibiliza suas ações, atitudes e valores de modo a tornar-se aluno para si e para os outros que permeiam o espaço da escola e da sala de aula.
 O fracasso escolar, por exemplo, segundo a pesquisa de Castro “é, quase sempre, associado aos relacionamentos interpessoais e ao comportamento do aluno. Dessa forma, entende-se que é pelo somatório entre as tensões das experiências positivas e das negativas e/ou traumáticas que o indivíduo pode, em seu processo identitário, tornar viáveis as suas formas de pertencimento dentro e fora das escolas”.
Para Castro, as escolas “podem ainda possibilitar que o sujeito esteja mais habilitado e flexível para adaptar-se a novas situações que, por sua vez, vão demandar novos conhecimentos”. Neste sentido, o espaço escolar é caracterizado como lugar onde se amplia as conquistas e experiências dos alunos, tanto positivas como as negativas.
O espaço da escola deve compreender segundo Castro, que as estratégias dos alunos indicam que as identidades não são fixas, são sempre inacabadas e em contínuo processo de construção. Elas se desenvolvem pelo agir em um mundo em mudança, sobretudo na contemporaneidade.
A escola torna-se o palco de todas as articulações ao mesmo tempo, cujas manifestações e o progresso de cada identidade, assim como as transformações de acordo com Castro, “acontecem no espaço de “fora” – que modifica a condição de vida – quanto no espaço de “dentro” – trabalhando as condições individuais”
Portanto, muitas vezes temos a sensação de que as transformações do espaço escolar nas periferias ocorrem por uma espécie de ampliação das ruas, das moradias e da cultura de suas clientelas, enquanto pessoas apátridas nos termos de Arendt ou da vontade dos escombros como chamou Benjamin.
A escola, os funcionários, gestores e professores não podem escolher quem deve ou não matricular-se ou ocupar a sala de aula, pois, nos termos de ARENDT, todo mundo deve ter o direito de pertencer e de seu modo. Dessa maneira, a pluralidade de todas e quaisquer populações passa a constituir como precondição da escola, da vida política, e qualquer Estado político, política pública ou decisão que vise eliminar ou limitar a pluralidade é tida como racista, quiçá genocida.


Fonte:
Veja mais em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/paz-de-vestfalia-acordo-entre-paises-europeus-encerrou-a-guerra-dos-trinta-anos.htm?cmpid=copiaecola
IDENTIDADE, PERTENCIMENTO E RESILIÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO NA PERSPECTIVA DE ALUNOS COMO / PESQUISADORES Paula Almeida de Castro Professora Adjunta/Departamento de Educação – UEPB Camila Matos Viana Graduanda de Pedagogia – UEPB Sarah Thalita Guimarães Costa Graduanda de Pedagogia – UEPB http://www.editorarealize.com.br/revistas/fiped/trabalhos/Trabalho_Comunicacao_oral_idinscrito_1200_425fdbb52737d5336e38efb0940f6092.pdf

Judth Butler, Caminhos Divergentes/Boitempo 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Política das Boas Práticas

Agora é moda nas empresas públicas a política de boas práticas, espécie de filosofia de mercado pós - escândalos de corrupções nos governos. 



Essa filosofia precisa de regras éticas em todos os níveis, principalmente do executivo e do legislativo. No caso brasileiro, a ética e os princípios políticos são duvidosos, logo, exigir isto dos funcionários que estão no front da batalha é algo no mínimo confuso. 




O controle das empresas nos aspectos regulatórios legais segundo mercado buscam atuar com códigos de condutas para gestores e funcionários. 


Nas reuniões, membros das empresas e especialistas externos sugerem melhorias das práticas, principalmente por meio de avaliações e discussões de erros e acertos, cobrando relatórios que devem ser encaminhados para as diretorias. 

O objetivo é estimular boas práticas e reduzir os riscos da empresa. Os temas são: estrutura, responsabilidade, legislações e regras. Predominam os manuais que orientam as responsabilidades dos profissionais e o aumento da responsabilidade dos gestores com avaliações das competências. Exigem fixações de requisitos mínimos e falam em política de bônus para não ficar somente no critério econômico.   


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Que tipo de emprego os jovens da geração Estatuto do Menor irá ocupar?


Joaquim Luiz Nogueira 

A partir da década de 1990, nasce uma geração no Brasil, que sob a proteção da Lei, em sua maioria não aprenderam estudar, trabalhar, respeitar, esforçar, levantar cedo, entre outros. No lugar destes valores essenciais para o mundo do trabalho, as ruas, os colegas e o mercado, apresentaram para estas criaturas, o mundo livre de normas e regras, comandado apenas pelo desejo imediato de serem felizes.
Os filhos da pátria dos anos 1990, hoje com 27 anos, ainda receberam uma orientação de pais, avós e familiares de pessoas que nasceram antes desta Lei do Menor. Para estes, temos como dialogar, pois conheceram palavras como trabalho e respeito aos mais velhos muito cedo. Porém, a geração, filhos do Estatuto do Menor que já estão procriando, somam indivíduos pais com suas crias, sem tantas regras, normas, respeito; etc.
Quando alguém reclama das crianças destes jovens pais, adolescentes e jovens que permanecem nas ruas ou nas escolas oferecendo todo tipo de mau exemplo. As famílias se justificam que precisam trabalhar das 6 h da manhã até a noite, pois não tem como cuidar dos filhos. Por outro lado, os Políticos e o Judiciário que defendem a “Lei do Menor” empurram para as escolas a responsabilidade de educar esta parcela da população para o mundo do trabalho.
Alguns políticos até inventaram a escola de tempo integral, numa tentativa de agradar de forma eleitoreira esses filhos da pátria. No entanto, como são poucas escolas com este sistema, a maioria das crianças, adolescentes e jovens continuam a maior parte do dia nas ruas. Eles formam o grande exército de reserva do crime organizado, sendo a maioria destas crianças dependentes químicos aos 12 e 13 anos, não lhe restam alternativas a não ser, prestar qualquer tipo de serviço para pagar os produtos que consomem, cujo objetivo, é apenas continuarem vivos e felizes.
Os jovens, filhos do Estatuto do Menor, só podem trabalhar de verdade após 18 anos. É nesta fase, que alguns buscam empregos formais com registro em carteira e se deparam pela primeira vez com normas, horários, princípios, regras, respeito, vocabulário culto, etc. A escola que ele frequentou porque era obrigado a comparecer pela Lei do Menor, sozinha, não conseguiu ensinar valores do mundo do trabalho para essas crianças, já que as mesmas, não gostavam de permanecer na sala de aula.
Com determinadas exceções, alguns desses jovens, guiados pela sorte, conseguem empregos formais, mas a grande maioria desta parcela da população vai modelar toda a estrutura social, cultural e econômica do país. Usando palavras como enxame, manada ou massa popular, com capacidade imensa de consumo, o mercado nacional e internacional, juntamente com as grandes mídias constroem e apontam novos rumos na ocupação destes filhos da pátria.
Uma das promessas de emprego para a geração do Estatuto do Menor vem da tecnologia. Neste segmento, realidade virtual se funde com trabalho, sendo um simples clicar no celular ou computador, o gesto suficiente para adentrar no mundo das múltiplas possibilidades. Este encontro entre realidade bruta e extrema destes jovens despreparados para o emprego formal com a virtualidade da internet gera uma nova fronteira, espécie de novo mundo, que joga o futuro totalmente desconhecido, como um jardim das delícias para os filhos desta Lei tão defendida por muitos brasileiros.
Os empregos para esta geração, provavelmente não devem vincular valores como: horários fixos de entrada e saída, assim como regras, normas, vocabulário culto, escrita da Língua Portuguesa, rotina, esforço, metas, objetivos, leituras, pesquisas, entre outros. As chamadas plataformas, sistemas, cursos EAD, híbridos, todos estão neste horizonte de facilidades.
Resumindo, trata-se de ocupações com promessas prazerosas, cujo período de trabalho tenha diversas opções de horários, facilitado por uso de tecnologias, espaços confortáveis, sem regras e normas rígidas.  Detalhe, tais  jovens preferem começar ganhando bons salários, sem sacrifícios, já que a Lei do Menor protegeu toda sua trajetória de infância, para que não carregassem traumas para a vida adulta.
Interessa para maioria dos jovens, o trabalho fácil, sem muito esforço e altamente lucrativo em curto prazo. Este lance foi captado rapidamente pelo crime organizado, que oferece desde muito cedo aos adolescentes, pequenas doses de felicidade e tarefas rápidas bem remuneradas. Bastam algumas horas de trabalho divertido, para que o resultado seja compensado com motos e até carros.
Como jovens prodígios, protegidos por Lei, aprenderam que sem esforço, trabalho, sacrifício ou estudo conseguem felicidade. É possível que algumas empresas consigam reverter isto, porém, a missão está próxima do impossível, pois a infância seria a fase apropriada para aprendizagem dos valores do trabalho.
Até o momento, poucas organizações estão oferecendo oportunidades de empregos formais para jovens desta geração, (salvo exceções) uma delas é a indústria da tecnologia de ponta, cujos interesses estão voltados para o consumo de produtos como celulares e jogos eletrônicos. Também já existem empreendedores que contratam para trabalhos manuais e o pagamento é feito com entorpecentes.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O dia do Professor e as Fronteiras da Profissão


Joaquim Luiz Nogueira

Quando uma profissão não é valorizada pelo “Estado” (lembro que esse conceito de poder é muito vago para aqueles que nunca pesquisaram sobre teoria de Estado e suas finalidades). Mas, voltando ao ofício em questão, trata-se daqueles que desde o ciclo I, ensinam os primeiros símbolos da alfabetização e incluem as crianças no mundo do letramento.
Na fase seguinte do Ensino Fundamental e Médio, toda uma gama de conhecimento é apresentada aos futuros “cidadãos” (mais um conceito que merece pesquisa). Os chamados “currículos” “apostilas” e “livros didáticos” chegam ao aluno por meio de políticas educacionais, cujos interesses daqueles que sustentam o chamado “Estado” constroem a sua maneira.
As grandes mídias visuais, patrocinadas pelos interesses de mercados futuros se encarregam de uma espécie de estampagem, e essas, são fixadas nas entranhas da população por intermédio de figurantes que representam interesses de estudantes e professores que embasam suas falas em questionários e pesquisas online, números manipulados a serviço do lucro fácil para uma pequena parcela de bilionários.  
Na fronteira da profissão se encontra o objeto do conhecimento, saber  vigiado, proibido, dificultado para a maioria dos seres humanos. É só perguntar aos professores que tentaram ir além a suas pesquisas e as barreiras ou barricadas que são montadas pelo pensamento acadêmico, hierarquias, financiamentos. chefias, legislações entre outras.  
O conhecimento na modernidade e pós-modernidade ainda continua sendo proibido para a grande maioria dos seres humanos, cujos movimentos, semelhante a uma grande manada, são monitorados e planejados com ajuda dos avanços tecnológicos construídos para esta finalidade, ou seja, manter o maior número de pessoas ocupadas com a diversidade de culturas que afloram no campo das vivências cotidianas.
Do ensino básico até a fronteira do conhecimento existe toda uma estrutura política e econômica que abrem e fecham as portas de acordo com os interesses dos donos do poder. Se um professor consegue chegar ao espaço da grande mídia, parece que ele foi obrigado a se tornar uma espécie de ventríloquo, sua fala ou discurso não se refere ao conhecimento profundo e crítico, necessário para retirar o véu que encobre os truques de manipulação das massas obreiras.  
As fronteiras do saber são modeladas pelas condições precárias em que os professores são jogados em salas de aulas lotadas, bons estudantes misturados com outros com defasagens de toda espécie: analfabetos, fora da idade, violentos, drogados, mal educados entre outros.
Escolas públicas que servem de referências negativas para aumentar o lucro das escolas particulares, que ameaçam os pais que não querem pagar, dizendo: “leve seu filho para estudar na escola pública”? Na saúde e na segurança não é diferente. É contra isso que os professores devem mostrar sua indignação e reagir enquanto profissionais que dominam o saber.
Professores devem ver o mundo por intermédio do conhecimento e questionar todos os dias o motivo de sua profissão não ser valorizada. Buscar o rompimento das barreiras que impendem esse reconhecimento passa por críticas e ações contra aqueles que já se esqueceram dos motivos que levaram os donos do poder ter medo de professores.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Impactos da Motivação Segundo Questionário do PISA para Escolas de Baixo Rendimento em 2015

Joaquim Luiz Nogueira

O PISA é o exame internacional de aprendizagem realizado pela OCDE  (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ). Avalia o desempenho de alunos de 15 anos em leitura, matemática e ciências.

A partir de questionário, o exame deseja avaliar além do desempenho o esclarecimento ou entendimento da mentalidade desses alunos de baixo desempenho escolar. Para isso, usa o grau de concordância das respostas afirmativas, tais como “trabalhar nas tarefas até que tudo esteja perfeito”.

Ninguém duvida de quanto o grau de satisfação de um adolescente pode contribuir para objetivos maiores, assim como, o esforço dos mais pobres em relação aos mais ricos. No entanto, o conceito de motivação medido pela busca da tarefa escolar perfeita esbarra em diversas outras variantes, cujo entendimento vai muito além da economia.

Por exemplo, fazer os alunos prestarem atenção no conteúdo da aula que antecede o intervalo em dias de strogonoff? A imaginação desta comida leva os alunos a buscar os primeiros lugares na fila da merenda para não correr o risco de ficar sem o prato preferido.
Esta motivação seria diferente, caso a sua família tivesse condições financeiras melhores. No caso dos mais ricos, o estômago não lidera a motivação e sim outras necessidades da estrutura social dos pais. 

A motivação passa primeiro pela leitura do corpo físico, se o adolescente não estiver feliz com algo de seu corpo ou até pelos  traumas que carregam, esqueçam, esses fatores lideram de forma espontânea os rumos das  ações dos mesmos.
Medir o grau de motivação de um adolescente por questionário aplicado em um único dia do ano, infelizmente, não ajuda entender a mentalidade deles, pois isso depende das circunstâncias em que se encontram seus pais, irmãos, tios, colegas; etc. Um adolescente com os pais presos, drogados, desempregados, doentes, etc., sobrevivem um dia de cada vez e a cada aula, tudo pode acontecer.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Repúdio ao desconto dos Professores que Possuem Acúmulo em Dias de Convocações

Joaquim Luiz Nogueira 

Reza o ritual logo abaixo por meio de manual, que este profissional da educação, além de possuir a missão de fiscalizador das escolas, também deveria, segundo a mesma legislação, realizar estudos e pesquisas, oferecendo pareceres  para o desenvolvimento do sistema de ensino.  Vejam abaixo o trecho em questão, oferecido pela Diretoria de Ensino (Leste 3).

I – exercer, por meio de visita, a supervisão e fiscalização das escolas incluídas no setor de trabalho que for atribuído a cada um, prestando a necessária orientação técnica e providenciando correção de falhas administrativas e pedagógicas, sob pena de responsabilidade, conforme previsto no inciso I do artigo 9º da Lei Complementar nº 744, de 28 de dezembro de 1993;
II – assessorar, acompanhar, orientar, avaliar e controlar os processos educacionais implementados nas diferentes instâncias do Sistema;
III – assessorar e/ou participar, quando necessário, de comissões de apuração preliminar e/ou de sindicâncias, a fim de apurar possíveis ilícitos administrativos;
IV – nas respectivas instâncias regionais:
a) participar:
1. do processo coletivo de construção do plano de trabalho da Diretoria de Ensino;
2. da elaboração e do desenvolvimento de programas de educação continuada propostos pela Secretaria para aprimoramento da gestão escolar;
b) realizar estudos e pesquisas, dar pareceres e propor ações voltadas para o desenvolvimento do sistema de ensino;
c) acompanhar a utilização dos recursos financeiros e materiais para atender às necessidades pedagógicas e aos princípios éticos que norteiam o gerenciamento de verbas públicas;
d) atuar articuladamente com o Núcleo Pedagógico:


A parte deste agente fiscalizador das escolas é bastante visível na realidade, porém, a função de pesquisadores e construtores de pareceres, é algo que não está evidente, já que, a legislação não abrange uma série de situações que ocorrem nas escolas, por exemplo, vejamos o caso das faltas dos professores em dias de convocações em reuniões de: Planejamento; Replanejamento e conselho de série e classe.

Dada certa situação em que o docente com um único cargo possui duas ou mais escolas da rede, ele comparece em sua sede e nas outras sua ausência não é descontada. Neste caso, como ele não tem acúmulo, não recebe falta. Por outro lado, se o professor por necessidade tem dois cargos dentro da rede, nesta situação, que é semelhante a citada anteriormente, ele deve assumir a falta.

Isto é incoerente, para não dizer outra palavra mais agressiva, pois o docente que fica com falta por não conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo, ficará desmotivado com o prejuízo, retirado dele de forma autoritária, sem diálogo ou opinião daqueles que nos dias normais ficam sem almoço ou janta para chegar às salas de aulas.

Punir Professores que trabalham 60 horas por dia não é muito inteligente por parte daqueles que devem ver as reais necessidades e possibilidades das escolas. A prática docente não vai ficar melhor com este tipo de política. Neste aspecto, os diretores devem fazer chegar nas hierarquias mais elevadas da rede o descontentamento dos professores prejudicados e não são poucos, toda escola necessita de professores motivados e não revoltados. Veja trecho abaixo:

1. na elaboração de seu plano de trabalho, na orientação e no acompanhamento do desenvolvimento de ações voltadas à melhoria da atuação docente e do desempenho dos alunos, à vista das reais necessidades e possibilidades das escolas;

Não há diretor ou coordenador que consiga motivar professores, quando estes não são valorizados financeiramente e que para equilibrar as contas de forma honesta, trabalham até 15 horas por dia. E quando chegam em épocas de reuniões são prejudicados pela ausência de corpo físico. Para que serve as videoconferências? Será que as informações de uma unidade escolar seriam tão diferentes da outra, que o docente tenha que assumir sua falta?


Castigar e punir trabalhadores por não poder estar em dois lugares ao mesmo tempo, parece não ser uma decisão muito correta por parte daqueles que esperam terem profissionais dedicados em suas funções. 

Pedagogia do Asno


Joaquim Luiz Nogueira 


Primeiro vamos esclarecer o termo que também é chamado por outros nomes, entre eles, “aula de lousa e giz”, “exibir um filme qualquer”, “fingir que ensina”, “deixar a classe a vontade” “laissez Faire”, "se vira nos 30", "Dom Quixote", entre outros.  Esta pedagogia também é conhecida  como regra de ouro para sobrevivência no espaço escolar atualmente, cujo alunado em sua maioria desconhecem conceitos básicos do respeito ao professor, com uma parcela significativa de estudantes violentos e agressivos, principalmente, quando seus interesses são vetados pelo docente,
Neste aspecto, para preservar a saúde mental e física, os docentes estão preferindo a pedagogia criada pela escola total flex. Assim ele evita o enfrentamento com os adolescentes e seus protetores ao criar um espaço de “gente feliz”. E como fala um professor da grande mídia de codinome “careca do saber” – se o aluno ofende ou lhe manda tomar no (....), isto é um veneno e só teria efeito se o docente experimentasse.
Faz parte desta pedagogia da sobrevivência a imitação dos alunos com frases de impacto: “não vi nada” e não questionar nada em reuniões e até bater palmas ou elogiar (rasgar a seda), pois isso evita que o discurso tenha continuidade e contribui para felicidade de todos. Outro detalhe, se você conseguir encontrar somente pontos favoráveis na escola e embasar seu discurso com bibliografia de escritores que faturam com os concursos públicos, automaticamente, será até convidado para participar de videoconferência.
No momento de avaliar os alunos, diversifique sua didática, faça valer o pensamento animista dos estudantes, considere a alegria dos mesmos quando conseguem copiar sua matéria da lousa, muitos que não enxergam por baixa visão e não usam óculos por questões financeiras ou vaidade de adolescente, mas, neste momento supremo conseguem graças a tecnologia do celular de primeira geração, então, fotografam a lousa e ampliam na tela para imitar as letras no caderno.
Esta criatividade dos estudantes e os esforços para acompanharem as lições e depois o próprio sistema dos aparelhos os lembram de que eles devem compartilhar aquelas aulas com os colegas que estão ausentes por meio do “FACE”, antecipando as compensações daqueles conteúdos. E por falar em termos tecnológicos, esta pedagogia enfatiza os recursos das plataformas, neste esquema, os professores só tem que avisar os alunos dos links onde eles podem encontrar outros temas que eles desejarem.
E concluindo, quanto ao nome asno, a enciclopédia Wikipédia nos esclarece que embora se trate do Equus africanus asinus, que é uma subespécie dos mamíferos perissodáctilos, cujo nome popular é asno ou burro, jumento, jegue, jerico ou ainda asno-doméstico. De tamanho médio, focinho e orelhas compridas, sendo utilizado desde a Pré-história como animal de carga.

O site mundo estranho nos esclarece que “Palavras associando o burro à estupidez e à ignorância começaram a aparecer no século 2: a expressão asinina cogitatio (“raciocínio de burro”, em latim) fazia parte da obra de Lucius Apuleius, autor de O Asno de Ouro”, titulo que também significa Metamorfoses (do latim Metamorphoseon libri XI, provavelmente a denominação original). 
Transformação é a regra da sobrevivência em ambientes que apresentam muitas dificuldades para prosseguirmos  de maneira normal, sendo assim, adaptação e mudança, tornam-se os mecanismos necessários para continuarmos sonhando com dias melhores.  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O que os alunos de São Paulo querem aprender.


Joaquim Luiz Nogueira

Segundo Pesquisa realizada na rede municipal de São Paulo com 43,6 mil alunos, sobre o que eles querem aprender, e assim, eles revelam os rumos de uma sociedade orientada por aqueles que primeiro deveriam aprender com as experiências daqueles que estudaram e pesquisaram durante uma vida inteira e não o contrário.


A pesquisa manifesta os desejos dos alunos, que significa ficar em "grupinhos na sala de aula", algo que praticam de forma espontânea a todo momento. Eles também escolhem antes do professor com quem eles querem ficar juntos na sala, geralmente fazem isto por afinidades de toda espécie e ficar fora da sala de aula então, não precisamos nem comentar tais vontades. 


 Dizer que preferem a Internet e a liberdade deste mundo virtual, sem regras ou limites, não significa nenhuma novidade, pois o que as crianças, adolescente e jovens buscam são as realizações mágicas de seus desejos. Não gostam de palavras como disciplina, esforço, estudo individual, leitura etc. 

Para satisfazer o desejo destes alunos, os professores devem fazer uso de tecnologia e de outros recursos que prometam a eles que o mundo real possui facilidades e que se pode aprender brincando e se divertindo. Que bom se isso fosse totalmente verdade. Trabalho implica em disciplina, regras rígidas, esforço, garra, persistência etc.


Conclusão dos alunos, a escola deve ter boa convivência com eles, isto é, não deve contrariá-los, apenas fazer escutas e adaptar o currículo de acordo com suas vontades e desejos. A quem mais interessa este universo de jovens formados de acordo com os interesses deles e não dos professores, pesquisadores, entre outros, aqueles que acumularam memória e experiência?  

Isso agrada o chamado mercado e os políticos corruptos que sonham com gerações que não sejam críticas aos métodos usados por eles para continuarem no poder por longos períodos.  

Entender o perfil de aluno que a "rede" quer formar? Quem é a rede? Quais os interesses que estão envolvidos neste tipo de pesquisa chamada de "democrática"?  A moda atual de governar agora é fazer pesquisas via plataformas, cujas questões são elaboradas para favorecerem o que o sistema já aprovou em circunstâncias determinadas por aqueles que se encontram no poder...  

terça-feira, 18 de julho de 2017

Gargalos da Educação Pública e o futuro




Joaquim Luiz Nogueira 

De acordo com o texto de Opinião de Maria Alice Setubal, publicado pelo Jornal Folha de S. Paulo (18/07/2017), podemos destacar algumas particularidades interessantes do ponto de vista filosófico, mais que podem esclarecer melhor o gargalho da Educação Pública. Trata-se do pensamento de que “os perfis e as histórias de vida desses jovens sejam múltiplos”.
A palavra “múltipla” implica algo no campo do diverso ou do inúmero, isto é, entra na categoria do simbólico. Falar que as histórias de vida desses jovens são múltiplas, significa que eles são muito diferentes daquilo que a escola tenta aplicar via currículo. Este último evoca disciplina e programação determinada para cada etapa de um ano/série.
A criança de 11 e 12 anos, fase em que ela se dá conta de seu corpo e também da diversidade que o cerca. Neste momento, a criança é uma porta aberta para essa infinidade de coisas e objetos que estão a sua volta.
É uma das primeiras oportunidades, pois a criança já tem um corpo forte e pode se lançar nesta aventura da descoberta do mundo, segundo seu ponto de vista. É uma tentativa de fuga do mundo programado do currículo, elaborado por pessoas que se encontram no topo de uma sociedade sistêmica. 

Para o sistema social, nesta fase, a criança deve se engajar numa cadeia de valores e comportamento criados para moldá-la a partir do ponto de vista necessário a grande produção capitalista dominante. O sistema vê a criança como vulnerável, pois neste momento, ela ainda não vê nenhum sentido em aprender coisas do currículo programado para sua idade.
A multiplicidade vista pela mentalidade infantil não se compara de forma alguma as 8 disciplinas que lhe são impostas dentro de uma escola. Trocar a oferta das ruas pela obrigatoriedade de permanecer por 6 horas em um prédio escolar só irá ocorrer contra a vontade da criança.
Essa missão de programar a criança de 11 e 12 anos, quando ela já experimentou a liberdade de um mundo livre, sem regras, valores ou obediência ao mundo do trabalho, torna-se algo muito difícil de fazer. Neste universo do múltiplo, a escolha de ser trabalhador (a) é apenas uma das muitas opções oferecidas pela liberdade. 


O segundo gargalho da educação ocorre na fase dos 14 e 15 anos, nesta fase, o adolescente tem sua segunda crise de valores, principalmente aqueles que ainda sonham com um mundo de liberdade, diferente da programação do currículo, ou seja, aquela que após 4 ou 5 anos de escolaridade, para ele, que foi obrigado a frequentar pelo menos de forma irregular, continua a não fazer nenhum sentido frente a sua realidade de inúmeras outras opções de vida.
Se o primeiro gargalho já apresenta uma fuga de 15%, o segundo pode se falar de 25% a 30% dos jovens que embora tenham consciência deste mundo do trabalho, programado por currículo e difundido pelas escolas via pensadores do topo político da educação, preferem lutar por outras formas de sobrevivência, diferente daqueles que frequentam escola e como afirma Setubal “E aqueles que lá estão não aprendem”.
Esta parcela que hoje já está em 30% (evasão) na maioria das escolas, dentro de mais alguns anos, somadas com aqueles que estão na escola e que não aprendem, atingirá algo em torno de 70% dos jovens em áreas urbanas. Para esta nova geração, a programação ou currículo será muito flexível e tudo vai passar por escolha.
As empresas e os profissionais que sobreviverem nesta fase serão especializados para agradar e prever os desejos de uma massa imediatista e violenta, pois não toleram a contrariedade. Devem se movimentar em grandes grupos, liderados pela ideia de poder, aparência e prazer imediato.